Acamada há 19 dias, cearense com obesidade mórbida aguarda ‘sem prazo’ por exame na rede pública
Mulher de 44 anos sofreu três quedas precisa de uma ressonância magnética, mas não tem recursos para bancar
Já faz 19 dias que Eliane de Sousa, 44, não consegue banhar o filho de 3 anos, com quem mora sozinha. Acamada, ela depende de amigos e vizinhos até para comer. A solução para o problema de saúde está em procedimentos médicos que sequer consegue agendar na rede pública.
A cearense, moradora do bairro Jardim Guanabara, na periferia de Fortaleza, sofreu três quedas, neste mês. Na segunda, no banheiro de casa, precisou chamar o Samu, com a ajuda do filho de 3 anos. Após 1 hora de espera, a equipe prestou os primeiros socorros e, na ausência de fraturas, “foi embora”.
Na terceira queda, não levantou mais e foi levada para o Frotinha Antônio Bezerra.
Lá fizeram raio-x, não quebrou osso. O médico disse que possivelmente rompeu o ligamento do joelho e que lá não resolveria. Passou uma ressonância e disse ‘tem no SUS, mas digo logo que nunca sai, demora muito’. E que eu procurasse particular.
Em situação de vulnerabilidade socioeconômica, Eliane lamenta não ter recursos “nem pra pagar o aluguel e a conta de luz, imagine pra fazer um exame que é quase R$ 700”. O cenário é agravado ainda pela condição prévia de saúde: a mulher tem obesidade grau III.
“Ainda tem esse detalhe: nem toda máquina vai aguentar meu peso. A médica do posto de saúde veio aqui e, vendo meu quadro, já fez o encaminhamento pra cirurgia bariátrica. E solicitou um exame alternativo, que é o ultrassom, pra ver se sai mais rápido. Mas também tenho que ficar na fila de espera”, resume.
Há 17 dias, tô fazendo tudo em cima de uma cama, porque não posso andar. Tô precisando de material de higiene, óleo de girassol, fraldas… Não tenho condição de ficar comprando tudo isso. Só queria fazer essa ressonância, nem que fosse por vaquinha.
A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que tipo de assistência tem sido prestada a Eliane. Em nota, o órgão informou que “a paciente é visitada diariamente pela agente de saúde do posto no qual é vinculada e também recebe atendimento domiciliar da equipe multiprofissional da unidade”.
Em relação aos exames, a Pasta informou apenas que os pacientes “são regulados por meio da Central de Regulação do Município”, e que “o período para o atendimento depende de fatores como classificação de risco, ordem cronológica e disponibilidade de vagas”.
O tempo médio de espera por uma ressonância magnética ou ultrassom, questionado pela reportagem, não foi informado.
Quanto à possível cirurgia bariátrica de Eliane, a SMS afirmou que ela está “inserida na Central de Regulação Municipal para uma consulta no ambulatório do Hospital Universitário Walter Cantídio, unidade federal que realiza o procedimento, para avaliação”.
A Pasta acrescentou ainda que na última quarta-feira (29), a equipe do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) Barra do Ceará realizou uma visita técnica para diagnóstico de relatório social e encaminhamento de necessidades da família.