Brasileira trans é detida pela polícia de imigração nos EUA: 'Tratamento violento e arbitrário'
Alice Barbosa, de 28 anos, mora nos Estados Unidos há cinco anos
Uma brasileira de 28 anos que vive há cinco anos nos Estados Unidos foi detida pela polícia de imigração neste sábado (23) em Silver Spring, no estado de Maryland. Alice Barbosa, que é uma mulher trans, foi retirada a força de um carro onde estava com amigas e levada por policiais.
Um vídeo gravado por uma amiga de Alice registra a abordagem violenta dos agentes. Nas imagens, a brasileira questiona calmamente por que está sendo presa, mas é retirada a força do carro e, em seguida, algemada.
Um deles chega a afirmar, em tom de voz alterado, que ela está resistindo à prisão, ainda que o vídeo demonstre o contrário. O outro policial, após a prisão, trata a brasileira no masculino, se corrigindo em seguida após intervenção de uma amiga.
O motivo da prisão não fica claro nas imagens. No entanto, segundo a Folha de S.Paulo, em um dos vídeos que circula pelas redes sociais, um dos policiais afirma que Alice teria condenações passadas nos EUA.
Veja também
Segundo Stefany Ramos, amiga de Alice que filmou a situação, os agentes não se identificaram e agiram com truculência durante toda a abordagem. Ela contou ao jornal O Globo que o grupo saía da casa de Alice quando três homens, que não usavam uniformes, apenas distintivos, se aproximaram e deram voz de prisão à brasileira.
"Os agentes forçaram o vidro do carro, abriram a porta de maneira agressiva, a algemaram e a empurraram para o veículo deles. Durante toda a abordagem, trataram-na de forma desrespeitosa, referindo-se a ela como homem, negando sua identidade de gênero e ignorando sua dignidade. Nenhuma documentação ou esclarecimento formal foi fornecido no momento da prisão", declarou Stefany.
As amigas de Alice temem que a brasileira seja levada para um presídio masculino, já que os policiais demonstraram um "tratamento violento, arbitrário e transfóbico" com a jovem.
"Reiteramos que ela deve ser tratada com respeito, humanidade e reconhecimento de sua identidade de gênero, conforme garantem os direitos humanos universais e as leis americanas de proteção às pessoas LGBTQ+", continuou Stefany.
Até o momento, o Itamaraty não se posicionou sobre a prisão da brasileira.