'Não nos abandone', disse mãe do menino Henry Borel por mensagem de texto a funcionária

A conversa aconteceu antes do primeiro depoimento da doméstica Rosângela de Souza Mattos

Monique Medeiros
Legenda: As mensagens foram recuperadas do celular de Monique e constam no inquérito que apura a morte do menino
Foto: Agência Brasil

A professora Monique Medeiros, presa sob suspeita de participação na morte do filho, Henry Borel, 4, mandou mensagens de texto à empregada doméstica Leila Rosângela de Souza Mattos com pedidos para que ela não “abandone” a família. As informações são do jornal O Globo.

As mensagens foram recuperadas do celular de Monique e constam no inquérito que apura a morte do menino. 

A conversa entre elas ocorreu antes do primeiro depoimento prestado pela funcionária na 16ª DP do Rio de Janeiro, no qual ela não mencionou as agressões por parte do médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, também investigado pelo assassinato de Henry.

Após dezenove dias, com o casal já preso, a empregada retornou à delegacia e admitiu ter presenciado Henry com “cara de apavorado” e mancando após levar “chutes” e “bandas” do parlamentar.

“Amo você, Rosa. Parece que você é da minha família. Obrigada por seu carinho”, escreveu Monique às 12h50 do dia 17 de março. Rosângela respondeu: “Obrigada, vou terminar os calçados e vou para casa. Na sexta, pego as roupas, tá?”, em alusão aos serviços que estava fazendo no apartamento onde a professora morava com o vereador e o filho até a madrugada de 8 de março, no Cidade Jardim. 

Rosângela então avisou à patroa, dois dias depois, que foi intimada a prestar esclarecimento como testemunha na investigação. “Monique, o rapaz da delegacia me ligou para eu ir na terça-feira às 15h depor”, escreve, às 16h21 de 19 de março. 

Na data, a empregada contou aos policiais que trabalhava na residência durante os dias de semana, desde 8 de janeiro, e que só viu a família junta em três ocasiões. Ela negou ter presenciado qualquer discussão entre eles.

Em nova mensagem no 25 de março, Monique diz: “Dorme bem. E não nos abandone. Você, mesmo por pouco tempo, já faz parte das nossas vidas. Só não perde a fé. Ore por nós.” 

“Durma bem também! Eu não vou abandonar. Vou orar sempre. Beijos”, respondeu Rosângela, avisando que iria trabalhar na casa da família de Jairinho, em Bangu, no dia seguinte. 

Novos relatos no 2º depoimento

No segundo depoimento de Rosângela, no dia 14 de abril, ela acrescentou informações as declarações apresentadas antes. A funcionária admitiu estar no apartamento em 12 de fevereiro e ter visto Henry sair do quarto do padrasto com “cara de apavorado”. 

Ela negou ter visto o menino relatar a babá que levou “bandas” e “chutes” do vereador e disse que ele relatou estar mancando por ter “caído da cama”, pedindo para não ter os cabelos penteados, pois sua “cabeça doía”.

Rosângela disse não ter se recordado de “tais acontecimentos” no primeiro depoimento, mas negou ter problemas de memória.

MORTE DE HENRY BOREL

Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março, no apartamento em que vivia com Monique e Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca. Segundo as investigações, ele era agredido pelo vereador com bandas, chutes e pancadas na cabeça. Monique tinha conhecimento da violência desde o dia 12 de fevereiro, pelo menos. 

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Legenda: Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março, no apartamento de sua mãe
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

laudo da perícia sobre o corpo concluiu que a criança apresentava 23 lesões provocados por ação violenta e descartou a versão apresentada por Monique Medeiros, de que o filho teria se machucado ao cair da cama. 

Os investigadores afirmam que Henry foi assassinado com emprego de tortura e sem oportunidade de defesa. O inquérito aponta que a criança chegou à casa da mãe por volta de 19h20 de 7 de março, um domingo, após passar o fim de semana com o pai.

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