Valeriana: o que é, benefícios e quem não pode tomar

Famosa pelos efeitos positivos, a planta medicinal possui algumas contraindicações e cuidados ao ser consumida

Raiz de valeriana
Legenda: Propriedades são extraídas da raiz da valeriana
Foto: Shuttorstock

Dificuldades para dormir, episódios de ansiedade e síndrome pré-menstrual (TPM) são alguns dos transtornos que a valeriana pode combater. Ela é um fitoterápico originado da planta medicinal de nome científico Valeriana officinalis L., que age no Sistema Nervoso Central (SNC) e pode auxiliar no tratamento de diversas doenças.    

O produto pode ser encontrado no mercado em vários formatos, como, por exemplo, cápsulas, extrato seco ou tintura, e é vendido em casas de produtos naturais, drogarias e farmácias de manipulação. Mesmo que seja famoso pelos benefícios, a utilização dele possui algumas contraindicações e cuidados. 

O que é  

A valeriana é uma planta medicinal, chamada Valeriana officinalis L, da família da Caprifoliaceae, comumente usada pelo efeito terapêutico no tratamento de distúrbios do sono e transtorno de ansiedade generalizada. A parte utilizada da planta para se obter a substância benéfica é a raiz

Valeriana officinalis L
Legenda: A planta medicial Valeriana Officinalis L. pertence a família Caprifoliaceae
Foto: Shutterstock

Para ser consumida, ela passa por um processo de industrialização, em que é transformada em um medicamento fitoterápico, ou seja, um remédio elaborado exclusivamente de matéria-prima vegetal. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esse tipo de droga é obtido a partir de derivados vegetais e possui riscos, mecanismos de ação e locais de ação no corpo conhecidos. 

Fitoterápicos possuem benefícios comprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, como qualquer outro medicamento, só devem ser usados com recomendação médica

Para que serve 

O produto possui efeitos sedativo moderado e hipnótico, que promovem uma ação depressora do Sistema Nervoso Central, desencadeando atividades ansiolítica, espasmolítica e relaxante muscular.

Estudos experimentais indicam que um componente da valeriana, o ácido valerênico, reduz a taxa de degradação do ácido gama-aminobutírico (GABA), neurotransmissor inibitório do SNC. Assim, o possível aumento na concentração de GABA no cérebro após a administração do fitoterápico promove a ação sedativa, moduladora de comportamentos agressivos e ansiosos, além da sensação de relaxamento e redução da impulsividade.    

Devido a essas propriedades, segundo a nutricionista Jamile Tahim*, ela é recomendada para tratamento coadjuvante de sinais e sintomas de alguns transtornos, como:  

  • Ansiedade generalizada; 
  • Estresse; 
  • TPM;  
  • Insônia.

Como tomar 

Por ser um fitoterápico restrito à prescrição médica, segundo o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira (2016), a valeriana só deve ser consumida com a orientação de um profissional. 

O efeito terapêutico dela acontece de forma gradual, o tempo de utilização recomendado é de 2 a 4 semanas, segundo a especialista. O uso superior por um período mais longo ou em maior quantidade são contraindicados, pois podem causar efeitos adversos

Como fazer o chá 

Chá de valeriana
Legenda: A valeriana pode ser encontrada em vários formatos, como, por exemplo, cápsulas, extrato seco para chá ou tintura
Foto: Shutterstock

Ingredientes 

  • 1g a 3g da droga vegetal seca ou rasurada; 
  • 150mL de água fervente. 

Modo de preparo

  • Após a água ferver, tirar do fogo; 
  • Acrescentar a valeriana e tampar; 

Contraindicações 

O fitoterápico é contraindicado para crianças menores de 12 anos e paciente com hipersensibilidade e/ou alergia ao medicamento. Também não é recomendado o uso dele associado ao consumo de bebidas alcoólicas. 

Raízes de valeriana
Legenda: Produto é indicado para alívio de sintomas de TPM, ansiedade e insônia
Foto: Shutterstock

Quem tem pressão alta pode tomar?  

Pessoas que possuem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, conhecida popularmente como pressão alta, devem consumir o chá apenas sob orientação médica, pois, conforme a nutricionista, elas correm o risco de sofrer interação medicamentosa entre a valeriana e o remédio usado para controlar a pressão arterial.  

A combinação dos princípios ativos das duas fórmulas poderia causar queda da pressão arterial ao potencializar a ação de drogas reguladores de pressão.  

Para ansiedade  

Paciente em tratamento medicamentoso para depressão e transtorno de ansiedade generalizada ou que utilizem sedativos sintéticos não podem usar valeriana. 

Também é contraindicado o uso concomitante com medicamentos barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos, devido ao risco de potencializar os efeitos medicamentosos e exacerbar os efeitos sedativos do Sistema Nervoso Central. 

Para gestante 

Grávidas e lactantes (mulheres que estejam amamentando) não devem consumir o fitoterápico.  

Efeitos colaterais  

Valeriana é uma planta medicinal, mas possui efeitos adversos e pode prejudicar o organismo. Caso o usuário exceda o tempo de tratamento e a quantidade indicada pelo profissional de saúde ao usar o produto, que causar sintomas gastrointestinais, como náuseas e vômitos; tonturas, sonolência, alergias e cefaleia (dor de cabeça).    

*Jamile Tahim é nutricionista, graduada em Nutrição pela Universidade de Fortaleza (Unifor), mestranda em Nutrição em Saúde pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), especialista em Nutrição Clínica e Fitoterapia Aplicada, além de especialista em Nutrição em Nefrologia.  


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