Missão Artemis II deve ir à Lua nesta quarta feira (1º); entenda os desafios
Voo marca o retorno de humanos ao espaço profundo depois de mais de 50 anos.
Nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, a Nasa lançará a missão Artemis II, que levará quatro astronautas em uma viagem de nove dias ao redor da Lua. O voo marca o retorno de humanos ao espaço profundo depois de mais de 50 anos.
A última tentativa de lançamento precisou ser adiada, em março, quando um vazamento de hidrogênio líquido foi identificado durante o teste de abastecimento do foguete Space Launch System. O problema ocorreu em uma conexão de transferência de combustível e exigiu ajustes técnicos antes da confirmação da nova data.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 30 de março de 2026 mostrou que 33% dos brasileiros acreditam que o homem nunca esteve na Lua. A maioria, 58%, reconhece como verdadeiro o feito histórico das missões Apollo, enquanto 9% afirmaram não ter opinião formada. Pelo menos, a maioria não duvida do feito.
A cápsula Orion transportará Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, da agência espacial canadense. Durante a missão, eles realizarão testes de sistemas de suporte à vida em condições de espaço profundo, avaliarão comunicação e navegação em trajetórias além da órbita baixa da Terra e executarão exercícios de manobra e retorno seguro. Essas atividades são fundamentais para preparar futuras missões de pouso lunar.
Durante a missão, os astronautas terão a tarefa de avaliar o sistema de suporte à vida em situações prolongadas fora da órbita baixa da Terra. Isso inclui monitorar oxigênio, remoção de dióxido de carbono e controle de temperatura, garantindo que a cápsula possa sustentar seres humanos em viagens mais longas.
Outro ponto central será a verificação da comunicação em trajetórias distantes, já que a nave se afastará centenas de milhares de quilômetros da Terra, exigindo estabilidade nos sinais de voz e dados.
Inclusive, um fator que ainda preocupa os engenheiros e cientistas envolvidos na Artemis II é a possibilidade de uma tempestade solar durante o período da missão. Esse tipo de evento libera partículas altamente energéticas que podem interferir nos sistemas de comunicação, afetar instrumentos eletrônicos e expor os astronautas a níveis elevados de radiação.
Por isso, a equipe de controle em Terra acompanhará em tempo real as condições do clima espacial, pronta para ajustar rotas ou procedimentos caso seja detectada atividade solar intensa. Esse monitoramento é considerado essencial para garantir a segurança da tripulação em uma viagem tão distante da proteção natural oferecida pelo campo magnético da Terra.
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O voo também estabelecerá um recorde de distância. A Orion deve atingir mais de 400 mil quilômetros da Terra, muito além da Estação Espacial Internacional, que orbita a cerca de 400 km. Esse percurso permitirá validar a capacidade da nave de sustentar tripulação em viagens longas, etapa essencial para o avanço do programa Artemis e para missões tripuladas a Marte no futuro.
O lançamento ocorrerá no Complexo 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e está confirmado para às 19h24, pelo horário de Brasília. A janela de lançamento terá duas horas de duração, iniciando no horário previsto.
Caso seja necessário adiar por razões técnicas ou meteorológicas, já estão definidas novas oportunidades: em 2 de abril, às 20h22, em 3 de abril, às 21h, e em 4 de abril, às 21h53.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.