Sem estoque, municípios relatam não ter mais como aplicar segunda dose de vacina contra a Covid-19

Situação tem prejudicado a vacinação com CoronaVac, principalmente, em municípios como Juazeiro do Norte, Horizonte, Várzea Alegre, Cedro, Acopiara e Icó

Em Juazeiro do Norte, o déficit é de pelo menos três mil doses de vacina para alcançar a meta estipulada pelo Governo.
Legenda: Em Juazeiro do Norte, o déficit é de pelo menos três mil doses de vacina para alcançar a meta estipulada pelo Governo.
Foto: Antonio Rodrigues

Sem doses para concluir o esquema vacinal contra a Covid-19, municípios cearenses começam a enfrentar cenários de colapso da campanha de imunização. Caso, por exemplo, de Juazeiro do Norte, Horizonte, Várzea Alegre, Cedro, Acopiara e Icó.

Nesta quarta-feira (28), idosos acima de 65 anos de idade que procuraram unidades de saúde de Juazeiro do Norte para tomar a segunda dose da vacina tiveram de voltar para casa sem o imunizante por não haver doses para eles em estoque.

Neste mês, segundo a coordenadora de Imunização de Juazeiro do Norte, Aline Sobral, o município recebeu em torno de seis mil doses de vacinas para a primeira aplicação e somente 3,5 mil para a segunda. “Significa que temos muito mais D1 [primeiras doses] aplicadas do que D2 [segundas doses]”, explica, reforçando que, para alcançar a meta estipulada pelo governo, são necessárias ainda cerca de três mil doses

A gestora também comenta que a dificuldade de completar o esquema vacinal tem sido observada em outros municípios. “A gente ouviu que tá tendo dificuldade de repor”, disse. Além disso, segundo ela, a prefeitura identificou que alguns frascos dentre os recebidos estão com doses faltando, o que “interferiu no total de doses distribuídas” em Juazeiro.

Sem CoronaVac

Em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, o déficit de doses da CoronaVac é de pelo menos 250 unidades, que seriam aplicadas como D2 em idosos agendados para os dias 22, 23 e 24 de abril, segundo confirma Lúcia Gondim, secretaria municipal de saúde.

O número insuficiente de doses recebidas do imunizante, segundo ela, estaria relacionado à desatualização do Plano Nacional de Imunização (PNI), que não abrange a atual população do município. Um pedido de revisão de meta foi enviado ao Governo do Estado, e, assim que novas doses forem recebidas, os idosos serão vacinados, afirma a secretária.

Nós temos uma população estimada pelo IBGE, em 2019, de 67.337 pessoas, mas a nossa população cadastrada na base eSUS, que é o cadastro realizado pelos agentes comunitários de saúde, é de 80.499 pessoas”
Lúcia Gondim
Secretária de saúde de Horizonte

Destes, explica Lúcia Gondim, 2.466 pessoas pertencentes ao grupo prioritário estão cadastradas, 982 a menos do que o previsto pelo Ministério da Saúde. “Isso tem acarretado uma diferença grande do que o Estado remete pra gente. Infelizmente, o Plano Nacional está desorganizado e, por isso, o Estado tem dificuldade de nos atender. Esse problema tem ocorrido no Brasil todo”, comenta.

Orientação para reter estoque da 2ª dose

Na terça-feira (27), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) orientou os municípios a reterem o estoque de D2 das vacinas, esclarecendo à população que, mesmo quem perder o prazo estipulado pelos fabricantes, deve completar o esquema de imunização.

O último lote de CoronaVac recebido pelo município de Horizonte, explica a secretária, foi de 170 doses, mas todas já foram aplicadas. “E tínhamos direito a 210, mas só vieram 170 e estamos aguardando chegar agora à tarde as 40 que faltaram”, afirma. Ainda segundo Lúcia Gondim, o problema não afeta os idosos imunizados com a vacina AstraZeneca, e o processo de imunização deles segue normal.

Em Cedro, município do centro-sul do Estado, o déficit de D2 da CoronaVac é de 130 doses. “Temos 205 doses no estoque de 60 a 64 anos e 150 doses de D2 para os acima de 65 anos”, contabiliza o secretário municipal da Saúde, Werley Teixeira.

A prefeitura de Acopiara, também no centro-sul, informou que restam poucas doses no estoque do município, principalmente devido à aplicação de D1 nos distritos da região e ao início da aplicação de D2 nos idosos acima de 60 anos. 

O município de Icó também afirmou estar em situação semelhante de escassez de vacinas. Para aplicação da segunda dose, restam somente 130 doses da AstraZeneca e 490 da CoronaVac.

Sem estoque

Em Várzea Alegre, segundo números do Vacinômetro até as 17 horas da última terça-feira (27), foram vacinados 134,42% dos grupos prioritários em primeira dose e 32,24%, apenas, em segunda dose. Isso aconteceu porque, segundo o secretário de saúde do município, Ivo Leal, as equipes aplicaram todas as doses recebidas — de CoronaVac — em D1. Não foi feito estoque.

“Por orientação do Estado”, disse Ivo, “não era para guardar doses de vacina, era para vacinar todo mundo porque a segunda dose estava garantida. E nós, de fato, vacinamos todo mundo. Todas as pessoas acima de 60 anos já estão vacinadas. Porém, a gente estava aguardando a segunda dose e nos deparamos com esse atraso. Esperamos receber um pouco mais de mil doses agora e recebemos 200 doses”. 

Contudo, o secretário afirma que as segundas doses dos idosos que receberam a vacina da AstraZeneca estão garantidas. “A vacina da AstraZeneca que chegou no começo de abril eu não apliquei, guardei para garantir a segunda dose dos que tomaram em fevereiro”, afirmou.

Em nota, o Conselho das Secretárias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE) disse ter conhecimento da carência de vacina nos municípios, especialmente da CoronaVac, "por descompasso no cronograma de entrega por parte do Ministério da Saúde". O órgão afirmou que "tem se empenhado para que todos tenham suas necessidades atendidas" e espera que o problema seja normalizado nos próximos dias.

 

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