Vírus da Covid-19 pode ter circulado em outros países antes do surto em Wuhan, diz OMS

A cidade do centro da China é considerada o marco zero da pandemia por ter registrado os primeiros casos de coronavírus no fim de 2019

Esta foto de arquivo tirada em 23 de fevereiro de 2017 mostra um trabalhador dentro do laboratório P4 em Wuhan, capital da província chinesa de Hubei
Legenda: Os pesquisadores ainda disseram que a teoria de que o vírus teria sido gerado em um laboratória era "extremamente improvável"
Foto: AFP

Não há provas de que o novo coronavírus circulava pela cidade de Wuhan, na China. Antes de dezembro de 2019, afirmaram, nesta terça-feira (9), especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que investigam as origens da pandemia da Covid-19 no país asiático. Os pesquisadores ainda disseram que não encontraram a espécie animal que poderia transmitir o vírus ao ser humano. 

"Não há evidências suficientes (...) para determinar se o Sars-Cov-2 se propagou em Wuhan antes de dezembro de 2019", disse Liang Wannian, chefe da equipe de cientistas chineses, em uma entrevista coletiva.  

A possibilidade de que o vírus pode ter circulado em outro lugar antes de Wuhan também foi apresentada pelos especialistas.  

A cidade do centro da China é considerada o marco zero da pandemia por ter registrado os primeiros casos de coronavírus no fim de 2019. Desde então, a pandemia matou mais de 2,3 milhões de pessoas no planeta. 

Animal transmissor 

Os especialistas da OMS e cientistas chineses que integram a missão também anunciaram que não identificaram a espécie animal que pode ter sido responsável pela transmissão do vírus aos seres humanos. 

A transmissão a partir de um animal é provável, mas "não se identificou ainda", disse Liang Wannian. 

De acordo com Peter Ben Embarek, coordenador da delegação da OMS, a hipótese mais provável é a transmissão do vírus via um animal intermediário. Porém, a teoria precisa de "investigações mais específicas e precisas", admitiu. 

Peter Ben Embarek fala em entrevista coletiva para encerrar a visita de uma equipe internacional de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) à cidade de Wuhan, na província chinesa de Hubei, em 9 de fevereiro de 2021
Legenda: O coordenador da delegação da OMS, Peter Ben Embarek, afirmou que o novo coronavírus se originou de um animal ainda não identificado
Foto: AFP

Em 2020, diversos estudos iniciais chegaram a apontar alguns animais como possíveis transmissores do vírus, entre eles o pequeno mamífero pangolim, conhecido por suas escamas, e a civeta, um mamífero que se parece com uma raposa, foram cogitados como sendo a origem.  

Morcegos do gênero Rhinolophus, também conhecido como morcego-ferradura, encontrados na China, foram apontados por pesquisas como sendo cruciais para a evolução dos vírus. Os cientistas descobriram que um coronavírus encontrado no Rhinolophus era 96,2% idêntico à sequência do Sars-CoV-2. "O parente mais próximo já encontrado", de acordo com o artigo publicado na revista científica Science. 

Vírus gerado em laboratório 

Os especialistas ainda consideraram que a teoria de que o vírus da Covid-19 foi gerado em um laboratório de Wuhan e se propagou para o exterior devido a um erro é "extremamente improvável". 

"A hipótese de um acidente em um laboratório é extremamente improvável para explicar a introdução do vírus no homem", declarou Ben Embarek.


"Na verdade, não faz parte das hipóteses que sugerimos para estudos futuros", acrescentou, minimizando uma declaração do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que acusou o Instituto de Virologia de Wuhan de ter deixado o vírus escapar, de forma consciente ou involuntária. 

A missão da OMS é considerada extremamente importante para a luta contra epidemias futuras, mas teve dificuldades para acontecer porque a China relutou em permitir a entrada no país de especialistas internacionais de diferentes áreas, que incluíram, entre outras, epidemiologia e zoologia. 

A OMS já havia alertado que seria necessário ter muita paciência para encontrar respostas. 

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