Quem é Noelia Castillo Ramos, jovem autorizada a realizar eutanásia após disputa judicial na Espanha

História da espanhola de 25 anos viralizou após episódios de vulnerabilidade, incluindo abusos sexuais desde a infância.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:04)
Antes da paraplegia, Noelia relatou ter enfrentado episódios de vulnerabilidade, incluindo abusos.
Legenda: Antes da paraplegia, Noelia relatou ter enfrentado episódios de vulnerabilidade, incluindo abusos.
Foto: Reprodução/La Televisión Pública Argentina

A espanhola Noelia Castillo Ramos, de 25 anos, deve passar por eutanásia nesta quinta-feira (26), em Barcelona, após obter autorização definitiva da Justiça depois de quase dois anos de disputa judicial. A informação é do jornal El País

Diagnosticada com paraplegia irreversível desde 2022, Noelia teve o pedido de morte assistida aprovado inicialmente em julho de 2024, após avaliação da Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha, que atestou quadro clínico irreversível, com dor crônica e sofrimento intenso. 

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O procedimento, no entanto, foi suspenso após decisão judicial motivada por um recurso apresentado pelo pai da jovem, que contestava a capacidade da filha de tomar a decisão. A partir disso, o caso percorreu diferentes instâncias judiciais, incluindo tribunais na Espanha e na Europa. 

Ao longo do processo, cinco instâncias analisaram o caso e mantiveram o entendimento de que Noelia tinha capacidade mental para decidir. O Tribunal Supremo espanhol rejeitou o recurso em janeiro deste ano, seguido por decisões contrárias à suspensão também no Tribunal Constitucional e no Tribunal Europeu de Direitos Humanos. 

Segundo o El País, o caso ganhou repercussão por expor debates sobre a legislação da eutanásia na Espanha e o limite da interferência familiar em decisões individuais. 

Noelia sofreu abusos sexuais 

Antes da paraplegia, Noelia relatou ter enfrentado episódios de vulnerabilidade, incluindo abusos sexuais desde a infância.

A condição física atual é consequência de uma queda do quinto andar de um prédio, em outubro de 2022, dias após um estupro coletivo praticado por três homens. Desde então, ela vivia em uma instituição de cuidados, convivendo com dores constantes e sofrimento psicológico. 

Em entrevistas, a jovem afirmou que manteve a decisão ao longo de todo o processo e descreveu o cotidiano como marcado por dor contínua. O procedimento deve ocorrer em uma unidade sociossanitária na região da Catalunha.