Agronegócio do Estado foca no mercado externo
PecNordeste segue hoje com palestras, exposições e atrações voltadas ao desenvolvimento
O desconhecimento sobre comércio exterior e a falta de cultura exportadora por parte dos produtores faz com que o mercado externo seja realidade em apenas 0,1% das empresas em atividade no País. Desta forma, com o objetivo de preparar os produtores e empresários rurais para atuar no mercado externo, segue hoje, no Centro de Eventos do Ceará, uma série de palestras e seminários com informações e dicas para possibilitar a atuação no exterior.
O Seminário Internacional de Comércio Exterior da Rede Inteagro é parte da programação do Seminário Nordestino de Pecuária (PecNordeste). O evento foi aberto ontem e contou com as presenças do governador do Estado, Camilo Santana, além dos secretários estaduais Nelson Martins (Casa Civil), Dedé Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Inácio Arruda (Ciência e Tecnologia); os presidentes do CNA, João Martins da Silva, da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, e da Fiec, Beto Studart; o superintendente do Sebrae-CE, Joaquim Cartaxo Filho; os deputados Raimundo Gomes de Matos e Daniel Oliveira; dirigentes de órgãos e representes do setor.
Com o tema "Água e Semiárido: uma nova postura", o evento foi elogiado pelo governador. "O Nordeste vive um momento difícil, com quase seis anos consecutivos de seca. Fui cobrado fortemente a fazer racionamento, mas quem mais sai prejudicado com isso é a população, principalmente os mais pobres, que começam a armazenar água em casa, o que gera um problema de saúde pública muito forte. Nós precisamos buscar alternativas para evitar esse tipo de coisa. Esse é um momento de muita reflexão", disse.
Durante a tarde, o Inteagro abrigou três palestras sobre exportação. A primeira, foi ministrada pelo coordenador de competitividade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Tiago Terra.
"Trouxemos para os produtores do agronegócio do Ceará um pouco do conhecimento sobre o mercado externo e o comércio exterior como um todo. O que se deve exportar, se a empresa deve se envolver com o mercado externo. E, ao falar de comércio exterior, temos que lembrar algo significante, que é a diversificação. Exportando, eu consigo novos clientes, consigo ter acesso a novas tecnologias, novos métodos e processos de produção, que me fazem produzir mais, ter mais eficiência, ser mais competitivo e, por fim, consigo ter rendimento financeiro melhor dos investimentos que faço no meu negócio", destacou.
Terra apontou que enxerga grande potencial na agroindústria cearense, que pode e deve ser explorado.
"Quando a gente vem falar o porquê exportar, é para trazer para o mundo do agronegócio uma visão de que o produtor também deve estar envolvido com o comércio exterior. O agronegócio brasileiro é responsável por 40% das exportações do País. Potencializar esse setor pode ser um meio também de abrirmos portas em outros mercados. O agronegócio é a primeira necessidade de qualquer país, as pessoas precisam comer. E ele abre portas para o Brasil vender", pontuou.
Crise
O analista de comércio exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Miguel Marques da Silva, informou que cerca de 0,1% das empresas do País exportam. Ele aponta, contudo, que a decisão de vender para o exterior tem de ser planejada a médio e longo prazo, com inteligência.
"No ano de 2016, atingimos o recorde de empresas exportadoras, mais de 25 mil. Nós temos em torno de 20 milhões de empresas no País. Lógico que nem todas tem perfil para exportar, mas se considerarmos só as empresas industriais, são em torno de 1,5 milhão. Mas a exportação não deve ser encarada como uma saída para a crise. Ela tem que ser pensada no médio e longo prazo e não ser usada como remédio", afirmou.
Silva citou, ainda, a falta de informação. "Apesar de que hoje já é bastante difundida a matéria de comércio exterior, os procedimentos, ainda existe essa carência de informação. Outro fator é a falta de cultura exportadora no Brasil", pontuou.