Região Metropolitana já tem em 2021 o dobro de mortes por Covid-19 dos últimos 2 meses de 2020

Novo avanço da doença preocupa gestores de saúde diante de possível aumento na demanda; Governo do Estado amplia leitos de UTI em enfermarias em todas as regiões do Ceará.

Legenda: Dos 19 municípios da RMF, apenas três tiveram redução de diagnósticos da doença.
Foto: Natinho Rodrigues

Os dois primeiros meses de 2021 tiveram piora nos indicadores da pandemia da Covid-19 em Fortaleza e na Região Metropolitana. Os 19 municípios da área registraram, em janeiro e fevereiro deste ano, 47% a mais de casos confirmados e o dobro de mortes pela doença, em comparação a novembro e dezembro de 2020. Os dados foram colhidos da plataforma IntegraSUS, alimentada pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), na manhã desta segunda-feira (1º).

Nos meses finais de 2020, a doença já vinha apresentando novo crescimento na RMF, a partir da aceleração verificada na Capital cearense. Em novembro e dezembro, somados, foram 29.827 casos e 323 óbitos. No entanto, janeiro e fevereiro deste ano já contabilizaram 43.791 confirmações e 652 mortes. O aumento percentual é de 47% e 102%, respectivamente.

Em algumas cidades, a situação é mais sensível. Em Caucaia, segundo maior município em população do Estado, casos e óbitos cresceram 158% e 83%, entre os dois períodos. O primeiro indicador passou de 1.150 para 2.972. O segundo, de 23 para 42 mortes.

No Eusébio, as confirmações quase duplicaram (+93%), passando de 543 para 1.048 casos. No início deste ano, foram contabilizadas nove mortes por lá. No fim de 2020, não houve nenhuma. Já em Cascavel, a variação de casos também foi positiva, saltando de 251 para 424. O número de mortes cresceu de um para quatro.

O cenário é semelhante em cidades mais afastadas da Capital. Em São Luís do Curu, os casos passaram de 37 para 115, e as mortes cresceram de uma para cinco. Em Trairi, os casos quase se multiplicaram por oito: eram 20, no fim do ano passado, e aumentaram para 153, em 2021. Mortes passaram de duas para três.

Situação em Fortaleza

Na Capital cearense, o destaque - negativo - vai para o crescimento de mortes nos dois intervalos. Em janeiro e fevereiro, foram 520 óbitos, contra 251 em novembro e dezembro. Percentualmente, a piora foi de 107%.

Quanto ao número de casos confirmados, foram quase 10 mil a mais. Se, no fim do ano passado, houve 22.849 confirmações, no início de 2021 foram 32.774. De acordo com o IntegraSUS, o aumento foi de 43%.

Nesta segunda, a taxa de ocupação geral de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em Fortaleza é de 90,6%, sendo 92% entre as UTIs para pacientes adultos e 91,6% para crianças. Ao todo, 87,4% dos leitos de enfermaria também estão ocupados.

Na manhã de hoje, a Prefeitura de Fortaleza liberou 62 novos leitos exclusivos para Covid-19 no Frotinha de Messejana. O equipamento só acolherá pacientes encaminhados das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

 

Três municípios com redução de casos

Horizonte (-48%), Paraipaba (-28%) e Pacajus (-14%) foram os únicos municípios da Região que apresentaram menos confirmações de casos entre os dois períodos. Em Horizonte, eles reduziram quase pela metade: foram 620, em novembro e dezembro, e 320, em janeiro e fevereiro.

Em duas dessas cidades, também há tendência de estagnação ou decréscimo de óbitos. Horizonte teve seis mortes nos dois intervalos. Paraipaba não teve nenhum registro do  tipo, em quatro meses. Contudo, Pacajus dobrou o número: foram quatro mortos no fim de 2020, e oito no início de 2021.

Ampliação de leitos

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o governador Camilo Santana garantiu que o Estado vem se preparando para o aumento na demanda a partir da compra de insumos médicos e da expansão de leitos em todo o Ceará. Na RMF, esse processo vem acontecendo em Caucaia, Maracanaú e Itapipoca, por exemplo.

Segundo o governador, já são 824 UTIs ativas para o tratamento da doença, sendo 776 adultas e 38 pediátricas (mais 10 serão entregues na tarde de hoje, chegando a 48). A meta da gestão é alcançar 1.074 unidades até 31 de março.

“Estamos montando conectadas com UPAs e hospitais regionais”, disse Camilo.

Em relação a leitos de enfermaria, o gestor informou que já há 2.287 deles em funcionamento, em todo o Estado. Destes, 928 estão na região de saúde de Fortaleza, que inclui a RMF; outros 1.359 estão distribuídos nas demais áreas: Cariri, Sobral, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe. A meta é ativar 2.600 enfermarias até o fim do mês.

Novo decreto limita atividades

Para frear o aumento de casos e a necessidade de mais internações, capazes de esgotar a capacidade do sistema de saúde, o Governo do Estado publicou decreto que limita ainda mais as atividades de comércio e serviços, em todo o Ceará. Confira abaixo as medidas que valem até o dia 7 de março:

  • Toque de recolher entre 20h e 5h, de segunda a sexta-feira, e entre 19h e 5h aos sábados e domingos, com saídas permitidas somente em situação de comprovada necessidade;
  • Comércio de rua funciona de segunda a sexta-feira até as 17h. As outras atividades econômicas e as religiosas, até 19h. Serviços essenciais podem funcionar após esse horário.
  • No sábado e domingo, restaurantes funcionam até as 15h, e outras atividades econômicas e religiosas até as 17h;
  • Espaços públicos continuam com circulação restrita todos os dias a partir das 17h;
  • Igrejas devem realizar suas atividades com até 30% de sua capacidade, e estimular as celebrações de forma virtual;
  • Academias de ginástica devem funcionar com 30% de sua capacidade, devendo fazer o agendamento de horários para o devido cumprimento de todos os protocolos sanitários;
  • Continua remoto o trabalho para servidores públicos, com exceção das atividades essenciais. Recomendação para a mesma medida junto ao setor privado;
  • Seguem as barreiras sanitárias em Fortaleza, com recomendação para o controle por parte dos municípios no Interior.


Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza