Vacinação contra Covid-19 do grupo com comorbidades também deve seguir prioridade por faixa etária

A secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, explica como será a etapa a ser iniciada na próxima semana

Magda Almeida
Legenda: Magda Almeida é secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa)
Foto: Fátima Holanda/Ascom Sesa

O processo de vacinação de pessoas com comorbidades contra a Covid-19 no Ceará deve ser iniciado a partir da próxima semana. A etapa engloba pessoas obesas, gestantes ou que convivem, por exemplo, com doenças ou condições cardíacas, pulmonares e renais.

Secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Magda Almeida adiantou em entrevista ao Diário do Nordeste na tarde desta terça-feira (27) que a etapa será feita por comorbidade e faixa etária, começando pelas pessoas com 59 anos de idade e seguindo ordem decrescente, conforme chegarem novas remessas de vacinas.

Diferentemente dos processos feitos até então, deste grupo de pessoas, serão exigidas declarações padronizadas, assinadas por médicos, atestando a comorbidade declarada. Os documentos devem ser disponibilizados para download até a próxima semana na plataforma Saúde Digital.

Magda também afirmou que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e estudos técnicos feitos pela própria Sesa, gestantes e puérperas também serão incluídas nesta etapa da vacinação.

Confira, a seguir, a entrevista na íntegra:

O Ministério da Saúde orienta que a prioridade de vacinação nesta etapa seja por idade. No Ceará, já foram definidos os critérios de priorização? Se sim, quais serão?

Foram, sim. O Ceará tem se antecipado a algumas decisões do Ministério em relação a essas priorizações. Semana passada houve reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) onde são decididos esses critérios junto aos municípios, porque é uma decisão pactuada. A CIB alocou os critérios de comorbidade e idade. Interessante que todo mundo entenda que, com a escassez de vacina, a gente precisa ter uma ação muito certeira, muito eficaz, em relação à redução da mortalidade [por Covid-19]. E, por causa da escassez, a gente não vai conseguir atingir todo mundo de uma vez. Então, a gente precisa ter prioridade. E as prioridades são aquelas pessoas que estão mais adoecendo e morrendo no Ceará. Foi feito um estudo técnico em relação às internações e aos óbitos e visto que algumas doenças e condições contribuem não somente para a internação de pacientes com Covid-19, mas, também para os óbitos. Então, as cardiopatias, as diabetes, a obesidade, as pneumopatias crônicas, as doenças renais crônicas, as doenças neurológicas e a gestação foram algumas analisadas e que a CIB optou por priorizar, além do critério de idade. Como a gente tem o cadastro estadual de vacinação, a gente consegue identificar e vai começar primeiro com aquelas pessoas que têm cardiopatias, seguido das pessoas com diabetes, depois, com obesidade... A gente vai estar saindo com essas normas nos próximos dias. Porque, inclusive, haverá um atraso no cronograma do Estado em relação às fases. A gente era pra estar terminando nesta semana a fase dos idosos acima de 60 anos, porém, com a dificuldade no quantitativo de vacinas, a gente, provavelmente, vai ter que estender por mais uma semana até entrar no grupo das comorbidades. Alguns municípios que já concluíram a vacinação do grupo de idosos, principalmente, poderão avançar. A gente vai fazer dos 59 anos para baixo, em grandes grupos de faixas etárias. Com isso, a gente pretende abordar as doenças e as condições que mais matam, que mais internam, fazendo com que essas pessoas sejam as primeiras protegidas. Com exceção das gestantes, que não seguirão os critérios de idade.

Quando está previsto para essa etapa começar e terminar? Quantos municípios já estão aptos? Sabemos que esse início depende da chegada de mais doses. 

É, vai depender muito de quantas [doses] vão chegar e de quando vão chegar. A maior parte dos municípios já aplicou praticamente todas as D1 [primeiras doses]. Todos os municípios, nos próximos dias, devem estar aplicando, principalmente, D2 [segunda dose]. A gente reforça a necessidade de os municípios não utilizarem neste momento a D2 como D1. Eles precisam resguardar a segunda dose para aqueles que já foram vacinados. Então, infelizmente, a gente vai ter alguns atrasos no cronograma. Por conta, realmente, da falta de vacina. Os municípios estão sendo muito mais eficientes em aplicar e acaba acontecendo isso. Uma eficiência muito grande na aplicação e a gente fica aguardando envio [de mais doses] pelo Ministério. Nos próximos dias, só, é que a gente vai ter uma noção do quantitativo de municípios e vai conseguir progredir para a etapa das comorbidades.

Tem previsão para a chegada de mais doses?

O cronograma do Ministério tem sido… Na terça-feira, eles fazem, geralmente, uma pauta de reunião, aí na quarta-feira deliberam e, geralmente, tem chegado [carregamento de doses] entre quinta-feira e sábado, aqui, no Ceará. Então, a gente espera que haja um envio, a gente ainda não sabe de quanto, entre quarta-feira (28) e sexta-feira (30).

Haverá mudança na logística de vacinação? Novos postos serão abertos? O drive-thru deve permanecer?

A logística da vacinação é de responsabilidade municipal. O Estado, algumas vezes, se propôs a ajudar, até no município de Fortaleza, mas, neste momento, a gente não tem nenhuma proposta, nenhuma novidade. Então, os municípios devem continuar com a mesma logística, vacinando pessoas com dificuldade de mobilidade em visita domiciliar e o restante nas unidades básicas, nos centros de vacinação, que cada município tem criado.

O cadastro no sistema do Governo basta para receber a vacina? Quais documentos devem ser apresentados no dia?

As comorbidades sempre tiveram que ser declaradas, atestadas. Como é uma vacinação em que os órgãos de controle, com toda razão, estão observando, sendo cuidadosos, para que não haja “fura-fila” e seja respeitada a priorização, a pactuação optou que o Ceará tenha um modelo de declaração. E por que é um modelo e não pode ser uma receita ou um exame? Aquele vacinador que está lá para vacinar não é um perito para analisar aquilo [documento]. Então, a pessoa precisa ter uma declaração que vai ser uma declaração uniforme, um modelo do Estado, do médico que acompanha [a pessoa] dizendo a qual grupo ela pertence e indicando a vacina. Esse modelo deve estar pronto nos próximos dias, disponível no Saúde Digital, para que as pessoas possam baixar e levar ao local de vacinação. Em alguns locais onde existe falta de médicos, os municípios estão cientes, nesses casos, a pessoa poderá apresentar uma declaração da equipe de Saúde da Família. Também, com modelo padronizado. Lembrando que não precisa haver uma corrida para ir atrás dessa declaração porque as fases vão depender da quantidade de vacinas e vão ser de acordo com as comorbidades, não vão ser todas as comorbidades agora. A gente vai ter um pouco de tranquilidade para que as pessoas procurem essa declaração.

Esse documento precisa ser carimbado pelo médico?

Assinado e carimbado, como um atestado médico, falando qual a indicação da vacinação para aquela pessoa. A gente não pode criar uma perícia dentro do processo de vacinação, a gente já tem que evitar aglomeração, então tem que ser o mais rápido possível. A pessoa mostra a declaração, que vai ficar guardada para vistorias futuras, e é vacinada. A gente está tentando, com isso, reduzir a burocracia para que o processo seja o mais rápido.

Essa declaração pode ser adquirida, também, por telemedicina? Ou será preciso ir ao posto ou à clínica médica?

Vai ficar a critério do serviço médico. O importante é que seja um documento no modelo [padrão] e que possa ser guardado para futuras auditorias dos órgãos de controle. O ideal é que a gente tenha muita consciência coletiva de saber que algumas pessoas precisam mais de vacinas do que outras.

O Ceará está seguindo a recomendação do Governo Federal de guardar/garantir as segundas doses?

Desde o começo, o Ceará tem orientado os municípios a não utilizarem as D2 como D1. A não ser quando a gente sabe que vai vir uma remessa, quando há garantia. Aí a gente consegue liberar. Mas a orientação é que não se utilize a segunda dose como a primeira, até que haja uma regularização tanto da produção quanto do envio das vacinas.

Quem perdeu o prazo para tomar a segunda dose pode tomar depois? Se sim, como o Governo está se preparando para garantir a vacinação dos faltosos?

Pode, sim. Deve completar seu esquema de vacinação. Muitas pessoas, nesse último mês, acabaram perdendo a segunda dose porque tiveram Covid-19 depois da primeira dose, e não tem problema o intervalo ser um pouco maior. No caso da CoronaVac de 28 dias e, da Astrazeneca, de 90 dias. O importante é completar o esquema de vacinação. Porque a imunidade, os estudos mostram, é completada com a segunda dose. Então, você procura seu município com seu cartão de vacina e o orientado é que a segunda dose esteja guardada para você, a depender do tempo de intervalo. Obviamente que quanto menos atraso, melhor.

O Ministério da Saúde incluiu todas as gestantes e puérperas no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. Segundo a orientação, o grupo deve ser imunizado junto às pessoas com comorbidades, mas em duas fases: na primeira, gestantes e puérperas com comorbidades, independentemente da idade. Na segunda, o restante das gestantes, independentemente de condições preexistentes. O Ministério estima que a oferta da primeira dose ocorra até o fim de maio. Qual o posicionamento da Sesa a respeito dessa mudança?

Nosso posicionamento é muito similar ao do Ministério. Entendendo, até pelos estudos técnicos que fizemos, que a gestação e o puerpério, realmente, são fatores de risco para o agravamento da Covid-19. A gente já tinha discutido a inclusão desse grupo nos prioritários e a gente vai seguir a mesma orientação que o Ministério deu. Primeira fase de gestantes com comorbidade, independentemente da idade, e, em segundo momento, incluindo todas as gestantes. E aí a gente tem que entender que a gestante vai ficar longitudinal. Não vai ficar dependente de fase. À medida que a mulher engravida, vai ter direito de procurar os postos de vacinação, os centros, para se vacinar. É uma vacinação que vai ser um pouquinho diferente das demais que já tivemos até o momento. Mas é importante que a mulher se vacine porque ela vai estar protegendo tanto ela quanto o bebê de futuras complicações. A gente tem visto muito parto prematuro, é uma das complicações mais frequentes em gestantes.

Em todos os casos haverá lista de vacinados?

Todos. Inclusive, no caso das gestantes, já existe um campo dentro do cadastro estadual de vacinação para que a mulher indique se está gestante ou se é lactante, exatamente porque a gente já vinha fazendo a análise da possibilidade de incluir esse grupo dentre as prioridades. A única questão que nos fez não incluir antes é a falta de vacina. Porque, se a gente inclui um grupo e o Ministério não provê vacina, a gente fica sem. 

Qual o impacto para o ritmo de imunização do Ceará da negativa de autorização da Anvisa sobre a Sputnik?

Atrasa bastante. A gente tem hoje, no dia 27 de abril, a maior parte de doses de D1 já aplicadas pelos municípios, mas eles não vão poder progredir nos grupos prioritários porque não tem vacina. Então, quando a gente deixa de ter mais uma possibilidade porque a Sputnik não vai vir… O Estado sendo comprador a gente teria uma facilidade maior, inclusive, para distribuir e escolher grupos prioritários. A compra foi feita pensando na população adulta em geral, então, a gente teria uma quantidade de vacinas que não precisaria seguir essa prioridade da prioridade, digamos assim, que a gente está criando toda hora por causa da escassez. A gente teria um grande lote e poderia iniciar uma vacinação em massa.

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