Restrições à economia seriam menores em caso de novo lockdown

Expectativa de economistas no Ceará é que, apesar do aumento de casos de Covid-19 na Europa e da imposição de novas medidas de restrição a atividades econômicas, as medidas, caso necessárias, sejam mais brandas

Legenda: Em caso de nova paralisação, a cadeia turística no Ceará seria a mais impactada economicamente
Foto: Foto: Thiago Gadelha

Diante do retorno de restrições a atividades econômicas e à circulação de pessoas na Europa, motivadas pelo aumento de casos de Covid-19 no continente, alguns setores da economia cearense já sentem os impactos. No entanto, com a tendência de queda tanto do número de casos da doença como de óbitos no Brasil, a expectativa de economistas no Ceará é que, caso sejam necessárias, as restrições à economia sejam menores em relação ao primeiro semestre.

"Não acredito que a gente vá passar por um novo lockdown, ou restrições de ir e vir. A quantidade de pessoas expostas ao vírus no Brasil é muito grande, ao contrário da Europa. E agora eles estão entrando no inverno, período em que há maior propagação do vírus", diz Raul dos Santos, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE).

Para Raul dos Santos, se houver necessidade, poderão ser adotadas medidas como restrição de horário e funcionamento de estabelecimentos comerciais e de quantidade de pessoas em ambientes fechados, principalmente dentro de empresas. "Acredito que, hoje, medidas mais brandas poderão ser adotadas para conter o avanço da doença. Os médicos já sabem melhor como conduzir o tratamento, o sistema de saúde suportou a primeira onda, há uma grande quantidade de pessoas que podem estar imunes, então há um conjunto de fatores favoráveis", diz Santos.

Cadeia turística

Caso sejam impostas novas restrições tanto no Brasil e no Ceará, os segmentos de bares, restaurantes e meios de hospedagem - segmentos que representando a cadeia turística -, poderão ser os mais afetados. E os efeitos da crise na Europa já começam a ser sentidos no Ceará, com a perspectiva de que o setor só volte a receber turistas internacionais após o fim deste ano, em 2021.

Contudo, com a forte demanda pelo destino Ceará, desde a reabertura das atividades econômicas, o turismo doméstico, por enquanto, vem compensando a ausência do turista internacional. "Fortaleza tem sido apontado como principal destino interno do País. E o ticket médio desse turista aumentou muito", diz Raul dos Santos.

Já para o economista Lauro Chaves, conselheiro federal de economia e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), novas restrições poderiam impactar fortemente não só a cadeia turística como o Estado. "Alguns segmentos nem se recuperaram ainda. Uma nova paralisação seria catastrófica para a economia. Mas o turismo, que é muito significativo para a economia cearense, já está bastante abalado, e o nacional voltou, mas o internacional tende a zerar".

Voos

Após retomar os voos entre Paris e Fortaleza no dia 16 de outubro, a Air France anunciou, menos de duas semanas depois, a suspensão da frequência a partir de 8 de novembro, devido ao aumento de casos da doença na França. "A alta estação de dezembro e janeiro, que seria o início da recuperação do turismo internacional, ficou comprometida com esse novo ciclo na Europa", diz Chaves.

Para o cenário nacional, Chaves diz que uma nova parada da economia poderia trazer efeitos "mais drásticos" do que a primeira. "Acredito que é inviável uma paralisação como tivemos. A economia está mais fragilizada hoje do que estava quando teve a primeira onda e as finanças públicas estão mais vulneráveis".

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