Exames médicos antes da academia são obrigatórios? Entenda

Escrito por
Nathália Paula Braga* producaodiario@svm.com.br
A imagem mostra um homem realizando um teste de esforço em uma esteira, com sensores e máscara de oxigênio conectados ao corpo. Ao lado, um médico.
Legenda: O ideal é que toda academia tenha uma ficha de anamnese e aplique o questionário Par-Q.
Foto: GorodenkoffShutterstock.

Embora não sejam obrigados por lei, os exames médicos antes do início de atividades em academias são recomendados por profissionais de saúde para identificar no aluno possíveis riscos e garantir a segurança dos treinos.

O caso vem à tona após Fortaleza registrar, no intervalo de uma semana, duas mortes súbitas em academias. O primeiro óbito ocorreu no dia 13 de outubro, quando um homem de 44 anos morreu em uma unidade da Gaviões no bairro Castelão. Na última segunda (20), um homem de 45 anos também se tornou vítima na mesma rede de academias, mas na Washington Soares. 

Ao Diário do Nordeste, o especialista em Nutrologia e Medicina esportiva, Adriano Antunes, explica que na ausência de leis, os conselhos médicos orientam que os estabelecimentos exijam, pelo menos, atestado médico dos alunos. 

A recomendação dos conselhos é de que sim, se faça, pelo menos a apresentação de um atestado médico,  mas não existe oficialmente a exigência de algum exame médico para o paciente se matricular nas academias".
Adriano Antunes
Nutrologia e Medicina esportiva

O que diz o CREF sobre a segurança nas academias

Segundo o presidente da Câmara de Atividade Física e Saúde do CREF5-CE, Welton Godinho, o Conselho Federal de Educação Física (Confef), orienta, desde 2012, que academias realizem uma avaliação física detalhada e encaminhem para avaliação médica alunos com fatores de risco identificados.

O ideal é que toda academia tenha uma ficha de anamnese completa, aplique o questionário Par-Q e encaminhe quem apresentar respostas positivas para um médico. A partir disso, o profissional de Educação Física individualiza o treino e monitora a intensidade do esforço.
Welton Godinho
Presidente da Câmara de Saúde do CREF5-CE.

Par-Q é um Questionário de Prontidão para Atividade Física, de autoavaliação que identifica possíveis riscos ou limitações de saúde.

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No Brasil, não existe uma Lei Federal que obrigue estados e municípios a possuírem equipamentos para reanimação, como os Desfibriladores Externos Automáticos (DEA) para casos de parada cardiorrespiratória. Essa exigência varia de acordo com cada estado e município.

Em Fortaleza, por exemplo, a Lei Municipal nº 10.729/2018 determina que locais com circulação acima de duas mil pessoas por dia mantenha o equipamento em funcionamento.

“A norma cita clubes, mas pode abranger academias de grande porte, dependendo da movimentação diária de alunos”, explica Welton.

Riscos cardíacos com o uso de Canetas Emagrecedoras 

A imagem mostra várias canetas injetoras de medicamentos, dispostas sobre uma superfície branca.
Legenda: Canetas emagrecedoras pode aumentar risco de morte súbita.
Foto: Mohammed Al Ali/Shutterstock

Nas redes sociais do Diário o Nordeste, leitores levantaram dúvidas sobre uma possível relação das canetas emagrecedoras e as mortes em academias.

Adriano esclarece: "O uso de caneta, sim, pode estar relacionado com um aumento desses casos, principalmente porque muitas pessoas que estão entrando agora no mundo fitness," explica o especialista. 

Essas pessoas estão utilizando essas canetas, mas não estão condicionando seu corpo para as atividades físicas, então o paciente tem uma perda brusca de peso, consequentemente pode perder massa muscular, incluindo o músculo cardíaco, o que vai fazer com que ele fique fora de condicionamento, associado à utilização de outras substâncias, isso pode provocar uma sobrecarga cardíaca e consequentemente isso pode afetar o funcionamento do coração.
Adriano Antunes
Nutrologia Medicina esportiva

Orientações do CREF-CE para academias 

O conselho orienta as academias a revisar e formalizar um plano de emergência.

Welton explica que o CREF está montando um PDF com um checklist para distribuir entre as unidades das academias. Dentre os pedidos no checklist estão:

  • Implantação e revisão de planos de emergência;
  • Treinamento em ressuscitação cardiopulmonar;
  • Uso correto do desfibrilador;
  • Triagem médica na matrícula;
  • Sinalizar rotas de acesso para equipes de resgate;
  • Realizar simulações periódicas de emergência.

Lei em Tramitação

Existe um Projeto de Lei Federal (PL 736/2015), em tramitação na Câmara dos Deputados, que torna obrigatória a disponibilização de desfibrilador cardíaco em locais de grande concentração de pessoas em todo o território nacional.

Em maio deste ano, o deputado federal cearense Yuri do Paredão apresentou o PL 2305/2025, que foi anexado ao já existente há 10 anos.

Atualmente, o projeto de lei se encontra na Comissão de Saúde, com o relator deputado Luiz Ovando (PP-MS). A última tramitação ocorreu no dia (13).

Adriano Antunes é graduado em Medicina em 2010 pela Escola Latino Americana de Medicina, revalidado pela UECE 2014, pós-graduação em Urgência e Emergência 2015, Medicina do Esporte e Exercício 2018 e em Nutrologia 2021.

Welton Godinho Possui graduação em Educação Física (Uece/2005), Doutor em Ciências Fisiológicas ( ISCB/Uece/2022), Mestre em ciências Fisiológicas (ISCB/2017), Especialista em Treinamento de Força (Uece/2017) {...} Presidente da câmera de saúde (CREF5), Diretor Cientifico da Federação Cearense de Culturismo Musculação e Fitness, presidente da comissão técnica/científica da Associação Cearense de Personais Trainers (ACEPT).

*Estagiária sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita.

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