Empresário acusado de matar gari em rua de BH vai a júri popular
Renê da Silva Nogueira deve responder por homicídio triplamente qualificado.
O empresário Renê da Silva Nogueira vai a júri popular pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, segundo decisão da Justiça de Minas Gerais.
O caso ocorreu em agosto de 2025, em Belo Horizonte, e Renê deve responder por crime doloso contra vida, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e ameaça.
Segundo a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, que determinou o julgamento, há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Foram utilizados como base laudos sobre munição, autos de apreensão, perícias, imagens e relatos de testemunhas.
A defesa do empresário ainda pode recorrer. Enquanto isso, a prisão preventiva do réu foi mantida e o pedido de sigilo do processo foi negado.
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Versões diferentes
A magistrada apontou na sentença de pronúncia que o empresário deu diferentes versões para o caso. No início, negou envolvimento, mas depois citou disparo acidental e, no fim, voltou a negar a autoria do crime, afirmando ter sido coagido a confessar.
"Essa oscilação narrativa, longe de fragilizar o conjunto probatório acusatório, reforça a necessidade de submissão da matéria ao crivo do Tribunal do Júri, a quem compete, com exclusividade constitucional, valorar a credibilidade das versões e decidir, em definitivo, sobre a intenção que animou a conduta do agente", pontuou a juíza.
Os advogados de defesa de Renê alegaram, já na fase final do processo, que ele é nulo por cerceamento de defesa e quebra da cadeia de custódia.
As alegações, no entanto, foram rejeitadas pela magistrada.
Crime de homicídio e ameaça
Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros após uma discussão de trânsito em Belo Horizonte. Renê se tornou réu pela morte em setembro do ano passado, sendo denunciado por homicídio triplamente qualificado.
A acusação ainda citou que ele teve intenção de enganar a perícia após o crime e ainda ameaçou a motorista do caminhão de lixo, Eledias Aparecida Rodrigues.
Segundo a Polícia, o empresário atirou em Laudemir após exigir, em discussão, que fosse liberado espaço na rua para que ele pudesse passar com o carro.
A vítima estava a serviço no momento do crime. A arma utilizada pertencia à esposa do suspeito, que é delegada da Polícia Civil de Minas Gerais.
Laudemir foi socorrido pela Polícia Militar e levado em uma viatura para o hospital, mas não resistiu.