Quem são os cardeais favoritos indicados para conclave após morte do papa Francisco

Representantes de diversos países devem viajar para a votação secreta

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
21 de Abril de 2025 - 15:56 (Atualizado às 15:58)
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Legenda: Assim que um cardeal atinge os votos necessários, ele precisa aceitar oficialmente a escolha. Só então o resultado é validado.
Foto: Tiziana Fabi/AFP

A Igreja Católica inicia os ritos funerários e os preparativos para escolher um novo papa, após a morte de Francisco nesta segunda-feira (21). O sucessor deve ser eleito em um conclave, reunião de cardeais no Vaticano nos próximos dias.

Representantes de diversos países devem viajar para a votação secreta. Dentre a lista com possíveis favoritos para assumir como papa estão dois brasileiros, conforme especialistas em Vaticano.

VEJA LISTA DOS 'FAVORITOS' PARA A SUCESSÃO

  • Cardeal Pietro Parolin - Itália: É o atual secretário de Estado do Vaticano, ocupando o segundo posto mais importante na hierarquia da Santa Sé desde 2013. Foi o primeiro cardeal nomeado pelo Papa Francisco, em 2013.
  • Cardeal Matteo Zuppi - Itália: É arcebispo de Bolonha desde 2015 e também foi nomeado cardeal pelo papa Francisco, em 2019. Zuppi é presidente da Conferência Episcopal Italiana, membro da Comunidade de Sant'Egidio e o enviado especial do Papa para o conito na Ucrânia.
  • Cardeal Pierbattista Pizzaballa - Itália: Foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2023. Como líder da Igreja Católica no Oriente Médio, o italiano é frequentemente elogiado pelo trabalho em prol do diálogo inter-religioso entre cristãos, judeus e muçulmanos.
  • Cardeal Péter Erdo - Hungria: De postura conservadora e formação acadêmica sólida, o cardeal húngaro Peter Erdo, 72 anos, arcebispo de Esztergom-Budapeste, foi durante muito tempo o cardeal mais jovem da Europa.
  • Cardeal José Tolentino de Mendonça - Portugal: Nascido em 1965 na Ilha da Madeira, Portugal, é atual prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, cargo que ocupa desde 2022. Foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco, em 2019. 
  • Cardeal Mario Grech - Malta: É o atual secretário-geral do Sínodo dos Bispos, cargo que ocupa desde 2020. Foi nomeado bispo de Gozo em 2005, também por Francisco.
  • Cardeal Robert Francis Prevost - EUA: Nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1955, e é bispo emérito de Chiclayo, no Peru. Sua função principal é auxiliar nas nomeações e transferências de bispos. 
  • Cardeal Wilton Gregory - EUA: Nascido em 1947 em Chicago, Estados Unidos, é o atual arcebispo de Washington D.C.. Em 2020, ele se tornou o primeiro cardeal afro-americano da Igreja, tendo sido nomeado por Francisco.
  • Cardeal Blase Cupich - EUA: Blase Cupich, nascido em 1949 em Omaha, Estados Unidos, é o arcebispo de Chicago desde 2014 e cardeal desde 2016, também nomeado pelo Papa Francisco. Conhecido por sua abordagem pastoral inclusiva e seu foco em questões sociais.
  • Cardeal Luis Antonio Tagle - Filipinas: É o atual cardeal-arcebispo de Manila. Foi nomeado cardeal pelo Papa Bento XVI em 2012. Tagle é conhecido por seu compromisso com a justiça social, o combate à pobreza e a defesa dos direitos humanos, além de ser defensor do diálogo inter-religioso.
  • Cardeal Leonardo Ulrich Steiner - Brasil: Steiner tornou-se o primeiro cardeal da Amazônia brasileira. Nascido em Forquilhinha (SC) e nomeado bispo em 2005 pelo Papa João Paulo II (1920-2005), ele tomou posse como arcebispo de Manaus em janeiro de 2020, após assumir o cargo ocupado por Dom Sergio Castriani desde 2012.
  • Cardeal Sérgio da Rocha - Brasil: Nascido em Dobrada, no interior de São Paulo, o cardeal é mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, também em São Paulo, e doutor pela Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.
  • Cardeal Jean-Marc Aveline - França: Nascido em 1958, em Sidi Bel Abbès, na Argélia. É citado por alguns especialistas (sobretudo franceses) como o "favorito"  de Francisco a sucedê-lo, sendo considerado o mais "bergogliano" dos bispos do país. Foi nomeado pelo Pontífice em 2022.


O QUE É O CONCLAVE

Conclave é uma palavra que vem do latim 'cum clavis'. Significa 'fechado com chave', se referindo à prática de confinar cardeais para permitir que eles escolham um novo papa sem interferência externa. 

Os votantes ficam proibidos de falar com qualquer pessoa que não participe deste processo e não podem receber mensagens. No total, 138 cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto e também podem ser eleitos no conclave.

Há representantes de diversos continentes. O mais jovem tem 45 anos e é um clérigo ucraniano radicado na Austrália.

COMO ACONTECE A VOTAÇÃO

Antes das votações, os cardeais participam de missas e orações. Se esses ritos forem concluídos até a tarde do primeiro dia, já pode ocorrer a primeira rodada de votação. O rito é o seguinte: cada cardeal escreve o nome de seu candidato em uma cédula, dobra o papel e o deposita em um cálice sobre o altar, seguindo a ordem do mais velho para o mais jovem.

Para ser eleito, um candidato precisa obter dois terços dos votos. As cédulas são contadas em voz alta na presença de todos, embora a autoria do voto seja mantida em sigilo.

Se ninguém alcançar a quantidade necessária de votos, são realizadas até quatro votações por dia: duas pela manhã e duas à tarde. O processo pode seguir por três dias consecutivos, caso contrário, o quarto dia será reservado para uma pausa voltada à oração e discussão em busca de consenso. 

As votações podem ser retomadas em ciclos, com pausas regulares para oração. O processo pode continuar indefinidamente, embora, na prática, seja mais breve. Segundo a diocese de Providence, nos Estados Unidos, nenhum dos últimos 11 conclaves ultrapassou quatro dias de duração.

Assim que um cardeal atinge os votos necessários, ele precisa aceitar oficialmente a escolha. Só então o resultado é validado.

O decano do conclave, normalmente o cardeal mais velho, pergunta ao eleito se ele aceita o cargo e qual nome papal deseja adotar. O papa Francisco foi registrado como Jorge Mario Bergoglio no nascimento, em 1936, mas adotou o novo nome com a eleição, em 2013.

E A COR DA FUMAÇA?

Após a decisão, todas as cédulas são queimadas. Se nenhum papa foi escolhido, um produto químico é adicionado para produzir fumaça preta. Quando há um novo papa, a fumaça que sai pela chaminé da Capela Sistina é branca.

A fumaça branca é o sinal tradicional de que o novo papa foi eleito. Cerca de 30 a 60 minutos depois, ele aparece na sacada com vista para a Praça de São Pedro.

O nome do novo pontífice é anunciado ao mundo pelo cardeal mais velho presente, encerrando o conclave e iniciando oficialmente um novo papado.

 

 

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