Enem Digital: novo formato ainda gera dúvidas sobre segurança e acessibilidade

Confira informações sobre local de prova, horários e formato dos testes

Computadores enfileirados em um laboratório de informática
Legenda: Estudantes que optaram pela versão digital do exame devem fazer a prova em computadores designados pelo Inep
Foto: Shutterstock

Cerca de 3.100 estudantes do Ceará estão inscritos na primeira versão do Enem Digital, que acontecerá nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021. O novo formato do Exame Nacional do Ensino Médio será aplicado em três cidades cearenses: Fortaleza, Sobral e Quixadá. Nacionalmente, são 96 mil inscritos na modalidade, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a modalidade deve ser expandida com o tempo, com consolidação prevista para 2026, quando ela poderá substituir a versão já conhecida. Com a novidade, surgem dúvidas sobre a aplicação do formato digital, sua segurança e viabilidade entre estudantes e pesquisadores da educação. 

Avaliação de falhas

Com a versão de teste das próximas edições, a diretora do Laboratório de Análise de Dados e Economia da Educação (EducLab), Alesandra Benevides, acredita que o Inep deve avaliar falhas e garantir provas impressas para os inscritos em caso de algum problema no modelo digital. No piloto aplicado em 2021, quem for afetado pelas falhas poderá fazer o exame novamente, no modelo tradicional, nos dias 24 e 25 de fevereiro. 

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Segurança digital, para Alesandra, deverá ser um dos pontos de investimento do MEC para evitar fraudes durante o exame. Além disso, a pesquisadora aponta a necessidade de levar em consideração a acessibilidade “para pessoas que estão um pouco distantes dessa realidade digital”. Ela sugere parcerias entre o ministério e as secretarias de educação estaduais e municipais como forma de diminuir as desvantagens desses alunos. A diretora ainda lembra que pessoas com deficiência também não estão incluídas no planejamento do piloto, cobrando que esses casos recebam a atenção que precisam.

Mesmo com preocupações em relação à aplicação, Alesandra vê o formato digital como positivo. “Esse é o futuro de testes como o Enem, como o Enad (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), como todos os testes que vão avaliar sua passagem por algum nível educacional. A gente está numa sociedade cada vez mais informatizada, embora tenha localidades no País que estão absolutamente isoladas, sem acesso à tecnologia”, pondera. Ela acredita que a redução de gastos com a impressão é outro benefício do modelo.

"Ganhar experiência"

Para entender melhor como o Enem Digital funciona, a aluna do curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC) Rebeca Sobrinho, 20, decidiu fazer a prova mais uma vez. Já com vaga no ensino público superior, a motivação da estudante agora é ganhar experiência sobre a prova. “Eu estou fazendo mesmo só por curiosidade, para saber como vai ser. Até para compartilhar com meus futuros alunos que irão fazer o Enem Digital”, explica.

Rebeca já fez a prova outras três vezes, duas tentando vaga em universidades e uma como treineira. Para ela, o Enem tradicional é uma prova “exaustiva” e espera que, por ser digital, o novo formato seja menos cansativo. “No papel a gente se depara com muito texto, e no formato digital a gente meio que já tá acostumado a ficar na tela por várias horas”, diz, apesar de saber que os dois estilos têm a mesma duração, quantidade de questões e provas.

A aluna acredita também que a forma informatizada pode trazer mais agilidade para os inscritos. “A gente não vai perder tempo preenchendo gabarito, por exemplo, as questões já vão ser salvas automaticamente”. Para se preparar, ela decidiu resolver questões de provas anteriores já pelo computador. Antes, quando estudava para a prova tradicional, Rebeca fazia a impressão de simulados. 

Rebeca gostaria ainda que a redação fosse digitada, mas entende a necessidade dessa prova continuar da forma tradicional devido às desigualdades em relação ao acesso à internet e a familiarização com computadores. A acessibilidade também faz a estudante questionar a viabilidade da implantação do Enem Digital em nível nacional. “Tem muitas escolas que não tem nem laboratório de informática”, lembra.

Confira as principais informações sobre a primeira edição do Enem Digital:

Local de prova

Não será possível fazer o Enem Digital de casa. Quem escolheu essa modalidade deve se dirigir a locais especificados pelo Inep e fazer o exame a partir de computadores pré-selecionados pelo instituto. Assim como na prova tradicional, é proibido o uso de qualquer dispositivo pessoal que tenha acesso a internet ou que possa realizar gravações. 

Conteúdos

O exame digital deve cobrar as mesmas competências e habilidades da prova de papel. São 45 questões sobre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, 45 sobre Ciências Humanas e suas Tecnologias e a prova Redação no primeiro dia. No segundo domingo, a mesma quantidade de questões serão aplicadas para Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. 

Prova de redação

Apesar da prova ser digital, a redação ainda continua sendo feita no papel. Os alunos devem receber a folha de redação e folha de rascunho, assim como quem optou por fazer a forma tradicional do exame. Portanto, ainda é necessário levar caneta preta de plástico transparente no dia da aplicação do teste.

Tempo de prova

A mesma quantidade de horas será disponibilizada para quem irá fazer o exame digital e impresso. No primeiro dia são 5 horas e 30 minutos, enquanto no segundo apenas 5 horas. O horário de início das provas também será o mesmo, com abertura de portões às 12h, fechamento às 13h e início das provas às 13h30min, de acordo com o fuso de Brasília.

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