O primeiro-ministro húngaro, o nacionalista Viktor Orbán, reconheceu a derrota para o conservador Péter Magyar, após as eleições parlamentares da Hungria neste domingo (12). O resultado encerra 16 anos do partido Fidesz (União Cívica Húngara) no comando do país europeu.
Com quase 67% dos distritos apurados, o partido Tisza, de Magyar, projeta a conquista de 137 dos 199 assentos da Assembleia húngara, uma maioria de dois terços que permitirá a realização de reformas constitucionais, por exemplo.
"Os resultados da eleição, embora ainda não sejam definitivos, são claros e compreensíveis; para nós, são dolorosos, mas inequívocos", disse Orbán, que dirige o país da Europa Central desde 2010.
Por sua vez, Magyar usou as redes sociais para celebrar o resultado das urnas. "(Orbán) Acabou de ligar para nos felicitar pela nossa vitória", escreveu o político de 45 anos.
"Nós libertamos a Hungria", proclamou Magyar. "Juntos, derrotamos o regime de Orbán", disse diante de seus apoiadores em Budapeste, capital da Hungria, onde ocorre a comemoração.
PARTICIPAÇÃO RECORDE
O pleito da Hungria foi marcado por uma participação recorde. As urnas fecharam às 19h no horário local (14h de Brasília) e, meia hora antes, a participação já era de 77,8%, acima da taxa máxima de 70,5% registrada nas eleições de 2002.
Os 7,5 milhões de eleitores no país, assim como os mais de 500 mil registrados no exterior, puderam escolher entre cinco partidos, em um sistema eleitoral majoritário misto.
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REAÇÃO MUNDIAL
Após o resultado, o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou "suas sinceras felicitações" ao vencedor das legislativas húngaras e o chamou a "unir forças por uma Europa unida".
"A França saúda uma vitória da participação democrática, do apego do povo húngaro aos valores da União Europeia e por uma Hungria na Europa", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, na rede social X.
"O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite", publicou na mesma rede Ursula von der Leyen, presidente da União Europeia. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, também felicitou Péter Magyar.
NOVO COMANDO
Nascido em uma família de conservadores, Magyar se interessou pela política desde cedo. Durante a universidade, tornou-se amigo de Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça sob Orbán. O casal se divorciou em 2023.
Após atuar como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos estudantis e integrou conselhos de outras entidades públicas.
O opositor foi envolvido em um escândalo de encobrimento de abusos infantis que abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, então ministra da Justiça e sua esposa.
Magyar denunciou a corrupção do governo de Orbán e renunciou aos seus cargos públicos. Naquele momento, descartou ter ambições políticas, mas foi visto como "corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos".
Ele assumiu o controle do até então pouco conhecido partido Tisza para disputar as eleições europeias de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governista.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos e promover reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria.
Na política externa, comprometeu-se a tornar o país um parceiro da Otan e da União Europeia e a adotar uma postura crítica em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, próximo de Moscou apesar da invasão da Ucrânia.