Imagens mostram suspeitos de assassinar pacientes no DF ao lado de leitos das vítimas

Registros são das câmeras de segurança do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:58)
Imagem mostra técnico de enfermagem preso ao lado de leito de paciente que morreu em hospital do DF.
Legenda: Os três técnicos de enfermagem devem responder por homicídio qualificado.
Foto: Reprodução.

Imagens obtidas pela TV Globo mostram os três técnicos de enfermagem presos suspeitos de assassinar pacientes no Distrito Federal trabalhando ao lado das vítimas. Os registros são das câmeras de segurança do Hospital Anchieta em Taguatinga e, segundo a investigação, coincidem com a piora repentina do estado clínico dos pacientes. 

Segundo o g1, os vídeos dos momentos são mantidos em sigilo. Conforme a Polícia, no entanto, as imagens mostram Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, o principal suspeito, entrando sozinho nos quartos, permanecendo poucos minutos ao lado dos pacientes e saindo logo em seguida.

Minutos depois, os monitores indicaram alterações graves nos sinais vitais das vítimas, levantando assim a suspeita de aplicações irregulares de substâncias. 

As imagens também mostram a presença das técnicas Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves das Silva, que também estão presas. A Polícia investiga se elas ajudaram Marcos Vinícius a cometer os crimes. 

Segundo a Polícia Civil, os três devem responder por homicídio qualificado

Veja também

Relembre o caso

Os técnicos de enfermagem foram presos durante o andamento da Operação Anúbis, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nos dias 11 e 15 de janeiro. Os casos ocorreram no fim de 2025, com duas mortes registradas em novembro e uma terceira em dezembro. As vítimas, dois homens e uma mulher, tinham 33, 63 e 75 anos.

Conforme as apurações iniciais das autoridades, os suspeitos aplicavam medicamentos de maneira irregular, na veia do paciente.

O delegado Wisllei Salomão explicou, em coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira (19), que o remédio é comumente usado em UTIs, "mas que, se aplicado diretamente na veia, como foi o caso, provoca parada cardíaca e a morte".

Em um dos casos, o técnico de enfermagem teria feito uso de uma seringa por mais de 10 vezes para injetar desinfetante na veia da vítima.

As investigações apontam que Marcos Vinícius era o responsável por administrar os medicamentos e as duas suspeitas ficavam de vigia, na porta do quarto. Ele aguardava a reação corporal dos pacientes e realizava a manobra de Ressuscitação Pulmonar (RCP) para "disfarçar" o crime.

Além disso, o suspeito teria se passado por médico do hospital, entrado no sistema para realizar as prescrições de medicamentos, ido buscá-los na farmácia, preparado-os e os escondendo no jaleco para fazer uso nas vítimas.

Segundo a Polícia, ele teria negado as acusações quando interrogado, mas acabou confessando ao ver os vídeos.

Em nota ao Diário do Nordeste, o Hospital Anchieta afirma que identificou circunstâncias atípicas relacionadas aos óbitos e, por isso, "instaurou comitê interno de análise e conduziu investigação".

A instituição também afirma que "requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos, os quais já haviam sido desligados" e que encaminhou as evidências às autoridades.

Assuntos Relacionados