Colombiana descobre estar grávida de gêmeos de pais diferentes; entenda
Fenômeno raro é conhecido como superfecundação heteropaternal.
Uma colombiana chamou atenção das redes sociais por engravidar de dois filhos gêmeos, mas cada um de pais diferentes. O caso aconteceu em 2018, mas voltou a viralizar nesta semana.
Na ocasião, a mãe compareceu ao Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia para testar a paternidade dos filhos. O resultado foi tão surpreendente quanto inusitado.
As crianças eram filhas da mesma mãe, mas o pai não era o mesmo para as duas. Esse fenômeno raro é conhecido como superfecundação heteropaternal. Foram relatados cerca de vinte casos como este em artigos científicos, a nível mundial.
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Como foi feita a análise
Em entrevista à BBC, os profissionais que atuaram no caso afirmaram que utilizam uma tecnologia conhecida como "marcadores microssatélites" para determinar a paternidade dos gêmeos.
A técnica consiste na análise e comparação de minúsculos fragmentos de DNA da criança, da mãe e do suposto pai.
Os especialistas precisaram separar o DNA da mãe, obtido por meio de um pouco de sangue com uma picada no dedo, e colocá-lo em uma máquina para ampliá-lo. Com esse equipamento, foi possível marcar os 17 microssatélites que desejavam observar.
Feita essa marcação, o DNA foi passado para outra máquina que leia o resultado em uma combinação numérica. Em seguida, os cientistas compararam os resultados e realizaram a análise probabilística para descartar ou não que o homem seja o pai do bebê.
Eles concluíram que o DNA do suposto pai coincidia com um dos meninos, mas não com o outro.
Por que a condição é tão incomum
Ainda conforme o professor William Usaquén, em entrevista à BBC, "a mãe deve ter dois parceiros sexuais. Ela também precisa ter relações com os dois homens em um breve espaço de tempo".
Isso porque quando a mulher libera os óvulos e só um é fecundado, os outros envelhecem e morrem rapidamente.
Seria necessário que outra relação ocorresse em um intervalo de 24 a 36 horas, enquanto as células reprodutoras femininas permanecem viáveis após a liberação.
Mas outra pesquisadora, Andrea Casas, explicou ao veículo britânico que "os dois óvulos podem não sair necessariamente ao mesmo tempo".
"Às vezes, uma trompa libera um óvulo e, depois de dois ou três dias, libera o outro", segundo ela. "Isso aumenta a probabilidade de ocorrerem as fecundações em dois momentos distintos".