Operação cumpre 30 mandados de busca e apreensão contra integrantes de torcidas organizadas no CE

Os suspeitos também foram proibidos de ir a jogos dos clubes Ceará e Fortaleza.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:10)
A imagem mostra um homem de roupa escura, de costas, com um colete com a inscrição Nuinc, segurando uma bolsa com a inscrição MPCE, apoiada em uma mesa, que também contém documentos.
Legenda: A terceira fase da Operação Apito Final foi deflagrada pelo Núcleo de Investigação Criminal, do Ministério Público do Ceará.
Foto: Divulgação/ MPCE.

Uma operação do Ministério Público do Ceará (MPCE) cumpriu 30 mandados de busca e apreensão, nesta terça-feira (27), contra integrantes de torcidas organizadas dos clubes de futebol Ceará e Fortaleza, suspeitos de envolvimento em brigas e tumultos, ocorridos no Estado.

A terceira fase da Operação Apito Final foi deflagrada pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), do MPCE, com apoio do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil do Ceará (PCCE). Os mandados foram cumpridos nas cidades de Fortaleza e Maracanaú.

Durante a operação, realizada a pedido do Nuinc e autorizada pela 10ª Vara Criminal de Fortaleza, foram apreendidos celulares, HDs e computadores que vão subsidiar as investigações do MP do Ceará."
Ministério Público do Ceará
Em publicação

Os alvos dos mandados de busca e apreensão também foram proibidos pela Justiça Estadual de frequentar quaisquer eventos esportivos que envolvam os clubes Ceará e Fortaleza, segundo o MPCE.

Eles podem responder pelos crimes de tumulto, associação criminosa, homicídio, lesão corporal grave e seguida de morte, entre outros.

O Ministério Público destacou que "a terceira fase foi deflagrada após análise dos materiais apreendidos em operações anteriores, que apontavam a atuação de integrantes das organizadas no planejamento de ataques a outras torcidas". 

"A investigação apontou, ainda, que os suspeitos fabricavam artefatos explosivos e utilizavam, nas ações, armas de fogo em situação irregular", complementou.

Torcedor baleado na cabeça

Um confronto entre torcidas organizadas de futebol, em Fortaleza, na noite da última quinta-feira (22), motivou uma intervenção da Polícia Militar do Ceará (PMCE). Um torcedor foi baleado na cabeça e preso, por suspeita de estar na posse de uma arma de fogo.

A Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) publicou nota em que questionou a informação da PMCE de que o integrante baleado e preso estava na posse de uma arma de fogo. (Leia a nota na íntegra abaixo)

Segundo nota da PMCE, "após a partida do Campeonato Cearense entre os times de futebol Fortaleza e Horizonte, indivíduos arremessaram pedras e outros objetos no ônibus que transportava torcedores. De imediato, policiais militares, que acompanhavam o veículo, dispersaram a multidão".

O jogo entre Horizonte e Fortaleza aconteceu no Município de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Entretanto, o confronto aconteceu na BR-116, na altura do bairro Conjunto Palmeiras, já na Capital.

Conforme imagens obtidas pela reportagem, é possível visualizar membros de torcidas organizadas do Fortaleza e do rival Ceará envolvidos na briga.

A imagem mostra uma correria entre torcedores, em uma estrada, à noite, em Fortaleza.
Legenda: Uma briga entre torcidas organizadas foi registrada na BR-116, em Fortaleza.
Foto: Reprodução.

A Polícia Militar afirmou que, "mais à frente, ocupantes de um veículo desembarcaram e efetuaram disparos de arma de fogo em direção ao ônibus e os policiais militares reagiram à injusta agressão".

Durante as diligências, um homem de 28 anos foi encontrado ferido. Ele foi socorrido a uma unidade hospitalar, onde permanece sob escolta policial. Com ele foi apreendido um revólver calibre .38 com cinco munições, sendo três deflagradas."
Polícia Militar do Ceará (PMCE)
Em nota

A Torcida Uniformizada do Fortaleza publicou nota, na rede social Instagram, em que diz que "exigimos provas de que a arma que alegam ser de posse de nosso componente realmente lhe pertencia". A Instituição também criticou a escolta realizada pela Polícia Militar.

Confira a nota da TUF na íntegra sobre o torcedor baleado:

"Fortaleza,23 de janeiro de 2026.

Mais uma vez, o raio cai no mesmo lugar e, mais uma vez, um integrante da TUF é baleado durante uma caminhada da torcida. Até quando?

Toda a rota foi previamente acordada com as autoridades competentes, e a nossa segurança estava sob responsabilidade do Estado, que, infelizmente, falhou ao não impedir o que ocorreu na noite de ontem, quinta-feira, dia 22/01/2026

Foi realizado ofício solicitando escolta, o qual foi atendido. A rota foi definida pelos órgãos de segurança que atuam nas praças esportivas do nosso estado. Fomos escoltados e monitorados durante todo o trajeto, até o momento da ocorrência, quando fomos surpreendidos por notícias falsas e enganosas divulgadas por uma mídia oportunista.

Exigimos provas de que a arma que alegam ser de posse de nosso componente realmente lhe pertencia. Fomos vítimas, pela segunda vez, de uma mesma situação.

A imprensa deveria ouvir e questionar a versão de todos os envolvidos, e não apenas divulgar um único lado da história.

Estamos prestando todo o suporte ao nosso componente Adolfo, pessoa de excelente índole, sem qualquer antecedente, que foi vítima de um disparo de arma de fogo e cuja procedência exigimos esclarecimentos.

Ainda assim, fomos punidos com a perda de dois jogos, o que demonstra que o cerco contra a TUF vem de todos os lados.

Exigimos respeito à nossa caminhada histórica e cultural nas arquibancadas. Somos uma entidade com quase 35 anos de história, de amor e de serviços prestados ao Fortaleza Esporte Clube, sem medir esforços, inclusive com risco à própria vida.

Queremos apenas VERDADE e JUSTIÇA para Adolfo e sua família."

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