Comando Vermelho proíbe brigas de torcidas organizadas no Ceará; MP investiga

Após os 'salves' da facção, líderes das organizadas de vários bairros renunciaram aos cargos.

Escrito por
Redação seguranca@svm.com.br
(Atualizado às 11:29)
montagem brigas de torcida, homens em confronto, correndo, via publica, fortaleza.
Legenda: As brigas aconteceram em diversas áreas de Fortaleza.
Foto: VC/Repórter.

O recente confronto entre torcidas organizadas dos times Ceará e Fortaleza desagradou lideranças do Comando Vermelho (CV). Horas após a captura de, pelo menos, 350 suspeitos envolvidos em disputas no último Clássico-Rei, a facção divulgou 'salves' (comunicados) ordenando o fim das brigas.

 O Ministério Público do Ceará confirmou que investiga o caso. Em nota, o órgão disse que: "por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), confirma que está investigando o caso. Mais informações poderão ser repassadas em momento oportuno, visando não comprometer as investigações em andamento".

O Diário do Nordeste apurou que os serviços de Inteligência dos Órgãos de Segurança Pública confirmaram a veracidade dos 'salves' e que monitoram a situação. Um dos recados dado pelo grupo criminoso de origem carioca é que "briga de torcida está totalmente ‘brecado’ dentro do Estado" (sic).

A mensagem divulgada nas redes sociais mostra que o CV é contra os embates nas ruas entre as organizadas, porque as brigas chamam a atenção da Polícia e intensificam a presença dos agentes da Segurança nas comunidades quando acionados: "já que não sabem curtir sem trazer problema para a organização, sem trazer o sistema para dentro da quebrada e ainda por cima lotando as cadeias" (sic).

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) "apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades policiais. A SSPDS reforça que setores de Inteligências das Forças de Segurança do Estado auxiliam os trabalhos policiais".

CARGOS RENUNCIADOS

Os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses gravaram vídeos afirmando que renunciaram aos cargos. Encarregados das organizadas em vários bairros da Capital também seguiram o exemplo e entregaram os postos de comando, sem dar maiores explicações. 

Os vídeos a que a reportagem teve acesso mostram as lideranças locais de cada bairro informando publicamente que não estão mais na 'gestão' das torcidas organizadas.

A Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) foi procurada pelo Diário do Nordeste e disse que "não irá se manifestar sobre isso". A reportagem também mandou mensagem para um dos diretores da Cearamor, mas ele não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria. 

No Instagram, a Mofi Serrinha (uma das torcidas organizadas do Ceará), publicou o "encerramento das atividades por tempo indeterminado, a partir de 9 de fevereiro" e que "essa decisão, embora difícil, foi tomada após profunda análise interna. Entendemos que este é o momento de priorizar a liberdade, reestruturação e o respeito à nossa trajetória". 

350 DETIDOS

As torcidas rivais entraram em confronto durante o primeiro Clássico-Rei do ano, entre Fortaleza e Ceará, com registros em diversos bairros de Fortaleza, no último domingo (8).

Veja vídeo dos confrontos

Cerca de 350 suspeitos foram detidos. Entre eles estão 113 adolescentes, que conforme o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) estão sendo ouvidos em audiências de apresentação por Varas da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza. 

Ocorrências foram registradas, por exemplo, nos bairros Edson Queiroz, Vila Velha e Passaré.

Até a noite dessa segunda-feira (9), a Justiça do Ceará manteve a prisão de 159 detidos que passaram por audiência de custódia. O grupo teve as prisões em flagrante convertidas em preventivas.

O TJCE informou ter designado, em caráter excepcional, dez magistrados para reforçar os trabalhos, diante do número elevado de prisões. Espaços físicos e salas também foram adaptados para atender a demanda. 

Além das prisões, a Segundo a Polícia Militar do Ceará (PMCE) apreendeu diversos materiais usados nas agressões, como socos-ingleses, rojões, balaclavas, entorpecentes, smartphones, isqueiros e artefatos explosivos artesanais.

OPERAÇÃO

No último mês, uma operação do Ministério Público do Ceará (MPCE) cumpriu 30 mandados de busca e apreensão contra integrantes de torcidas organizadas dos clubes de futebol Ceará e Fortaleza, suspeitos de envolvimento em brigas e tumultos, ocorridos no Estado.

A terceira fase da Operação Apito Final foi deflagrada pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), do MPCE, com apoio do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil do Ceará (PCCE). Os mandados foram cumpridos nas cidades de Fortaleza e Maracanaú.

Os alvos dos mandados de busca e apreensão também foram proibidos pela Justiça Estadual de frequentar quaisquer eventos esportivos que envolvam os clubes Ceará e Fortaleza, segundo o MPCE.

O Ministério Público destacou que "a terceira fase foi deflagrada após análise dos materiais apreendidos em operações anteriores, que apontavam a atuação de integrantes das organizadas no planejamento de ataques a outras torcidas". 

"A investigação apontou, ainda, que os suspeitos fabricavam artefatos explosivos e utilizavam, nas ações, armas de fogo em situação irregular", complementou.

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