Mulher acusada de pertencer à cúpula do CV em Fortaleza vai para prisão domiciliar

Presa no último dia 13 de maio, ela terá que cumprir medidas cautelares como monitoramento eletrônico por tornozeleira

Escrito por
Emerson Rodrigues emerson.rodrigues@svm.com.br
Montagem com duas fotos da prisão de Taylane Manuela Vitoriano
Legenda: Taylane Manuela Vitoriano foi presa no último dia 13 de maio por policiais civis do 23º DP (Goiabeiras)

A mulher acusada de pertencer à cúpula da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na zona oeste de Fortaleza vai para prisão domiciliar. Taylane Manuela Vitoriano Ricardo, de 24 anos, foi beneficiada por ser mãe de uma criança menor de 12 anos, conforme comprovado por certidão de nascimento anexada ao processo.  A prisão domiciliar foi deferida mediante monitoração eletrônica por tornozeleira.

Taylane Manuela havia sido presa no último dia 13 de maio de 2025 pela Polícia Civil do Ceará (PCCE). Ela é apontada como integrante da cúpula da facção carioca Comando Vermelho (CV) que atua nos bairros Barra do Ceará e Pirambu, em Fortaleza. A reportagem apurou que ela teria participação em um esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa. 

A prisão inicial de Taylane Manuela ocorreu por força de um mandado de prisão preventiva. A ordem judicial foi cumprida por policiais civis do 23º Distrito Policial (antigo 33º DP) na casa dela, na Barra do Ceará. 

A reportagem não localizou a defesa de Taylane. O espaço segue aberto para futuras manifestações dos representantes da mulher. 

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Na ocasião, um aparelho celular foi apreendido. A decisão para prender Taylane foi expedida pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Fortaleza, da Justiça Estadual. O processo tramita sob sigilo de justiça. 

A detenção de Taylane Manuela foi um desdobramento da terceira fase da Operação Cashback. Deflagrada em 15 de abril de 2025, a operação tem como objetivo desarticular a atuação do CV e os crimes atribuídos ao grupo criminoso como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes conexos praticados no bairro Pirambu.  

A Operação Cashback já resultou no bloqueio ou apreensão de R$ 133 milhões em bens de supostos integrantes da facção Comando Vermelho nas suas três fases. Na terceira fase, 14 suspeitos foram presos e R$ 5,1 milhões bloqueados de contas bancárias. 

RASGOU A CAMISA 

Antes de integrar o Comando Vermelho, Taylane Manuela Vitoriano Ricardo pertencia à facção cearense Guardiões do Estado (GDE). Conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) em outro processo, ela "fazia corre para a facção Guardiões do Estado (GDE)".  

A saída dela da GDE ocorreu após a morte do marido, que também seria integrante da facção, em uma disputa por território da venda de drogas. O MPCE relata na denúncia oferecida contra Taylane que, após a morte do marido, ela "tomou conhecimento de que teria sido decretado a sua morte também" e, por este motivo, buscou proteção junto a dois integrantes do Comando Vermelho: Kilderson Damasceno da Silva e Vanderson Ruan de Lima Mesquita.   

Durante a ida dela para o CV, Taylane teve um relacionamento amoroso com Kilderson da Silva e ascendeu na facção Comando Vermelho, assumindo posição de destaque na lavagem de dinheiro da organização criminosa que atua na Barra do Ceará e no Pirambu. 

Taylane Manuela Vitoriano Ricardo já foi condenada anteriormente a 11 anos e 3 meses de prisão. A sentença, datada de 12 de setembro de 2024, foi proferida pelo Colegiado de juízes da Vara de Delitos de Organizações Criminosas. 

Na decisão, o Colegiado condenou a mulher pelos crimes de integrar organização criminosa e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Kilderson Damasceno da Silva e Vanderson Ruan de Lima Mesquita também foram condenados à prisão no mesmo processo. 

CHACINA

A região onde Taylane é apontada como atuante da cúpula do CV, os bairros Barra do Ceará e Pirambu em Fortaleza, é palco de uma disputa sangrenta entre as facções Comando Vermelho e Guardiões do Estado. A briga motivou recentes atos de violência, como uma chacina com quatro vítimas na Barra do Ceará em 6 de maio, atribuída a um ataque do CV a uma área dominada pela GDE.  

Duas irmãs, influenciadoras digitais, também foram assassinadas em 1º de maio em outra ação criminosa atribuída ao Comando Vermelho, gerando uma tentativa de retaliação por parte de um grupo ligado à GDE horas depois. Fontes da Polícia Civil indicam que o bairro Pirambu é dominado pelo Comando Vermelho, que também mantém uma célula no Morro do Santiago, na Barra do Ceará.  

Em contrapartida, essa célula do CV é cercada por grupos da GDE, que predominam na Barra do Ceará e se expandem até o bairro Parque Leblon, em Caucaia. As disputas por território nesta região são frequentes e não diminuíram, mesmo com a ocupação policial na região, desde o episódio da chacina mais recente. 

 

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