Alimentação no domicílio fica 2,4% mais cara em outubro na Região Metropolitana de Fortaleza

Maior permanência das famílias em casa aliada ao desarranjo entre oferta e demanda, produtos consumidos no lar continuam apresentando forte elevação de preços. Alta deve continuar nos próximos meses

Legenda: A batata inglesa (18,44%), o tomate (15,95%), o óleo de soja (15,44%), o arroz (11,41%) e a picanha (10,06%) puxaram a alta
Foto: Fabiane de Paula

Comer em casa tem ficado mais caro durante a pandemia. Em outubro, a alimentação no domicílio apresentou alta de preços de 2,4% na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em outubro.

Alguns dos itens que mais subiram de preço e puxaram a inflação no mês foram a batata inglesa (18,44%), o tomate (15,95%), o óleo de soja (15,44%), o arroz (11,41%) e a picanha (10,06%). O economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Allisson Martins, ressalta que, entre os componentes da cesta de consumo do cearense, os gastos com alimentação e bebidas são os de maior peso.

“Infelizmente, a perspectiva para os próximos meses ainda é de aceleração nos preços. Em razão da pandemia, as cadeias produtivas ainda estão em ajuste, falta insumos e a relação entre demanda e oferta ainda não está bem calibrada. São fatores que levam a perspectivas de subida”.

O economista ainda pontua que a alimentação fora do domicílio registrou variação de apenas 0,75%. “Ao contrário do que se observava antes da pandemia, está ficando mais caro comer em casa do que fora. E são justamente itens que fazem parte da dieta do dia a dia. Batata inglesa, tomate e arroz são consumidos quase diariamente pelos cearenses”, acrescenta Martins.

No sentido contrário, alguns itens de alimentação ficaram mais baratos, como manga (-27,82%), cebola (-13,35%), cheiro-verde (-9,14%), banana-prata (-6,63%) e alface (-4,26%). Martins explica que esses produtos são consumidos em menor quantidade, de forma que não são suficientes para frear a alta de preços.

No geral, o grupo de alimentação e bebidas apresentou variação de 1,98% em outubro e de 11,69% no ano. O segmento puxou a alta da inflação na RMF no mês passado a 0,83%, a segunda mais expressiva do País, atrás somente de Belém (1,18%). Mesmo com as variações crescentes dos últimos meses, o índice acumulado em 2020 até outubro está em 3,40%, patamar considerado abaixo da meta a ser perseguida de 4,5%, segundo Martins.

Alta transitória

O ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o País vive uma alta setorial e transitória de preços. Para ele, o fim de programas emergenciais implementados na pandemia do novo coronavírus vai reverter a trajetória de crescimento da inflação. 

Na avaliação de Guedes, o sucesso do auxílio emergencial pago a informais aumentou fortemente o poder de compra das classes mais baixas, elevando a demanda. “Estamos trabalhando para impedir que os efeitos sobre a inflação se perpetuem e para garantir que os efeitos sobre a atividade econômica se sustentem”, disse.

Guedes afirmou que a aprovação da autonomia formal do Banco Central (BC) é um passo importante para evitar que altas pontuais desse tipo se transformem em permanentes.

Para o ministro, será necessário aprovar reformas estruturantes para que seja mantido o fôlego observado na economia com o pagamento do auxílio. “A resposta para isso é investimento, melhora de ambiente de negócios e desbloqueio de marcos regulatórios”, afirmou.

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