Dezenas de corpos são enfileirados por moradores em rua da Penha, no Rio

Familiares de mortos ainda buscam parentes.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
29 de Outubro de 2025 - 08:15 (Atualizado às 09:45)
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Legenda: Corpos de mortos na Penha foram colocados enfileirados em via pública para reconhecimento de familiares.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil.

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, viveram uma madrugada de horror nesta quarta-feira (29).

Pelo menos 44 corpos foram levados por moradores até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas — uma das principais vias da região, um dia após a operação policial considerada a mais letal da história do Estado.

Familiares estão no local para reconhecimento dos corpos.
Legenda: Familiares estão no local para reconhecimento dos corpos.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil.

Conforme o governo do Rio de Janeiro, pelo menos 60 suspeitos de envolvimento com o tráfico e quatro policiais militares morreram durante a megaoperação realizada na terça-feira (28) nas comunidades da Penha e do Alemão.

O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, disse ao G1 que "a princípio" os corpos não estão na contabilidade oficial. Ele determinou a abertura de uma investigação.

Segundo as autoridades,
Legenda: Segundo as autoridades, "a princípio" os corpos enfileirados não estariam na contabilidade oficial de mortos na operação.
Foto: Reprodução/Instagram Raull Santiago

A megaoperação deixou pelo menos 64 mortos.
Legenda: A megaoperação deixou pelo menos 64 mortos.
Foto: Mauro Pimentel/AFP.

Os corpos teriam sido encontrados em uma área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram intensos confrontos entre forças de segurança e traficantes. Moradores relatam que ainda há cadáveres espalhados pelo alto do morro, aguardando remoção.

Ativista relata ao menos 12 mortos em área de mata

Em vídeo, o ativista Raull Santiago detalhou a situação na região na manhã desta quarta-feira (29). Ao lado de moradores, ele disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma mata na parte alta da comunidade.

Conforme o relato, os mortos estariam espalhados em uma curta distância, com marcas de sangue visíveis no chão. O ativista afirma que a situação é de “caos” e compara o episódio a “uma das chacinas históricas do País”. Ele descreveu o desespero de familiares que ainda procuram desaparecidos e o clima de medo entre os moradores.

Advogados, representantes de organizações de direitos humanos e a imprensa foram acionados para acompanhar a situação.

A Polícia Civil e a Polícia Militar ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.