Justiça manda Pefoce coletar material genético de acusados de matar vendedor e jogar corpo em mangue

A vítima foi assassinada no mesmo local onde três mulheres foram mortas, em 2018, em um triplo homicídio que ficou conhecido nas redes sociais como caso do 'Mangue 937'

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Redação seguranca@svm.com.br
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Legenda: Oito homens foram acusados pela morte do vendedor de detergente, visto pela última vez enquanto trabalhava, carregando produtos de limpeza
Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

A Justiça do Ceará ordenou a coleta dos materiais genéticos dos acusados de assassinar o vendedor Eduardo Lima Mota, de 20 anos, e jogar o corpo no mangue do bairro Vila Velha, em Fortaleza. O crime aconteceu em 2020. Dois anos antes, em março de 2018, outro assassinato já havia acontecido no manguezal do mesmo bairro: as mortes de três mulheres torturadas e esquartejadas, em um caso que ficou conhecido nas redes sociais como 'Mangue 937'.

Nessa quinta-feira (28), o juiz determinou que a unidade prisional onde está o preso Raul Seixas Lopes Moreira conduza o detento até a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) "para a coleta do material genético com o intuito da realização do confronto genético".

A reportagem também apurou junto a documentos que no dia 1º de julho deste ano de 2025 foi coletado o DNA do acusado Diego Carlos Costa e no último dia 19 deste mês de agosto o do réu Andrey Landim da Tocha. Os resultados das análises ainda não foram disponibilizados ao Judiciário.

Ainda em 2023, o trio manifestou interesse em ser submetido a perícia "a fim de compararem os perfis genéticos dos mesmos com o material genético encontrado quando da apuração do delito".

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Foi obtido um DNA  nas amostras extraídas em um facão usado no crime e em peças de roupa da vítima. As defesas destacam que essa prova pericial é importante "pois neste feito inexistem testemunhas oculares, do mesmo modo, não há interceptação telefônica, não há qualquer investigação prévia, apenas suma denúncia por telefone que não foi registrada em nenhum documento policial, além das testemunhas policiais divergirem entre si,bem como apresentar um relato no Inquérito Policial e outro em Juízo".

MORTO POR MORAR EM UMA REGIÃO DOMINADA POR FACÇÃO RIVAL 

Oito homens foram acusados pela morte do vendedor de detergente, visto pela última vez enquanto trabalhava, carregando produtos de limpeza. Eles teriam matado Eduardo em razão de o vendedor ser morador do Parque Potira, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), localidade que à época era dominada pela facção Comando Vermelho (CV).

Além dos três acusados citados acima também foram denunciados: Bryan Santos Barroso, Lucas Emanuel do Nascimento Carvalho, Antônio Marcos Costa, Jonathan Lopes Duarte e Francisco Claudemir da Silva Braga.

Eduardo vendia produtos de limpeza na região do bairro Vila Velha, no dia 12 de novembro de 2020, quando foi raptado por pelo menos dois criminosos. Familiares e o seu chefe perderam o contato com ele, e a mãe do jovem chegou a receber uma mensagem do mesmo no celular pedindo para ela não chorar, caso ele fosse preso ou assassinado.

No dia seguinte, o pai registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) pelo desaparecimento do filho. O Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) colaborou nas buscas e encontrou primeiro uma perna humana.

As investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE) descobriram que os dois criminosos levaram Eduardo ao encontro dos comparsas, em um local onde o jovem foi torturado e esquartejado ainda com vida. Depois, as partes do corpo da vítima foram enterradas em um mangue, no Vila Velha.

CASO 'MANGUE 937'

Seis homens foram condenados pelas mortes de Darcyelle Ancelmo de Alencar, Nara Aline Mota de Lima e Ingrid Teixeira Ferreira. As mulheres tiveram seus corpos mutilados e foram mortas em uma combinação de cortes de facão e tiros. 

foto das mulheres que foram mortas e decapitadas no canso do mangue 937
Legenda: Mulheres foram mutiladas, torturadas e executadas em um manguezal no bairro Vila Velha, em Fortaleza, em março de 2018
Foto: Reprodução

A motivação dos homicídios seria o fato de as vítimas serem integrantes de uma facção criminosa de origem carioca com atuação no Ceará. Elas foram consideradas rivais de uma organização originada em território cearense, e da qual os condenados pelos assassinatos fazem parte.

Cinco homens foram a júri popular em 27 de fevereiro de 2019, quase um ano após a barbárie, e pegaram, juntos, mais de 335 anos de prisão. O sexto, preso em 2020 por participação nas mortes, foi condenado a 83 anos de reclusão em abril de 2022.

Os condenados pelos crimes são Francisco Robson de Souza Gomes, Bruno Araújo de Oliveira, Jeilson Lopes Pires, Rogério Araújo de Freitas e Júlio César Clemente da Silva e Jonathan Lopes Duarte​. 

 

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