Andaimes de bambu alimentaram incêndio em arranha-céus de Hong Kong

Governo abriu investigação sobre as causas da tragédia.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:10)
Uma vista de perto de um edifício em construção ou renovação com andaimes de bambu e redes de segurança verde, possivelmente em Hong Kong. Uma janela no centro da estrutura está em chamas intensas, com uma coluna de fumaça preta subindo. O fogo irradia uma luz laranja brilhante para fora da janela.
Legenda: Os andaimes de bambu fazem parte da paisagem urbana icônica de Hong Kong.
Foto: PETER PARKS / AFP.

O grande incêndio que provocou uma tragédia de enormes proporções em Hong Kong, deixando ao menos 55 mortos e mais de 250 desaparecidos nesta quinta-feira (27), começou por andaimes de bambu que envolviam os prédios em reforma. O bambu é altamente inflamável.

Conforme o Corpo de Bombeiros da cidade, o fogo consumiu parte de um complexo de arranha-céus residenciais e se tornou o pior desastre no território em décadas.

O incêndio começou na tarde de quarta-feira (26), no complexo Wang Fuk Court, formado por oito torres de 31 andares e cerca de 2 mil apartamentos, no distrito de Tai Po. As chamas se espalharam rapidamente.

Os andaimes de bambu fazem parte da paisagem urbana icônica de Hong Kong — e são amplamente utilizados na construção civil. No início deste ano, as autoridades anunciaram planos para substituir o bambu por aço, que é mais resistente e à prova de fogo. Elas citaram como problema o fato da madeira ser facilmente inflamável, além de ter a tendência a se deteriorar com o tempo.

As autoridades elevaram o número de mortos para 55 — “51 morreram no local e quatro no hospital”, informou o Departamento de Bombeiros. Quatro torres já tiveram os incêndios totalmente extintos; três estão “sob controle” e a oitava não foi atingida.

Causas do incêndio são apuradas

O governo abriu uma investigação sobre as causas da tragédia, incluindo o papel dos andaimes de bambu e das redes de proteção plásticas. A agência anticorrupção também apura possíveis irregularidades nas reformas do complexo, enquanto a polícia deteve três homens suspeitos de negligência por deixarem embalagens de espuma no local.

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O chefe do Executivo, John Lee, determinou que "todas as obras importantes da cidade sejam imediatamente inspecionadas".

Vários sobreviventes relataram que não ouviram alarmes de incêndio e dependeram de vizinhos para escapar.

Conforme o governo, entre as vítimas está um bombeiro de 37 anos, encontrado com queimaduras no rosto meia hora após perder contato com equipe. Ao todo, 61 feridos foram hospitalizados: 15 em estado crítico, 27 graves e 19 estáveis, segundo um porta-voz do governo.

John Lee anunciou inicialmente 279 desaparecidos, número que começou a cair à medida que bombeiros conseguiam contato com alguns moradores. O consulado da Indonésia confirmou que duas das pessoas mortas eram trabalhadoras domésticas do país.

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