Morre afogado José Álvaro Moisés, um dos fundadores do PT

O ex-professor da USP tinha 81 anos.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 16:36)
José Álvaro Moisés.
Legenda: Equipes tentaram reanimar a vítima, mas o óbito foi confirmado em seguida.
Foto: Reprodução/GloboNews

Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), José Álvaro Moisés, morreu, nesta sexta-feira (13), aos 81 anos. 

O ex-professor da Universidade de São Paulo (USP) foi vítima de um afogamento na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, São Paulo. As informações são do g1.

De acordo com informações do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), as equipes tentaram reanimar Moisés após encontrá-lo inconsciente na faixa de areia. Mesmo com os procedimentos, o óbito foi constatado. 

Saiba o que aconteceu

Segundo o boletim de ocorrência do caso, uma amiga da vítima relatou à Polícia Civil que estava na praia com Moisés e outros amigos, quando perceberam a ausência do professor. 

Após serem informados que uma pessoa havia sido socorrida no local devido a um afogamento, o grupo seguiu para a funerária da cidade, onde identificaram a vítima como Moisés.  

O velório está programado para ocorrer na manhã deste domingo (15), das 8h às 11h, no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O corpo será cremado.

Partido dos Trabalhadores e USP lamentam a morte de José Álvaro Moisés

Em nota, o Partido dos Trabalhadores lamentou a fatalidade e ressaltou o trabalho de Moisés como intelectual e cientista político. O texto também destacou a luta do professor pelas instituições democráticas e o pluralismo de ideias. Confira na íntegra: 

"O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente o falecimento do cientista político José Álvaro Moisés, aos 81 anos. Professor da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do PT em 1980, José Álvaro Moisés teve papel relevante no debate público brasileiro e na consolidação da ciência política como campo de reflexão crítica sobre a democracia, as instituições e a participação popular. Sua trajetória intelectual esteve marcada pelo compromisso com o estudo das instituições democráticas e pelo acompanhamento atento da vida política nacional.

Moisés sempre se colocou no campo do debate democrático, contribuindo para o pluralismo de ideias que fortalece a sociedade brasileira. Neste momento de pesar, o PT se solidariza com familiares, amigos, colegas da Universidade de São Paulo e com toda a comunidade acadêmica".

A morte de Moisés também foi lamentada pela USP, que frisou a atuação do professor na proteção dos direitos humanos e da política:

"É com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento do professor José Álvaro Moisés, que tão enorme legado deixa ao Departamento de Ciência Política da USP, à FFLCH, e à ciência política brasileira em geral. Moisés, como lhe conhecíamos, mantinha uma atividade intelectual prolixa e engajada, e com frequência recebíamos suas notícias sobre a organização de seminários, e suas reflexões sobre o futuro da democracia brasileira, direitos humanos e cultura política, áreas nas quais dirigia fóruns como o de Formulação dos Direitos e o Fórum da Democracia. Ele foi fundamental na organização do DCP-USP nos anos oitenta, da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da International Political Science Association. (IPSA).

Moisés se formou em 1970 nas primeiras turmas do Curso de Graduação em Ciências Sociais pela USP, e depois realizou seu mestrado em Política e Governo pela Universidade de Essex (1972), obtendo seu doutorado em Ciência Política pela USP (1978), sob a orientação do professor Francisco Weffort.

Moisés era um incansável construtor de instituições: foi fundador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, e foi também o primeiro coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH/USP (2004/2006). E como professor Sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, coordenava, com grande dinamismo, o Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia. Moisés também foi Presidente do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea CEDEC (1987-1991), e também Secretário de Apoio à Cultura (1995-1998) e Secretário de Audiovisual (1999-2002) do Ministério da Cultura

Um dos fundadores dos Estudos da Cultura Política no país, o Moisés era um apaixonado da democracia brasileira a qual dedicou todas suas reflexões e esforço intelectual nas últimas três décadas legando obras como “Crises da Democracia: o Papel do Congresso, dos deputados e dos partidos”, “Bulding democracies. Challenges, crises and response to rule of law, Access to justice and political representation; “A desconfiança política e os seus Impactos na qualidade da democracia; “Democracia e desconfiança. Por que os cidadãos desconfiam das Instituições públicas."

Moisés deixa um vácuo pessoal, intelectual e institucional difícil de preencher. Toda nossa solidariedade à família, amigos e colegas", diz a nota.

Assuntos Relacionados