Segunda onda da pandemia teve aumento de 161% dos casos de Covid-19 em Fortaleza

A primeira onda da doença contou com 59.103 casos confirmados na capital cearense; já a segunda somou 154.617 ocorrências

Escrito por Redação,

Metro
Casos Covid
Legenda: A multiplicação de casos confirmados da doença entre as duas ondas se dá por diversas causas, principalmente por conta do relaxamento nos cuidados de prevenção.
Foto: Thiago Gadelha

A disseminação da Covid-19 em Fortaleza contribuiu para um aumento de 161,6% dos casos confirmados da doença entre a primeira e a segunda onda na cidade, de 1º de março a 30 de setembro de 2020 e 1º de outubro a 8 de maio de 2021, respectivamente. Os exames realizados no período também sofreram crescimento de 102,2%.

No Ceará, também houve um acréscimo nesses índices, porém em proporções menores. O número de casos confirmados da doença cresceu 64,72% no Estado e os testes de detecção tiveram aumento de 49,12%. As informações são do IntegraSUS, portal de transparência da Secretaria da Saúde (Sesa).

Atualmente, as transmissões do vírus encontram-se em queda no Ceará, possibilitando a flexibilização do lockdown desde o dia 12 de abril. Apesar do cenário estar apresentando melhoras, ainda há preocupações com as taxas de positividade da Sars-Cov-2. Por isso, o último decreto estadual - divulgado na sexta-feira (7) - não avançou na retomada das atividades desta semana.

De acordo com a médica infectologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mônica Façanha, a multiplicação de casos confirmados da doença entre as duas ondas se dá por diversas causas, principalmente por conta do relaxamento nos cuidados de prevenção.

“Houve o período de festas no final do ano, as eleições, o carnaval e as férias, que são momentos nos quais as pessoas costumam se encontrar mais. Assim, a população passou a se sentir um pouco mais confortável de sair, de encontrar amigos, de confraternizar, o que proporcionou esse avanço”, explica a infectologista.

Outro ponto para o agravamento da crise sanitária foi o surgimento de novas variantes, como a P.1. A professora da UFC comenta que o aumento na diversidade de cepas do coronavírus em circulação no País “estava preocupando muito, porque a transmissão ocorria mais facilmente, contribuindo com o número grande de pessoas adoecendo na mesma casa, na mesma família, entre os amigos e conhecidos mais próximos”.

Acometimento de jovens

Além disso, o perfil de pessoas acometidas com a Covid-19 mudou entre as ondas. “Dessa vez, a gente teve um comprometimento muito grande dos jovens, seja porque eles estavam se sentindo mais seguros - se expondo mais - ou seja porque, desde o início, a preocupação foi voltada para os idosos, que corriam um risco maior de adoecer e vir a óbito”, pontua a médica Mônica Façanha.

O processo de vacinação - que priorizou os idosos - também contribuiu para que as pessoas de idade tenra ficassem mais seguras em relação à infecção em 2021. 

"Na primeira onda, ninguém sabia direito quais eram os maiores riscos, as maiores causalidades de transmissão. Então, essa parte do pavor era muito maior naqueles primeiros meses da pandemia", explica Mônica.

Diminuição das mortes

Apesar da elevação do número de casos na segunda onda, houve uma diminuição de 5,28% no índice de óbitos pela doença na capital cearense neste período. No primeiro momento, Fortaleza contabilizou 4.009 mortes e, posteriormente, 3.797.

Segundo a médica, possivelmente, isso ocorreu porquê as pessoas estão tendo um acompanhamento melhor do vírus atualmente, com mais conhecimento. “À medida que a doença foi se tornando mais conhecida, o atendimento e o cuidado com as pessoas passaram a ser mais efetivos”.

A especialista aponta as novas tecnologias disponíveis para atender pacientes como um fato positivo. Atrelado a isso, "a identificação dos sinais de gravidade do vírus ficou mais familiar para todos, não só pelos profissionais, mas também pela população, que passou a reconhecer o momento de não ficar mais em casa e procurar o atendimento”, continua.

Os cuidados devem permanecer

A infectologista ressalta também que as medidas de prevenção da Covid-19 devem permanecer, buscando a conscientização individual de cada pessoa. “Não podemos esquecer que as pessoas - mesmo vacinadas - precisam continuar usando máscaras, evitando aglomerações e mantendo a higienização das mãos e superfícies”.

Conforme relata a professora do curso de Medicina da UFC, o momento da pandemia tende a melhorar à medida que as pessoas forem tendo acesso à vacinação em massa. “Enquanto a gente não tiver uma proporção bem grande de pessoas vacinadas, a gente não pode pensar que já tá livre da doença”, destaca.

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