Presidente do IBGE pede demissão e sairá do cargo nesta sexta (9) após suspensão do Censo 2021

Antes da saída, Susana Guerra assinou acordo com ONU para participação do Brasil em plataforma de dados

Presidente do IBGE, Susana Guerra
Legenda: Susana Guerra pediu exoneração do cargo ainda no mês passado.
Foto: Fenrando Frazão/Agência Brasil

A presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Susana Cordeiro Guerra, sairá oficialmente do cargo nesta sexta-feira (9). Ela pediu exoneração ainda no mês passado, um dia após o Congresso Nacional aprovar um corte orçamentário de 96% no Censo Demográfico previsto para este ano, inviabilizando o Censo Demográfico 2021.

A decisão do Congresso acarretou a suspensão de concurso público a ser realizado para a pesquisa, conforme divulgado na última terça-feira (6). A pesquisa contaria com R$ 71 milhões para realização, o que foi considerado inviável.

Nos bastidores, há esforços pela nomeação de um nome técnico, que já esteja familiarizado com o funcionamento do IBGE. O nome do sucessor de Susana, porém, ainda não foi divulgado.

Acordo com a ONU

Susana Guerra, em um de seus últimos atos à frente do Instituto, assinará, nesta quinta (8), acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) que torna o Brasil um dos cinco países do mundo administrador de uma plataforma digital de processamento de dados estatísticos e geocientíficos.

Além do País, somente China, Emirados Árabes, Ruanda e um representante europeu ainda não anunciado têm acesso à base de dados, que deverá facilitar a divulgação e o intercâmbio de informações.

Com o acordo, Susana espera abrir as portas do órgão, que viraria um hub de big data, não apenas para a modernização da produção de conteúdo como para futuros financiamentos, os quais poderiam auxiliar na viabilização do Censo Demográfico, inclusive.

A cerimônia de assinatura terá adesão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), embora não envolva transferência de recursos financeiros — haverá transferência apenas de tecnologia e de treinamento para tratamento de dados.

"Por conta da pandemia, outros órgãos de estatística estão passando por dificuldades análogas e gerando soluções em tempo real. Então, isso abriu um espaço tremendo para uma cooperação multilateral. E essa cooperação internacional visa essa abertura e também é uma alavanca para o IBGE continuar levantando recursos com outros órgãos para que consiga levar adiante outros projetos de tecnologia e modernização que serão cruciais em um período tanto de pandemia mais branda, mas também de restrição orçamentária", comentou Susana.

Novos processos

Conforme fontes do IBGE, a ONU foi escolhida devido a um desdobramento do aprendizado do órgão durante a pandemia de Covid-19, que suscitou novos processos de trabalho que poderiam ser aproveitados para a realização do censo.

O primeiro é um modelo misto de coleta, que passa do presencial e on-line para, agora, também ao meio telefônico. Os cadastros de endereços também receberam aperfeiçoamento. O acesso e tratamento de dados cadastrais de beneficiados pelo auxílio emergencial pago pelo Governo Federal já permitiram ao IBGE um mapeamento remoto de grande parte dos domicílios a serem visitados, e equipamentos de segurança sanitária seriam adquiridos para permitir as visitas domiciliares.

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