Reunião da Celac sobre Venezuela termina sem consenso; Brasil condena captura de Maduro

Encontro extraordinário não resultou em comunicado conjunto entre os 33 países membros.

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Redação e Agência Brasil producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 20:53)
Foto do chanceler Mauro Vieira.
Legenda: O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira.
Foto: Reprodução / Flickr / Itamaraty.

A reunião extraordinária ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4) por videoconferência, terminou sem um acordo comum entre os 33 países que compõem o bloco. 

O encontro teve como objetivo discutir a situação da Venezuela após ataques dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro.

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Falta de um comunicado conjunto

Conforme noticiou o Valor Econômico, o grupo não deve emitir um comunicado oficial conjunto representando todas as nações da região. 

Segundo fontes da diplomacia brasileira, parte dos países entendeu que não havia sentido em formular uma posição única no momento e, por isso, a tentativa de buscar um consenso sequer foi feita durante a reunião.

O encontro durou cerca de duas horas e cada país teve a oportunidade de expor sua visão sobre os fatos. Enquanto a Colômbia abriu a sessão, as falas dos representantes da Venezuela e de Cuba foram transmitidas por uma emissora de TV venezuelana, apesar de a reunião ser fechada.

Posicionamento do Brasil e nota de países aliados

Embora a Celac não tenha chegado a um consenso geral, um grupo menor de países decidiu se manifestar. Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto condenando as ações militares norte-americanas na Venezuela. 

Esses governos expressaram preocupação com possíveis tentativas de controle externo de recursos naturais venezuelanos e defenderam a observância do direito internacional.

Foto do comunicado de países da América do Sul sobre a situação na Venezuela.
Legenda: Governo da Colômbia divulgou nota em seus canais oficiais (conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial).
Foto: Reprodução / Instagram.

O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, que seguiu a linha adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Conforme informações da CNN Brasil, o governo brasileiro manteve sua posição contrária à captura de Maduro. Lula classificou o episódio como uma "linha inaceitável" e um precedente perigoso, colocando o Brasil à disposição para ajudar por meio do diálogo e da cooperação.

Pedido de libertação e críticas da Venezuela

Durante o encontro, o chanceler da Venezuela, Yván Gil, instou os membros da Celac a tomarem uma postura mais firme contra a agressão dos Estados Unidos. O ministro venezuelano pediu o apoio do grupo para a libertação de Nicolás Maduro e criticou o que chamou de "silêncios cúmplices". 

Segundo Gil, os países da região não deveriam hesitar diante da situação, afirmando que a omissão seria equivalente a apoiar a agressão sofrida.

O que é a Celac?

A Celac foi fundada em fevereiro de 2010, com a participação direta do Brasil, que, ainda em 2018, sediou a I Cúpula de Países da América Latina e Caribe, reunindo representantes dos 33 países (incluindo o Brasil) que integrariam a Celac para discutir um projeto de integração regional.

Desde sua criação, a Celac tem promovido reuniões sobre os diversos temas de interesse das nações latino-americanas e caribenhas, como educação, desenvolvimento social, cultura, transportes, infraestrutura e energia, além de ter se pronunciado em nome de todo o grupo por ocasião de assuntos discutidos globalmente, como o desarmamento nuclear, a mudança do clima e a questão das drogas, entre outros.

Em janeiro de 2020, o governo chefiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu suspender a participação brasileira no grupo. A medida foi anunciada pelo então chanceler, Ernesto Araújo. Em sua conta pessoal no Twitter, o ministro justificou a medida afirmando que “a Celac não vinha tendo resultados na defesa da democracia ou em qualquer área.

Ao contrário, dava palco para regimes não-democráticos como os da Venezuela, Cuba, Nicarágua”. O fim do bloqueio norte-americano a Cuba é uma reivindicação histórica do bloco.

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