Empresário que matou jovem de 18 anos em colisão em Fortaleza já era investigado por estelionato

Um Fundo de Investimento denunciou o empresário à Polícia Civil de São Paulo, há mais de 2 anos, por uma suposta fraude ao mercado financeiro. O inquérito foi transferido para a Polícia Civil do Ceará

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 15:34, em 07 de Julho de 2025)
Imagem do empresário Rafael Elisario Ferreira, preso em flagrante por dirigir alcoolizado e provocar acidente que terminou com a morte do jovem Kauã Oliveira Guedes, em Fortaleza
Legenda: O empresário Rafael Elisario Ferreira foi solto pela Justiça Estadual, na última quinta-feira (19), após passar cerca de 12 horas preso por dirigir alcoolizado e provocar um acidente que terminou com a morte do jovem Kauã Oliveira Guedes, em Fortaleza
Foto: Reprodução

O empresário Rafael Elisario Ferreira, de 41 anos, preso em flagrante na última quarta-feira (18) por dirigir alcoolizado e provocar uma colisão entre veículos - que resultou na morte do jovem Kauã Guedes, de 18 anos, - e solto pela Justiça Estadual na quinta (19), já era investigado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) por uma denúncia de estelionato.

O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) pediu para a Polícia Civil de São Paulo (PCSP) investigar Rafael Elisario, proprietário da empresa Ceará Amêndoas Indústria e Comércio LTDA, pelos crimes de estelionato e de praticar duplicata simulada, no dia 13 de janeiro de 2023.

Conforme o Código Penal Brasileiro (CPB), estelionato significa "obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento", com pena de reclusão de 1 a 5 anos. Já o crime de duplicata simulada é "emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado", com pena de detenção de 2 a 4 anos.

O FIDC afirmou à Polícia Civil, através de documento assinado por escritório de advocacia, que firmou um Instrumento Particular de Cessão de Crédito com a empresa Ceará Amêndoas Indústria e Comércio LTDA, no dia 5 de agosto de 2020.

Porém, o Fundo "se viu surpreendido com as informações recebidas, visto haver constatado claros indícios de que o Noticiado estaria a engendrar uma fraude junto ao mercado financeiro de secutirização e faturação, através de emissão de duplicatas frias e emissão fraudulenta de CTE (conhecimento de transporte eletrônico) de transportadora que indicavam que os pedidos de mercadoria haviam sido remetidos, entretanto, em inúmeros casos, os sacados confirmam que nunca receberam a mercadoria informada - uma vez que, na realidade, não houve qualquer remessa".

A empresa de Rafael Elisario Ferreira teria obtido R$ 626 mil com o Fundo de Investimentos, dos quais R$ 285 mil já estavam com o pagamento vencido, na época da petição criminal, segundo o inquérito policial.

"Ressalta-se que as operações engendradas aparentam ter sido meticulosa e dolosamente planejadas, prejudicando inclusive os sacados (clientes da empresa Ceará Amêndoas Indústria e Comércio LTDA), uma vez que estes sofreram danos com a situação de fraude", acrescenta o documento do escritório de advocacia que representa o FIDC.

A Polícia Civil de São Paulo entendeu, ainda em janeiro de 2023, que a denúncia devia ser investigada pela Polícia Civil do Ceará, já que a empresa fica sediada em Chorozinho, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O Ministério Público e a Justiça de São Paulo foram de acordo e remeteram a denúncia para a Justiça do Ceará.

Em agosto de 2023, a Vara Única da Comarca de Chorozinho abriu vistas ao Ministério Público do Ceará (MPCE) para se manifestar sobre o caso. No mês seguinte, o Órgão concedeu 90 dias para a Polícia Civil concluir a investigação sobre a denúncia. Em dezembro de 2023, em maio, agosto e outubro de 2024 e em janeiro de 2025, o prazo de três meses foi renovado. Cinco meses depois, a investigação segue sem conclusão.

A defesa de Rafael Elisario Ferreira não foi localizada pela reportagem para comentar sobre a denúncia de estelionato e sobre a morte de um jovem em uma colisão entre veículos, em Fortaleza. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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Soltura após prisão em flagrante

Cerca de 12 horas após dirigir alcoolizado, avançar a preferencial e colidir um carro com uma motocicleta, no bairro Meireles, em Fortaleza, o empresário Rafael Elisario Ferreira, 41, foi solto pela Justiça Estadual, na última quinta-feira (19). O condutor da moto, o jovem Kauã Oliveira Guedes, de 18 anos, morreu no dia da soltura do suspeito, enquanto o passageiro, Igor Lima da Silva, 23, segue internado.

ERRAMOS (Atualização feita no dia 7 de julho de 2025, às 15h34): Na primeira versão desta matéria, o Diário do Nordeste informou que o jovem Kauã Guedes morreu no dia 20 de junho, como foi informado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em nota. A informação correta é de que o jovem morreu no dia 19 de junho, como provaram familiares da vítima com a Certidão de Óbito.

O juiz decidiu restituir a liberdade de Rafael Elisario mediante o pagamento de fiança no valor de 10 salários mínimos (o que totaliza R$ 15.180), em audiência de custódia realizada no Plantão Judiciário (já que era feriado), por volta de 12h15 daquela quinta-feira. O valor foi pago pelo suspeito, e logo ele foi solto.

Até aquele momento, o caso era tratado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) como um crime de trânsito de "praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor" (sem intenção de provocar a lesão), com o agravante de dirigir alcoolizado. A pena prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para esse crime, é de 2 a 5 anos de prisão, e cabe fiança. Kauã morreu no Instituto Doutor José Frota (IJF), na quinta-feira (19).

Foto do jovem Kauã Oliveira Guedes, quando completou o Ensino Médio. Ele foi morto em um acidente em Fortaleza, em junho de 2025
Legenda: O jovem Kauã Oliveira Guedes morreu na última sexta-feira (20), dois dias após ter a sua motocicleta atingida por um carro que avançou a preferencial
Foto: Arquivo Pessoal

A irmã de Kauã, Brenda Silva, afirmou ao Diário do Nordeste que "o sentimento é de impunidade. Não se pode matar meu irmão, e responder só por lesão corporal. Ele (Rafael) acabou com toda nossa família. A gente luta contra um câncer da minha mãe, e era o Kauã quem sempre acompanhava ela, durante todo o processo".

Kauã Oliveira Guedes e o amigo Igor Lima da Silva trafegavam em uma motocicleta, na Rua Oswaldo Cruz, quando sofreram uma colisão de uma caminhonete, que avançou a preferencial na Rua República do Líbano, por volta de 23h30 da última quarta-feira (18). Kauã ficou preso embaixo do carro, enquanto Igor foi arremessado contra uma árvore.

Veja o vídeo:

Os dois jovens foram levados ao IJF. Kauã teve uma parada cardíaca e precisou ser reanimado, após o acidente. O jovem lutou pela vida até quinta (19), quando foi confirmada a morte. Já Igor foi submetido a duas cirurgias e não tem previsão de alta, segundo informou a família do jovem, no último domingo (22).

O empresário Rafael Elisario Ferreira foi preso em flagrante por lesão corporal culposa no trânsito. De acordo com a Polícia Militar do Ceará (PMCE), ele apresentava sinais de embriaguez. Com o suspeito, foram apreendidos dois papelotes de cocaína, duas latas de cerveja e unidades de comprimidos psicotrópicos.

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