Pressionado, Mandetta diz que vai continuar ministro da Saúde

Alvo de insistentes rumores de saída do Governo, médico Luiz Henrique Mandetta diz que espera seguir em paz no cargo. Ministério propõe afrouxar isolamento social a partir do dia 13

Legenda: Luiz Henrique Mandetta, que é médico, disse que até sua gaveta na sede do Ministério foi limpa devido ao rumor de demissão
Foto: Foto: Agência Brasil

Em consequência da Covid-19, 67 novos óbitos foram registrados, nesta segunda-feira , informou o boletim do Ministério da Saúde. Agora, o País acumula 553 mortos, elevação de 248% em relação a 30 de março (159). Em meio à escalada do saldo da doença, o comando do Ministério da Saúde foi alvo de muitas especulações.

Após um dia de rumores insistentes sobre sua demissão pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro Luiz Henrique Mandetta disse, durante entrevista coletiva, que vai continuar no cargo. Durante a tarde, o nome de Osmar Terra, ex-ministro da Cidadania, era citado nos bastidores como um possível substituto.

Mandetta pediu "paz" para continuar a trabalhar. Em conversa com jornalistas, transmitida ao vivo em redes sociais, Mandetta reclamou de críticas que trazem dificuldade ao ambiente da sua equipe, mas disse que reunião nesta segunda-feira com o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros trouxe mais "união" ao Governo.

"Começamos a semana com mais um solavanco, esperamos que possamos seguir em paz", disse.

Bolsonaro vem criticando medidas de isolamento amplo ao afirmar que a estratégia prejudica a economia nacional. Ele contraria as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O assunto é uma das divergências entre o mandatário e o seu auxiliar. O presidente tem criticado a atuação de Mandetta nos últimos dias chegando a dizer que lhe faltava "humildade".

Mandetta afirmou que muitas vezes o trabalho da Pasta sofre interferências de forma "constante". "Temos dificuldade quando, em determinadas situações, por determinadas impressões, críticas não vêm para construir, mas para trazer dificuldade no ambiente de trabalho", disse o ministro. "E isso vem uma constante, o Ministério da Saúde adotar determinada linha, situação e termos que voltar, fazermos determinados contrapontos para poder reorganizar a equipe", declarou.

Gavetas

Mandetta afirmou, ainda, que esta segunda-feira foi pouco produtivo no Ministério da Saúde por causa dos boatos de que poderia ser demitido. Ele sinalizou que, caso isso acontecesse, toda a equipe também pediria para sair.

O ministro da Saúde falou ao lado de todos os secretários e com a presença de outros membros da equipe, que o aplaudiram ao chegar.

"Hoje foi um dia que rendeu muito pouco o trabalho do Ministério. Muitos não sabiam o que ia acontecer, chegaram a limpar as gavetas, até a minha gaveta", disse. Mandetta reforçou que o seu trabalho é "técnico", baseado na ciência, e que ele atua como "porta-voz do trabalho" da equipe. "O que faço é dar alguns pequenos palpites às medidas", afirmou.

Relaxamento

Nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde propôs afrouxar a partir de 13 de abril o isolamento social em regiões que não comprometeram mais do que metade da capacidade de atendimento instalada antes da pandemia do novo coronavírus. A nova diretriz foi publicada no boletim epidemiológico divulgado pela Pasta nesta segunda.

Nesses estados e municípios, o distanciamento amplo deverá ser substituído pelo isolamento seletivo, voltado aos grupos que correm mais riscos, como idosos e pessoas com doenças crônicas.

Com a medida, o Ministério pretende permitir a retomada gradual da circulação e da atividade econômica.

Situação nos estados

O número de infectados no Brasil passou a casa dos 12 mil (12.056), uma alta de 8% em relação ao dia anterior (11.130). A taxa de letalidade do País ficou em 4,4%. O Estado de São Paulo segue como epicentro da pandemia com mais da metade das mortes de todo o País (304). O Estado é seguido por Rio de Janeiro (71), Pernambuco (30), Ceará (29) e Amazonas (19).

Outros óbitos

Além disso, foram registradas mortes no Paraná (11), Distrito Federal (10), Santa Catarina (10), Minas Gerais (nove), Rio Grande do Norte (sete), Rio Grande do Sul (sete), Espírito Santo (seis), Goiás (cinco), Paraíba (quatro), Sergipe (quatro), Piauí (quatro), Pará (três), Maranhão (duas), Alagoas (duas), Rondônia (uma), Roraima (uma), Mato Grosso (uma) e Mato Grosso do Sul (uma).


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