Butantan entrega mais 2 milhões de doses da vacina anticovid CoronaVac ao Ministério da Saúde

Outras duas entregas do imunizante estão previstas para esta semana

Técnicos de laboratório separando centenas de unidades da vacina CoronaVac
Legenda: A entrega faz parte de um lote de 5,1 milhões de doses a ser entregue até o fim desta semana
Foto: Nelson Almeida/AFP

O Instituto Butantan entregou, na manhã desta segunda-feira (10), um novo lote da vacina CoronaVac ao Ministério da Saúde. Com a carga, de 2 milhões de doses do imunizante contra a Covid-19, a entidade totaliza 45,112 milhões de unidades entregues à Pasta federal, que as repassa proporcionalmente aos estados por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A entrega de hoje faz parte de um lote de 5,1 milhões de doses a ser entregue até o fim desta semana. Na última quinta-feira (6), 1 milhão de doses foram entregues, e mais duas entregas estão previstas para esta semana: 1 milhão de doses na quarta-feira (12) e o restante até a sexta (14).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanhou a entrega ao lado do secretário estadual da saúde, Jean Gorinchteyn, e do diretor do Butantan, Dimas Tadeu Covas.

O cronograma inicial do instituto previa a entrega de 30 milhões de doses ainda em maio, mas ficou em xeque devido a atraso no envio dos lotes de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). As autoridades da China dividiram um lote de 6 mil litros de IFA, suficientes para a produção de 15 milhões de doses, em três remessas.

O Butantan aguarda até a próxima quarta uma posição do governo chinês para a liberação do embarque de um lote de IFA. Caso a chegada seja autorizada, ocorrerá no próximo dia 18.

Possibilidade de não produzir novas vacinas

O diretor do Butantan confirmou a possibilidade de, após a entrega de doses desta semana, não haver mais matéria-prima para produzir novas doses.

"Temos para maio a entrega das doses desta semana e a partir daí não teremos mais vacinas porque não recebemos o IFA", afirmou Covas, acrescentando que o Butantan e o governo de SP têm trabalhado intensamente com a Sinovac, desenvolvedora do imunizante, e com a Embaixada da China no Brasil. A situação, contudo, ainda não mudou.

Com a falta de insumo no País para produzir a CoronaVac, houve desabastecimento do imunizante em diversas cidades. Mais da metade das capitais ficou sem estoque para a 2ª dose da vacina no domingo (2).

Ataque de Bolsonaro à China

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez diversos ataques à China na última semana. Sem teorias embasadas, Bolsonaro falou em "guerra química" na última quarta-feira (5), levantando dúvidas sobre possíveis interesses políticos e econômicos da China com o coronavírus. "Qual o país que mais cresceu o PIB? Não vou dizer para vocês."

Um dia depois, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, disse se opor a "qualquer tentativa política de estigmatizar o vírus".

Doria criticou novamente as declarações de Bolsonaro à China e disse que tanto o ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, quanto os próprios secretários e governadores de estado estão conversando diariamente com a Embaixada Chinesa para tentar minimizar os danos e estabelecer medidas diplomáticas.

"Há uma limitação determinada pelo governo da China dadas as circunstâncias das constantes manifestações inapropriadas, inadequadas e absolutamente inoportunas do governo brasileiro", disse o gestor paulista, ressaltando ainda que Carlos França faz um esforço para o diálogo. De acordo com Doria, porém, "há um esforço contrário de manifestações conduzidas e lideradas pelo próprio presidente da República, o que torna tudo mais difícil".

Doria afirmou que a Sinovac também fornece vacina para o Chile e que, no país sul-americano, não há problemas com a entrega dos insumos. "Por que não é para o Brasil? Razões de ordem diplomática e sobretudo, infelizmente, as manifestações desastrosas que são feitas em relação ao governo da China", afirmou.

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