Risco de disseminação de ebola no mundo é 'baixo', diz OMS

Situação ainda não atende critérios para que o surto seja classificado como uma "emergência pandêmica internacional".

(Atualizado às 08:23)
Profissionais de saúde usam roupas médicas de proteção antes de manusear frascos de vacina durante o lançamento de uma campanha experimental de vacinação contra o Ebola no Hospital de Referência Mulago.
Legenda: Profissionais de saúde usam roupas médicas de proteção antes de manusear frascos de vacina durante o lançamento de uma campanha experimental de vacinação contra o Ebola no Hospital de Referência Mulago.
Foto: BADRU KATUMBA / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, nesta quarta-feira (20), que o risco de disseminação da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) é considerado elevado em nível nacional e regional, mas permanece baixo no cenário global.

A avaliação foi divulgada pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após reunião do comitê de emergências da agência da ONU, sediada em Genebra, para discutir o avanço da doença no leste do país do continente africano.

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Segundo a OMS, a situação atual ainda não atende aos critérios para que o surto seja classificado como uma emergência pandêmica internacional. Mesmo assim, a organização segue monitorando o avanço da doença e reforçando medidas de contenção na região.

Entenda doença

O ebola é uma doença grave e frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas. O vírus é transmitido inicialmente por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos. Depois, a disseminação ocorre entre pessoas por meio do contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de infectados, além de objetos contaminados, como roupas e lençóis.

A taxa média de letalidade da doença gira em torno de 50%, embora surtos anteriores tenham registrado índices entre 25% e 90%.

Os primeiros casos conhecidos surgiram em vilarejos remotos da África Central, próximos a florestas tropicais. Já o maior registro da doença ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, quando o vírus ultrapassou fronteiras e atingiu países como Guiné, Serra Leoa e Libéria.

Os sintomas do ebola podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção. Entre os principais sinais estão:

  • febre;
  • fadiga;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • dor de garganta.

Em estágios mais avançados, a doença pode provocar vômitos, diarreia, dores abdominais, lesões na pele, comprometimento renal e hepático e, em casos mais graves, sangramentos internos e externos.

A OMS destaca que o diagnóstico pode ser confundido com outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide e meningite, o que exige exames laboratoriais específicos para confirmação.

Existe tratamento contra o ebola?

No tratamento, o suporte intensivo precoce, com hidratação oral ou intravenosa e controle dos sintomas, aumenta as chances de sobrevivência. Atualmente, a OMS recomenda o tratamento com os anticorpos monoclonais mAb114 ou REGN-EB3. Para outras doenças do ebola, não há terapêuticas aprovadas, mas produtos candidatos estão em desenvolvimento.

Duas vacinas já foram aprovadas para combater a enfermidade: Ervebo e a combinação Zabdeno/Mvabea.

Segundo a OMS, a vacinação, o rastreamento de contatos, o monitoramento laboratorial, os sepultamentos seguros e a mobilização comunitária são considerados fundamentais para conter surtos da doença.

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