Antes de se tornar alvo de zombaria, família diz que paciente transplantada foi agredida por enfermeira

Segundo a família, a agressão sofrida pela jovem se deu após uma discussão entre paciente e enfermeira

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Redação producaodiario@svm.com.br
Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, paciente que foi transplantada e agredida por enfermeira deitada em uma cama de hospital
Legenda: Desde de 2004, Vitória realizava seu tratamento no Instituto, passando pela sua primeira internação em 2023, estado em que ficou até sua morte
Foto: Arquivo pessoal

A família da jovem Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, que foi alvo de zombaria por parte de duas alunas de Medicina após passar por três transplantes de coração, afirma que a paciente foi agredida por uma enfermeira. A informação é do Metrópoles.

Segundo o portal, a profissional de saúde fazia parte do mesmo hospital das estudantes Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano, o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo.

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A enfermeira teria sido afastada após o diretor executivo da entidade, Fábio Nakandakare Kawamura, em ofício ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), afirmar que a suposta agressão seria avaliado pela Comissão de Ética em Enfermagem da unidade.

Após uma apuração que apontou "indícios suficientes para a falta disciplinar", o gestor resolveu pelo desligamento da profissional.

“O Instituto do Coração repudia com veemência qualquer tipo de violência, seja ela física, moral ou psicológica contra seus pacientes ou seus colaboradores e permanece em constante vigilância para coibir tais práticas”, expressa trecho do ofício obtido pelo Metrópoles.

INCOR E ZOMBARIA

Desde de 2004, Vitória realizava seu tratamento no Instituto, passando pela sua primeira internação em 2023, estado em que ficou até sua morte, em fevereiro deste ano. As zombarias aconteceram dias antes do seu falecimento.

Ainda segundo a família, a agressão sofrida pela jovem se deu após uma discussão entre paciente e enfermeira. Ao procurar uma delegacia para registrar a violência, Cláudia Aparecida da Rocha Chaves, mãe de Vitória, disse que somente a vítima poderia fazer.

“Não quiseram formalizar o BO, alegando que a Vitória era maior de idade e ela precisava fazer isso [...] Aí me disseram que precisaria de uma procuração, mas o cartório cobrava um valor alto para ir até o hospital e a gente não tinha esse dinheiro”, compartilhou ao portal.

TRANSPLANTADA

Vitória recebeu o diglótico de grave cardiopatia congênita rara, a Anomalia de Ebstein, que afeta a válvula do coração, quando ainda estava na barriga de sua mãe.

Em busca de tratamento, deixou o interior de Goias e, aos quatro anos, foi a São Paulo. Passou mais de um ano na fila de espera, até receber o primeiro transplante cardíaco em 2005.

Os problemas da paciente voltaram dez anos depois da cirurgia, quando foi necessário um novo transplante em 2016, pois seu coração funcionava com 3% da sua capacidade.

A jovem ficou internada em um hospital do Distrito Federal, em 2019, após sofrer rejeição aguda do órgão. Apesar disso, ela recebeu liberação médica e foi de ambulância fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

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