Chineses miram saúde e concessões do Estado
Fabricação e exportação de medicamentos e de máquinas hospitalares podem ser viabilizados com crédito da China
O governador Camilo Santana recebeu, ontem, no Palácio Iracema, a comitiva do China Development Bank (CDB). Foi o primeiro contato oficial do governo cearense com a equipe gestora da financeira asiática. Em pauta, esteve a possibilidade da instituição financiar no Ceará a instalação de uma fábrica de medicamentos, no Polo Industrial e Tecnológico da Saúde (PITS), no Eusébio, e outra, de equipamentos e máquinas hospitalares, na Zona de Processamento e Exportação do Ceará (ZPE). Em debate, também esteve a possibilidade de investimentos do banco no sistema de saúde cearense, atuando na reestruturação de hospitais da rede pública municipal e estadual.
Em sua tradicional conversa de terça-feira na rede social Facebook, com os seguidores da página oficial, Camilo Santana ressaltou a importância da iminente parceria com os asiáticos. "Vai possibilitar fazer financiamento e parcerias com o Governo do Estado e financiar obras do setor privado no Ceará. Recebi o presidente do Banco de Desenvolvimento da China e toda a comitiva, além de representantes de uma empresa interessada em montar investimento no Polo de saúde", disse.
O assessor especial para Assuntos Internacionais do Estado, Antonio Balhmann, que também participou da reunião, exaltou o poder financeiro do banco. Segundo ele, os chineses demonstram interesse na parceria.
"O CDB foi a instituição chinesa que fez o maior número de operações no Brasil. Eles compram linhas de transmissão, fazem grandes investimentos em hidrelétricas, têm uma musculatura muito grande. Eles vieram ao Ceará pela primeira vez, para oferecer uma parceria no projeto de desenvolvimento do Estado. Tivemos uma reunião com eles há duas semanas, em São Paulo, levando, entre outras coisas, o projeto na área de saúde, envolvendo a possibilidade de financiamento para os hospitais regionais, para a estrutura do SUS, dos hospitais municipais", explicou Balhmann.
Além do CDB, Camilo Santana recebeu representantes da China Medicine Health Corporation (China Meheco Corporation), do setor farmacêutico. "Essa discussão abrange também outras questões, como as concessões que o governo está querendo fazer, de diversos ativos. O CDB tem uma articulação grande com as empresas chinesas de grande porte, então a presença do banco aqui, junto do governo do Ceará, abre um espaço grande, já que a China está entrando com seus agentes financeiros de forma muito forte no Brasil e hoje já é o maior investidor em muitas áreas. Foi apenas a primeira reunião aqui no Estado. Daqui pra frente, vamos formatar os projetos em diferentes áreas", apontou, destacando que uma das possibilidades é realizar a exportação dos medicamentos e importar peças para a fabricação dos equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética.
Voos
Camilo, no Facebook, relatou que a Gol já o procurou com o interesse de realizar um segundo voo semanal para o recém-inaugurado aeroporto de Jericoacoara. Além dela, a Azul já tem data para fazer o primeiro voo da companhia ao local.
"Há 15 dias foi o voo inaugural de Jericoacoara. Acompanhei, saindo de São Paulo, foi um momento muito emocionante. E agora, dia 16, a Azul terá um novo voo, de Recife para Jeri. E estive com o presidente da Gol, que já está querendo montar um outro voo semanal. A ideia é que seja na quarta-feira. Não tenho dúvidas que será um grande sucesso", disse.
O governador também destacou o aeroporto de Aracati, cujos planos do governo são de utilização para a aviação regional. "O Estado fez um investimento, que era o centro de manutenção de aeronaves executivas da TAM. Foi construído um galpão pelo Estado. A TAM tem feito algumas operações lá, de oficina de aeronaves, mas com pouca frequência. Estamos conversando com companhias aéreas, como Gol e Azul, para também fazer um voo para aquela região, e negociando voos regionais dentro do Ceará com aeronaves menores", informou. Sobre o aeroporto de Fortaleza, disse esperar que a Capital se torne "um centro de conexões aéreas do País".