Pectina: veja para que serve e benefícios da composição

Substância é um aliado poderoso na luta contra o colesterol alto e a diabetes

Escrito por Isabella Rifane* producaodiario@svm.com.br
12 de Maio de 2023 - 08:00 (Atualizado às 08:08)
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Legenda: Utilizada em geleias e compotas, pectina pode ser encontrada em frutas
Foto: Shutterstock

De iogurtes industrializados a geleias de frutas caseiras, a pectina está presente em grande parte dos produtos consumidos diariamente. O composto, extraído de frutos e hortaliças, é conhecido por conceder viscosidade e maciez aos alimentos. 

Além disso, a substância também integra o time das “fibras funcionais”, elementos que proporcionam benefícios à saúde humana. A pectina, por exemplo, ajuda a combater a diabetes e diminui o colesterol

O Diário do Nordeste conversou com especialistas e descobriu outros benefícios do composto vegetal e onde encontrá-lo. Confira!

O que é? 

De acordo com Tiago Lima*, professor do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pectina é considerada uma "fibra solúvel", ou seja, é um tipo de fibra que se dissolve em água.

Além disso, a substância é classificada como "prebiótica", pois facilita o crescimento de bactérias benéficas no intestino, já que, ao ser ingerida, não é danificada por saliva ou ácido gástrico.

Para encontrá-la na natureza não é preciso ir muito longe, uma vez que a pectina pode ser obtida em partes de frutas e hortaliças normalmente descartadas, como cascas e bagaço.

Tipos de pectina

Também professora do curso de Engenharia de Alimentos da UFC, Lucicléia Barros* explica que existem três tipos de pectina, divididos a partir do grau de esterificação ou metoxilação, sendo eles:

  • Pectinas de Alta Esterificação (ATM) ou Pectinas HM
  • Pectinas de Baixa Esterificação (BTM) ou Pectinas LM
  • Pectinas Amidadas de Baixa Esterificação ou Pectinas Amidadas LM

Para que serve?

Na indústria alimentícia, ela é usada na produção de iogurtes e geleias industrializadas. Entre as principais funções da substância no processo de fabricação, a nutricionista Marina Fortes*** destaca:

  • Espessante: age aumentando a viscosidade do alimento.
  • Emulsificante: facilita a combinação de ingredientes que, normalmente, não se misturariam

Composto é responsável por potencializar a viscosidade de alimentos
Legenda: Composto é responsável por potencializar a viscosidade de alimentos
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Benefícios da pectina

Ainda segundo a profissional de saúde, o composto vegetal é considerado uma “fibra funcional”, ou seja, ele apresenta propriedades que melhoram a saúde e a qualidade de vida do ser humano. Confira algumas delas:

  • Diminui o colesterol: a substância reduz a absorção de gordura, ajudando a controlar o nível de colesterol no sangue.
  • Combate a diabetes: atraindo as moléculas de glicose logo após as refeições, a pectina auxilia na digestão, retardando a absorção do carboidrato.
  • Protege o sistema digestivo: Além de eliminar toxinas do fígado, o composto vegetal também protege a mucosa do estômago. 
  • Melhora a prisão de ventre: ao ser ingerida, a pectina transforma-se em uma espécie de gel viscoso, facilitando o trânsito intestinal e melhorando o funcionamento do sistema digestivo.

Pectina cítrica

Como o próprio nome já revela, a pectina cítrica é aquela extraída de frutos cítricos. Apesar de apresentar tonalidade mais clara do que outras variedades do composto, como a extraída do bagaço da maçã, ela possui as mesmas propriedades funcionais das outras versões, de acordo com Lucicléia.

Laranja é uma das frutas com maior concentração de pectina
Legenda: Laranja é uma das frutas com maior concentração de pectina
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Alimentos ricos em pectina

Para garantir a presença do composto vegetal na alimentação cotidiana, Marina recomenda que frutas cítricas, como laranja, tangerina, amora e limão, sejam incluídas no cardápio do café da manhã ou do lanche da tarde.

No café da manhã, a pectina está presente em geleias e doces
Legenda: No café da manhã, a pectina está presente em geleias e doces
Foto: Shutterstock

Outras opções de alimentos ricos na substância pertencem ao grupo das hortaliças, sendo elas: cenoura, batata, beterraba e ervilha

Como usar a pectina na produção de geleias caseiras?

Segundo Lima, a pectina pode ser preparada em casa, sendo extraída através do aquecimento dos resíduos vegetais, como bagaço de maçã e cascas de melancia e maracujá. 

Para utilizar a substância na produção de geleias e compotas, o especialista indica que o bagaço ou a “parte branca” da casca sejam fervidos por, aproximadamente, 20 minutos, em quantidade de água suficiente para manter o alimento submerso. Em seguida, o material deve ser coado.

Com a extração caseira de pectina, é possível produzir geleias e compotas
Legenda: Com a extração caseira de pectina, é possível produzir geleias e compotas
Foto: Shutterstock

Ao final do processo, a substância estará pronta para ser utilizada na produção de doces e geleias de frutas. Vale lembrar que a formação eficaz do gel está relacionada ao nível de açúcar e acidez do alimento.

Após a extração, o composto poderá ser armazenado de 1 a 3 meses sob refrigeração, e em recipientes devidamente higienizados, como frascos de vidro lavados, para evitar o surgimento de fungos e bactérias.

Onde encontrar?

De acordo com Lucicléia Barros, a pectina utilizada em receitas pode ser adquirida em lojas que vendam artigos para doces e sorvetes. Já a usada em processos industriais deve ser encontrada em lojas de produtos químicos. 

No mercado, é possível encontrar versões em pó da substância vegetal
Legenda: No mercado, é possível encontrar versões em pó da substância vegetal
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Outra dica, dada pelo professor Lima, é procurar a substância em lojas que comercializem produtos naturais.

Pectina Perguntas frequentes
 
*Tiago Lima é graduado em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará-UFC (2011), possui mestrado e doutorado em Engenharia Química também pela UFC. Atualmente, é professor do Departamento de Engenharia de Alimentos da UFC, e possui experiência na área de Engenharia de Alimentos com ênfase em bioprocessos e valorização de resíduos agroindustriais.

**Lucicléia Barros é professora e pesquisadora do curso de Engenharia de Alimentos e da Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará. Coordena o Laboratório de Frutas e Hortaliças. Tem experiência na área de Química, com ênfase em alimentos e compostos bioativos.

***Marina Fortes é nutricionista clínica, possui pós-graduação em Nutrição Esportiva aplicada ao Exercício Físico e é especialista em Modulação Intestinal e Saúde da Mulher.

*Sob supervisão de Mariana Lazari e Felipe Mesquita.

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