Morte de adolescente em São Paulo não foi causada por vacina da Pfizer, conclui estudo

Caso foi usado como uma das justificativas do Ministério da Saúde para recomendar a suspensão da vacinação em adolescentes sem comorbidades

profissional de saúde vestindo jaleco rosa coloca dose de vacina em seringa
Legenda: Vacina da Pfizer é a única autorizada para uso em pessoas de 12 a 17 anos no Brasil
Foto: Fabiane de Paula

A morte de uma adolescente de 16 anos em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, não foi causada pela vacina da Pfizer. A conclusão é de estudo feito por 70 especialistas e divulgado nesta sexta-feira (17) pela Secretaria de Estado da Saúde.

O diagnóstico apontou que a causa do óbito, sete dias após a jovem ser imunizada, foi uma doença autoimune, grave e rara, conhecida como Púrpura Trombótica Trombocitopênica (PPT).

Segundo comunicado divulgado pelo Governo de São Paulo, a doença não tem "uma causa conhecida capaz de desencadeá-la" e "não há como atribuir relação causal" entre ela e as vacinas de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer.

A adolescente morreu no último dia 7, exatamente uma semana após receber o imunizante.

O caso da adolescente foi usado como uma das justificativas do Ministério da Saúde (MS) para recomendar a suspensão da imunização em adolescentes sem comorbidades na última quarta-feira (15). A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entretanto, manteve a recomendação de vacinação neste grupo, com base em evidências científicas avaliadas e aprovadas pelo órgão.

Segundo o Governo do Estado de SP, a divulgação do caso foi feita de "forma intempestiva" pelo Ministério, e os resultados da análise serão submetidos à Anvisa.

Vacinas são seguras

"As vacinas em uso no País são seguras, mas eventos adversos pós-vacinação podem acontecer. Na maioria das vezes, são coincidentes, sem relação causal com a vacinação. Quando acontecem, precisam ser cuidadosamente avaliados", explica Eder Gatti, que coordenou a investigação e atua no Centro de Vigilância Epidemiológica e no Instituto Emílio Ribas.

Dentre os 70 profissionais que participaram do diagnóstico, estavam especialistas em Hematologia, Cardiologia, Infectologia, médicos dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) do Estado e representantes dos municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e São Paulo.

O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) estadual também contribuiu para a análise.

 

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