Justiça mantém prisão de empresário que matou jovem de 18 anos em colisão em Fortaleza

Caminhonete avançou preferencial e bateu contra dois amigos que trafegavam em uma motocicleta no bairro Meireles, em junho de 2025.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
Montagem de fotos, em que a primeira é do empresário Rafael Elisiário Ferreira, que colidiu contra uma moto e matou um jovem de 18 anos em Fortaleza; e a segunda é uma captura de tela de um circuito de segurança que mostra o momento da colisão.
Legenda: Rafael Elisiário Ferreira avançou a preferencial em alta velocidade e colidiu contra a moto com dois jovens.
Foto: Reprodução.

A Justiça do Ceará manteve a prisão preventiva do empresário Rafael Elisiário Ferreira, acusado de matar o jovem Kauã Oliveira Guedes, de 18 anos, em uma colisão de trânsito em junho de 2025, no bairro Meireles, em Fortaleza. Em decisão no último dia 8 de maio, a 4ª Vara do Júri entendeu que a gravidade do delito já foi comprovada, e que o homem tinha sinais visíveis de embriaguez e andava em alta velocidade, praticando direção perigosa. 

Rafael está preso preventivamente desde novembro do ano passado e é réu por homicídio qualificado doloso. Após a manutenção da prisão, a defesa do empresário solicitou, nessa terça-feira (19), que o crime seja desclassificado para homicídio culposo no trânsito, de acordo com delito tipificado no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

A análise da prisão foi feita neste mês devido a uma revisão periódica da necessidade do encarceramento, que é exigida pelo Código de Processo Penal.

Além da morte de Kauã, a colisão deixou outra vítima, o garupeiro Igor Lima da Silva, sobrevivente que passou mais de dois meses inconsciente internado em um hospital. O jovem teve sequelas nas mãos e nas pernas, com dificuldade de locomoção. 

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Ministério Público pede que empresário vá a júri 

Em manifestação após a manutenção da prisão, o Ministério Público do Ceará (MPCE), que apresentou a denúncia de homicídio doloso contra o empresário, pediu no último dia 16 de maio que a Justiça pronuncie o acusado, ou seja, o leve ao Tribunal Popular do Júri. 

 No caso em análise, o conjunto probatório produzido sob contraditório judicial demonstra que o acusado, Rafael Elisiário Ferreira, assumiu conscientemente o risco de produzir o resultado morte, ao conduzir veículo automotor em velocidade excessiva, avançando cruzamentos, trafegando parcialmente na contramão e realizando manobras perigosas em área urbana.
MPCE
Alegações finais

Ainda na denúncia, o órgão acusatório reiterou que, "após a colisão, o denunciado desembarcou rapidamente do veículo e procurou abrigo junto ao condomínio próximo, sem prestar qualquer auxílio às vítimas".

"Além do trágico acidente provocado por Rafael, constam em seus registros diversas infrações de trânsito", complementou o MPCE. 

Veja o momento da colisão

Defesa alega transtorno de ansiedade

Segundo a defesa apresentou nos autos do processo, ao qual o Diário do Nordeste obteve acesso, o réu é portador de transtorno misto de ansiedade, depressão e reação aguda ao estresse, e no dia do ocorrido acreditou "estar sendo perseguido por supostos assaltantes".

"[...] Neste grande momento de grande pânico e nervosismo, [Rafael] veio a perder o controle de seu carro, desobedecendo à sinalização de parada obrigatória e vindo a atingir as vítimas", apontam os memoriais de alegação final apresentados pelos advogados Paulo Napoleão G. Quezado e Eduardo Diogo D. Quezado.

A reportagem solicitou um posicionamento completo à defesa do réu, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. 

Relembre o caso 

O acidente aconteceu por volta de 23h30 do dia 18 de junho de 2025, quando Kauã Oliveira Guedes e o amigo Igor da Silva Lima trafegavam em uma motocicleta na Rua Oswaldo Cruz. A caminhonete dirigida por Rafael Elisiário avançou a preferencial na Rua República do Líbano e bateu na moto, e o impacto fez Kauã ficar preso embaixo do carro, enquanto Igor foi arremessado contra uma árvore.

Foto do jovem Kauã, que foi morto em colisão causada por empresário no bairro Meireles, em Fortaleza, em junho de 2025.
Legenda: Kauã tinha 18 anos.
Foto: Reprodução.

Segundo a Polícia Militar do Ceará (PMCE) informou à época, o empresário estava em velocidade acima da permitida e apresentava sinais de embriaguez. Com ele, foram apreendidos dois papelotes de cocaína, duas latas de cerveja e unidades de comprimidos psicotrópicos.

Os dois jovens foram levados com vida ao hospital Instituto Doutor José Frota (IJF). Kauã teve uma parada cardíaca e precisou ser reanimado, mas morreu no dia 19 de junho. Igor passou por cirurgias e outros procedimentos cirúrgicos e teve de ficar hospitalizado. 

O empresário foi preso na mesma hora em flagrante por lesão corporal culposa no trânsito. Cerca de 12 horas após a ocorrência, Rafael foi solto após pagamento de fiança de R$ 15.180,00 (equivalente a 10 salários mínimos da época), quando o caso era tratado somente como crime de trânsito.

Posteriormente, o MPCE pediu novas diligências à Polícia Civil, que culminaram na produção de um exame de corpo de delito e um laudo pericial do local do acidente. Rafael foi preso novamente em novembro do mesmo ano. 

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