Presidente do PL Ceará diz que mantém comando da sigla, mas não garante aliança com Camilo Santana

Acilon disse que conversa com nomes da oposição, como Capitão Wagner, mas ponderou que eventual apoio ocorreria apenas se Wagner se filiasse ao PL

Escrito por Igor Cavalcante e Luana Barros,

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Presidente do PL fez anúncio na tarde desta quarta-feira (1º)
Legenda: Presidente do PL fez anúncio na tarde desta quarta-feira (1º)
Foto: Luana Barros

Um dia após a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, o presidente da sigla no Ceará, Acilon Gonçalves, disse que tem a "garantia" de todas as instâncias da legenda de que permanece no comando do diretório estadual. Ele concedeu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (1º).

Acilon não garantiu, no entanto, a aliança com o governador Camilo Santana (PT) para a disputa no Ceará em 2022 e ressaltou ter "maioria" de aliados dentro do diretório local da legenda. Além disso, ele colocou o próprio nome à disposição para eventual candidatura ao Governo do Ceará

Para prefeitos e vereadores do PL no Estado, o momento ainda é de aguardar os desdobramentos da chegada do presidente Bolsonaro ao partido e como isso impacta a conjuntura estadual. 

Queda de braço interna

Com a filiação de Bolsonaro à legenda, a expectativa é de que parlamentares e lideranças bolsonaristas também desembarquem no PL, inclusive no Ceará. Nos bastidores, existe ainda a perspectiva de uma mudança no comando do partido no Ceará. 

"Estou no comando do partido. Hoje asseguro que tenho poderes constitucionais definidos por lei do partido, que respeita a lei eleitoral federal, para representar no partido", rebate.
Acilon Gonçalves
Presidente do PL Ceará

Sobre uma eventual saída do PL, Gonçalves afirmou que tem recebido "inúmeras ligações" de líderes partidários "colocando legendas à nossa disposição", mas que nenhuma das propostas está sendo analisada porque "não houve momento de necessidade disso". "Estamos em defesa do projeto dentro do ninho que estamos", completa.

Aliança para 2022

A expectativa do prefeito do Eusébio é de que ocorra a "não federalização" das decisões do PL, permitindo que haja "um entendimento de conjunção política num plano e um outro entendimento em outro". 

Ele, no entanto, não garantiu que manterá, em 2022, a aliança com o governador Camilo Santana (PT). Muitos aliados do presidente, como o deputado estadual André Fernandes (Republicanos) - que já anunciou que pretende se filiar ao PL -, afirmaram que o partido deve apoiar Capitão Wagner (Pros). 

Acilon disse que conversa com candidatos de "A a Z", inclusive com o deputado federal Capitão Wagner (Pros), principal nome da oposição no Ceará. O presidente do PL Ceará ponderou, no entanto, que esse apoio ocorreria apenas se Wagner se filiasse à sigla.

Ainda segundo ele, neste primeiro momento, a relação do PL com o Governo do Ceará se mantém a mesma. "Se mantém em nível federal, quem dirá a nível estadual. Repito, não temos nada definido, essas escolhas só ocorrerão em junho", acrescentou.

Presidente do PL anunciou decisão nesta quarta-feira (1º)
Legenda: Presidente do PL anunciou decisão nesta quarta-feira (1º)
Foto: Felipe Azevedo

Prefeito de Aquiraz e filho de Acilon Gonçalves, Bruno Gonçalves é mais direto sobre a permanência, a preço de hoje, na base governista no Estado. "O partido continua na base do governador Camilo Santana e do prefeito Sarto, porque as ideias implementadas pelo PL são bem atendidos por esses dois governos", ressalta. 

Candidatura própria ao Governo

Apesar disso, a meta para 2022 é de que o PL apoie uma candidatura ao Palácio da Abolição fora da legenda e, caso as tratativas não avancem, Acilon afirmou que disponibiliza o próprio nome para disputar o comando do Executivo do Estado. 

Apesar de não bater o martelo sobre quem terá o apoio do diretório local para 2022 - seja a nível federal, seja a estadual - Acilon destacou que o "na estadual temos, com o nosso pessoal, uma maioria". 

A entrevista do presidente estadual do PL contou com a presença de diversas lideranças do partido no Ceará, incluindo prefeitos e vereadores. Para muitos destes aliados, o momento é de aguardar os desdobramentos que a filiação do presidente terá no Ceará. 

"No momento, a orientação da gente é aguardar como foi dito. Quem sai do partido, quem entra no partido, como vai se posicionar o partido aqui em termos estaduais", aponta a prefeita de Beberibe, Michele Queiroz (PL). Vereadora de Fortaleza, Ana do Aracapé concorda: "Nós vamos aguardar como é que vai ficar esse cenário que ainda está por vir". 

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