Cearense sofre xenofobia e racismo em aeroporto, mas surpreende alemã: 'consigo falar alemão'
Caso ocorreu no aeroporto de Frankfurt, na última quinta-feira (7).
A cearense Ionara Sech, de 28 anos, relatou ter sofrido ataques racistas e xenofóbicos no aeroporto de Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, na última quinta-feira (7). Uma mulher idosa fez ofensas em alemão enquanto ela aguardava a chegada dos tios de uma amiga no local. No entanto, logo rebateu: "também consigo falar alemão".
Natural de Fortaleza, Ionara mora na Alemanha desde 2018 e atualmente vive na região da Baviera. Em entrevista ao Diário do Nordeste, ela contou que estava acompanhada de amigas e usava uma bandeira do Brasil para recepcionar os familiares.
No local, o grupo falava em português. Quando decidiram se sentar em uma área mais próxima da saída do aeroporto, a mulher começou a fazer comentários ofensivos.
“Ela começou a falar do meu nariz, me chamou de macaca e depois passou a ofender todas nós quando viu a bandeira do Brasil”, relatou.
Ionara afirmou que inicialmente tentou ignorar a situação, mas decidiu gravar a mulher após os ataques continuarem. Em seguida, respondeu em alemão e avisou que entendia tudo o que estava sendo dito.
“Eu falei: ‘Consigo falar alemão também’. Ela ficou surpresa e depois tentou sair do local”, contou.
Segundo a brasileira, uma das amigas procurou a polícia do aeroporto, mas a mulher deixou o espaço antes da chegada dos agentes.
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Racismo na Alemanha
Ionara disse que nunca havia sofrido racismo de forma tão direta desde que se mudou para a Alemanha, embora já tenha passado por episódios de xenofobia.
Em um dos casos, ela afirma ter sido acusada injustamente de roubo em um supermercado enquanto falava português com a filha.
“É uma situação muito humilhante. A gente acha que nunca vai passar por isso. Eu não desejo isso para ninguém”, desabafou.
Contato com advogada
Após o caso, Ionara e as amigas procuraram orientação jurídica. O vídeo gravado no aeroporto foi encaminhado para uma advogada brasileira que atua na Alemanha.
Segundo Ionara, o rosto da mulher foi borrado nas imagens por causa das leis alemãs sobre gravação e exposição de pessoas sem autorização.
A cearense afirmou que ainda tenta entender tudo o que aconteceu e espera que a mulher seja identificada. “Espero que a justiça seja feita e que ela entenda o que causou”, disse.