Saiba qual é a única cidade do Ceará que não registra novos casos de Covid há dois meses

O último registro de infecção pela Covid-19 no município foi em 6 de julho deste ano e há 3 meses todos os leitos de enfermaria estão desocupados

Legenda: Com a drástica redução dos casos, caiu a taxa de ocupação de leitos de UTI e enfermaria
Foto: Diário do Nordeste

O avanço da vacinação contra o novo coronavírus, atrelado aos protocolos sanitários adotados em todo o Estado, convergiu em uma singular melhora no cenário epidemiológico. Em General Sampaio, cidade a 125 km de distância da capital cearenses, novos casos de infecção não são registrados há mais de dois meses, conforme dados do IntegraSus, plataforma oficial da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará. 

O último registro oficial de infecção pelo vírus Sars-CoV-2 ocorreu em 6 de julho deste ano, ou seja, há 69 dias. Para a secretária da Saúde do Município, Jocelma da Silva Barreto o extenso período sem notificações decorre de três eixos: vacinação, testagem em massa e apoio da população.

"General Sampaio tem se destacado no processo de imunização. Estamos aplicando todas doses tão logo recebemos da Sesa e sabemos que isso é importante para vencer o vírus. Outro fator importante é a testagem. Realizamos em média 25 testes por dia. Vale também destacar que a população entendeu a gravidade do problema e colaborou com as determinações dos decretos", considera Jocelma.

A titular da Secretaria considera ainda que, com pouco mais de 6 mil habitantes, a fiscalização no município "acaba sendo facilitada".  Segundo ela, General Sampaio não registra episódios de festas clandestinas ou aglomerações e "é notório que a população, mesmo como os casos em queda, seguem usando máscara e colaborando com as medidas".

A cidade conta com três leitos de enfermaria e todos, há quase 3 meses, estão desocupados. "É um cenário de tranquilidade. Bem diferente do início do ano quando chegamos a perder 4 pessoas em um intervalo de pouco mais de um dia. Ali a população se deu conta da gravidade e a postura começou a mudar", conclui Jocelma Barreto. 

Um mês sem novos casos

Nos últimos 30 dias, o controle à pandemia progrediu e os resultados são ainda melhores. Entre 13 de agosto e 13 de setembro, 11 cidades cearenses não registram nenhum novo casos da Covid-19, ainda conforme dados do IntegraSus, extraídos da plataforma às 11h23 desta segunda-feira (13).

  • General Sampaio (cidade há mais tempo sem novos registros);
  • Capistrano,
  • Catarina,
  • Guaiúba,
  • Irauçuba,
  • Jati,
  • Moraújo,
  • Paramoti,
  • Penaforte,
  • Pereiro,
  • Tejuçuoca

O professor universitário e médico infectologista, Ivo Castelo Branco, explica que essa queda deve-se a soma de vários pilares, dentre os quais os mais importantes são "a vacinação e as medidas de segurança impostas nos decretos". Para ele, embora a redução seja generalizada em todo o Estado, "é preciso ainda manter o alerta ligado".

"Em uma analogia fácil de compreender o cenário, costumo dizer que vinhamos a guiando um carro semi-desgovernado a 1.000 km/h, hoje estamos a 200 km/h. É uma redução significativa? Sim, bastante, mas é necessário bastante cautela", ilustra o especialista.

Essa cautela reside na possibilidade de os casos voltarem a crescer, como ocorrera no fim do ano passado e início de 2021. "Temos que vacinar o maior número de pessoas com as duas doses e, em paralelo, seguir com os cuidados não farmacológicos", adverte.

Nos Estados Unidos, em regiões com vacinação baixa por questões políticas, os casos aumentaram, assim como também cresceram os casos naqueles estados onde a vacinação avançou, mas foram retiradas todas as medidas de segurança. Para vencer a pandemia, ambas têm que andar lado a lado. 
Ivo Castelo Branco
Infectologista

Cenário estadual 

A melhora do cenário pandêmico, contudo, não se restringem a essas cidades. Em uma análise geral, os avanços podem ser constatados em todas as regiões cearenses. Conforme a Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado, neste mês de setembro, os casos diários confirmados de Covid-19 ainda não superaram a marca de 100.

O número demonstra a desaceleração da pandemia. Em 5 de abril deste ano, por exemplo, o Ceará confirmou 6.418 infecções. Naquele mês vivemos o cenário mais crítico da segunda onda. Em relação aos óbitos, também há melhora.

Neste mês, o maior registro diário foi de seis mortes. Em abril, a Sesa contabilizou dias com mais de 150 óbitos provocados pela doença. A queda no número de infecções reflete diretamente na taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos ao tratamento de pacientes infectados. 

Até a manhã desta segunda (13), a taxa de ocupação geral dos leitos de UTI estava em 32% e, a dos leitos de enfermaria, apenas 18,66%. O índice é bastante inferior ao registrado no pico desta segunda - entre março e abril - quando a ocupação dos leitos se aproximou da sua totalidade.

Segundo o IntegraSUS, em abril deste ano, contando com hospitais de administração pública, privada ou filantrópica, o Ceará chegou a ter mais de 1.700 leitos de UTI Covid-19 ativos, com ocupação acima dos 95%. Hoje são cerca de 250 leitos ativos.

Todos esses avanços são avaliados com ressalvas pelo secretário da Saúde do Ceará, Marcos Gadelha. Embora reconheça as melhorias, o titular da Sesa pede que sejam respeitados os parâmetros de flexibilização das atividades e destaca a importância da manutenção dos cuidados e da vacinação.

“Peço aos cearenses que se vacinem, com as duas doses ou com a dose única, no caso da vacina da Janssen. Façam da imunização uma prioridade no combate à Covid-19 e tenham um pouco mais de paciência para continuar seguindo os protocolos sanitários", destacou Gadelha.

Ainda precisamos ter cuidados, como evitar aglomerações, usar máscaras e reforçar a higiene pessoal e dos ambientes, pois apesar de a circulação viral estar menor, a cadeia de transmissão do coronavírus ainda existe no Estado, e com variantes.
Marcos Gadelha
Secretário da Saúde do Ceará

Legenda: O Ceará já aplicou 8.611.718 doses do imunizante contra a Covid-19
Foto: Arquivo/Diário do Nordeste

Imunização

Conforme dados do Vacinômetro da Sesa, já foram aplicadas 8,6 milhões de doses contra a Covid-19, sendo 5,66 milhões de primeiras doses, o equivalente a mais de 62% da população.

Já as doses de reforço ou doses únicas contabilizam 2,79 milhões de aplicações, o que representa 30,4% da população totalmente imunizada. Desde o início da pandemia, o Estado já recebeu 10.867.808 doses do Ministério da Saúde e distribuiu 10.014.435 aos 184 municípios.

Na manhã desta segunda (13), o governador Camilo Santana (PT) anunciou a chegada de mais um lote do imunizante, contendo 231.660 doses de vacinas contra a Covid-19 da fabricante Pfizer/BioNTech. Os imunizantes serão usados para aplicação de primeira dose (D1), conforme anunciou Camilo. 

De acordo com a Sesa, o Estado tem tido estoque suficiente para dar prosseguimento à vacinação e, até o momento, não há risco de desabastecimento. 

 

 

 

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