Acupuntura: o que é, para que serve e quais tipos existem

Método terapêutico ajuda no tratamento e prevenção de doenças, por meio da estimulação de terminações nervosas com agulhas finas

Imagem de uma agulha de acupuntura sendo colocada nas costas de uma mulher
Legenda: A acupuntura se utiliza de agulhas finas para estimular terminações nervosas
Foto: Shutterstock

Terapia milenar originária da China, a acupuntura se tornou uma das formas mais disseminadas de medicina alternativa.  

Através da inserção de agulhas bem finas, pontos específicos na superfície da pele são estimulados. Como efeito, há uma mobilização de energia no corpo, a partir da qual doenças são tratadas ou mesmo prevenidas. 

Dentre as técnicas da Medicina Tradicional Chinesa, a acupuntura parte do princípio de que as doenças são causadas por um desequilíbrio em uma força vital invisível. E as agulhas inseridas no corpo do paciente atuam justamente para restaurar o equilíbrio energético.  

Portanto, é um método terapêutico que equilibra e harmoniza a energia interna do organismo com as energias do ambiente, auxiliando no tratamento de doenças e proporcionando melhor qualidade de vida e bem-estar.  

A Organização Mundial de Saúde (OMS), inclusive, reconhece que a acupuntura atua de forma eficaz em diversas dores crônicas/patologias como depressão, cefaleias, enxaquecas, gastrites, tendinites, entre outras. 

A acupuntura foi introduzida no Brasil pelos primeiros imigrantes japoneses, por volta de 1908. Mas registros históricos apontam que os índios já praticavam técnicas rudimentares muito semelhantes à acupuntura, antes mesmo de 1500, com a inserção de espinhos no corpo. 

Hoje, assim como a ioga, a fitoterapia ou a homeopatia, o método terapêutico faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, 29 recursos terapêuticos auxiliam pacientes nos tratamentos convencionais.  

Mas quais os pontos de acupuntura? Em que casos ela é mais indicada? Há efeitos colaterais? Para responder essas e outras questões, o Diário do Nordeste consultou a fisioterapeuta e acupunturista Mariana Arruda*, profissional com 11 anos de experiência na área. 

A acupunturista Mariana Arruda em atuação
Legenda: A fisioterapeuta Mariana Arruda trabalha como acupunturista há mais de 10 anos
Foto: Arquivo pessoal

O que é acupuntura?  

Acupuntura é uma técnica terapêutica existente há mais de cinco mil anos, que consiste em “prevenir e tratar doenças através da mobilização da energia do corpo usando pequenas agulhas e calor que são aplicados em vários pontos específicos ao longo de todo corpo”, sintetiza a acupunturista Mariana Arruda. 

Como funciona?  

Quando a energia circula livremente pelas vias energéticas, o corpo se mantém saudável. Porém, se por algum motivo – seja atrelado à alimentação, emoção, lesão, clima, etc. - essa energia falta, excede ou se acumula em algum ponto, as doenças e os desconfortos surgem.  

Através das agulhas e do calor aplicados corretamente, o acupunturista consegue redirecionar e normalizar esse fluxo, restabelecendo a saúde física, energética, mental e emocional do indivíduo, explica a fisioterapeuta. 

Para que serve? Quais os benefícios? 

Conforme Mariana, a acupuntura é uma modalidade terapêutica muito ampla, pois trata de desequilíbrios de energia, atuando “em praticamente todos os desconfortos do ser”. Pode ser adotada para tratar enxaqueca, dor muscular, tendinite, capsulite, bursite, artrite, artrose, neurites, paralisia facial, pressão alta ou baixa, problemas circulatórios, cardiorespiratórios, digestivos, genito-urinários, emocionais, etc. 

Já nas afecções incuráveis ou de difícil tratamento, a acupuntura atua aliviando os sintomas e gerando mais conforto.  

Mão aplicando agulha fina na pele
Legenda: Na maioria das vezes, a punção das agulhas é indolor ou praticamente indolor
Foto: Shtuterstock

"Nos casos de câncer, alivia os enjoos causados pela quimioterapia, trata as queimaduras da radio[terapia], melhora a força de vontade e demais sintomas”, lista Mariana. 

Apesar de aliviar sintomas e tratar doenças em fase de desenvolvimento, a acupuntura atua tradicionalmente melhor como alternativa de prevenção.   

“Fazendo acupuntura regularmente evitamos muitas doenças e outras que por ventura aparecerem, não terão grande impacto [na saúde]”, reforça a acupunturista. 

Em que casos a acupuntura pode complementar tratamentos?   

A acupuntura ainda pode ser adotada para auxiliar/complementar tratamentos de Parkinson, fibromialgia, síndromes nervosas, tabagismo, síndromes locomotoras, na gestação, na facilitação do parto, nas síndromes respiratórias, etc. 

Quais os tipos?   

Historicamente, há relatos não somente de acupuntura chinesa, como também japonesa, coreana, indiana, egípcia, entre outras.  

Quando se fala em técnica, há:

  • Acupuntura sistêmica, a partir da qual agulhas são inseridas por todo o corpo;
  • Crâniopuntura, com agulhas aplicadas apenas na cabeça;
  • Auriculoacupuntura, com agulhas direcionadas à orelha;
  • Quiropuntura, com a inserção de agulhas curtas na mão; entre outras. 

Manequim feminino com pontos de acupuntura marcados com pontos e agulhas
Legenda: Segundo Mariana Arruda, existem cerca de 72 mil pontos de acupuntura espalhados pelo corpo
Foto: Shutterstock

Onde ficam os pontos de acupuntura?  

Há 365 pontos principais da acupuntura, que ficam localizados na superfície da pele ao longo de linhas que percorrem todo o corpo: membros, tronco e cabeça. Mas existem muitos outros pontos espalhados pelo corpo, totalizando cerca de 72 mil. 

Qual a sensação durante a aplicação das agulhas? Há dor?  

Na grande maioria das vezes, a punção das agulhas é indolor ou praticamente indolor. Porém, em alguns locais, o paciente pode sentir calor, frio, coceira ou até algo como uma pontada ou choque que percorre um caminho do corpo, sensação de pressão ou peso, dentre outras. 

Qualquer pessoa pode fazer? Há contraindicações?  

Crianças a partir de um mês de vida e idosos de qualquer idade podem fazer acupuntura. No entanto, existem restrições de pontos, a depender da condição de cada indivíduo.  

“Nas gestantes, por exemplo, a cada mês, alguns pontos se tornam proibidos e outros permitidos”, endossa a especialista.  

Há algum efeito colateral?  

De acordo com Mariana Arruda, normalmente, a acupuntura não provoca efeitos colaterais. Contudo, em alguns casos, "pode ocorrer a punção de vasos sanguíneos de pequeno calibre, acarretando um pequeno sangramento, hematoma ou edema local que desaparece em poucos dias".

Embora seja mais raro, o indivíduo também pode sentir cansaço e sonolência após a sessão, com sensação de febre, mas de curta duração.

Agulhas finas inseridas na orelha de um homem
Legenda: A auriculoterapia é uma modalidade da acupuntura
Foto: Shutterstock

Como ocorre uma sessão de acupuntura? 

Inicialmente, o terapeuta avalia o paciente, através de uma série de perguntas, observação visual e palpação de pontos específicos, conforme a queixa.  

"Ele deve avaliar a língua e o pulso do indivíduo para juntar todas essas informações na escolha adequada dos pontos ideais para cada caso", detalha Mariana.

Em seguida, o terapeuta insere as agulhas e, a depender da queixa, o paciente pode ficar deitado por cerca de 15 a 40 minutos. Ou ser submetido a alguns exercícios específicos. 

Nesse período, o profissional pode utilizar a técnica moxa, também chamada de moxaterapia ou moxabustão, que consiste na aproximação de um bastão de artemísia (planta medicinal) em brasa em pontos específicos do corpo. A aplicação do calor direta ou indiretamente sobre a pele tem como objetivo tonificar e mobilizar sangue e energia. 

A moxaterapia é uma técnica que aquece pontos de acupuntura ou áreas do corpo a serem tratadas
Legenda: Assim como na acupuntura, a moxabustão é capaz de desobstruir os bloqueios de energia
Foto: Shutterstock

Há algum cuidado a tomar antes de ir a uma sessão? 

Opte por não ingerir álcool antes ou depois da sessão de acupuntura. Além disso, evite comer em demasia em horário próximo ao atendimento.

Qualquer pessoa pode exercer a acupuntura profissionalmente?

Embora a prática seja livre a todos os profissionais de saúde, a acupuntura é tida como especialidade médica. Por isso, não é recomendado fazer o método terapêutico com qualquer pessoa. 

"O ideal é sempre procurar profissionais habilitados, com referência e de preferência com formação na área da saúde, como fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, médicos, terapeutas ocupacionais, etc.", reforça Mariana.  

*Mariana Arruda é fisioterapeuta graduada pelo Centro Universitário Estácio do Ceará - Estácio FIC e acupunturista pela Associação Brasileira de Acupuntura (ABA) e Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como profissional da área e professora há 11 anos.