Vítimas detalham abusos sexuais cometidos pelo médico e prefeito de Uruburetama; veja vídeo

"Era o médico que cuidou da minha mãe. Uma pessoa de confiança, né? Aí você passa por um procedimento desse e é decepção. Isso mata aos poucos", disse uma das mulheres

Os traumas nas vidas das pacientes que passaram pelo médico José Hilson de Paiva, de 70 anos, atual prefeito de Uruburetama, município localizado a 110Km de Fortaleza, ficam nítidos por meio dos relatos destas mulheres. Seis, das, pelo menos, 17 mulheres que sofreram os abusos, concederam entrevistas ao Sistema Verdes Mares.

"Eu sentia que não era um exame qualquer como eram os outros. Eu dizia: não, eu não quero mais. E ele dizia: mas o exame não acabou, tem que terminar o exame. Nunca contei porque eu ficava com medo das pessoas saberem e contarem para o meu marido. Ele me ameaçava, dizia que ia me dar isso, ia me dar aquilo, ia me dar dinheiro para sempre ficar indo no consultório dele", contou uma das mulheres. 

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A cada depoimento é possível perceber o modo como o médico agia e se aproveitava, muitas vezes, da desinformação por parte das vítimas. Todas as entrevistadas terão suas identidades preservadas. Outra vítima lembra que procurou o ginecologista porque queria engravidar, mas não conseguia. Ela afirma que na consulta o médico perguntou se ela tinha algum problema no útero e mandou que ela deitasse na cama. Já na maca, José Hilson teria ordenado que ela fizesse sexo oral. Quando a mulher se negou, o ginecologista alegou que se o sonho dela era engravidar, ela tinha que fazer aquilo, porque era um tratamento para que ela conseguisse o que queria: "Ele disse que eu podia procurar qualquer médico, mas que era isso que ia acontecer, que era o que todo médico fazia".

Em outra ocasião, ainda com a mesma vítima que tentava engravidar, o médico teria dito que precisava 'desvirar o útero da mulher'. Para o procedimento, ele pediu que ela tirasse a roupa e ficasse de costas. Ela recorda que no momento que atendeu ao pedido, ele ficou por trás colocando o dedo na sua vagina.

"É uma coisa que tu vai porque tu precisa, não tem para onde correr. Aí o cara faz um negócio desse. Ele disse que fazia para evitar uma cirurgia, ele ia tentar desvirar meu útero", disse. Outro relato de uma terceira vítima traz que o médico disse durante consulta que precisava tirar fotos dos seios dela para que ele visse no computador se ela tinha algum caroço, algo anormal.

A vítima só percebeu que aquilo se tratava de um abuso quando meses depois procurou outro ginecologista e o médico disse que "tava tudo errado: "As pessoas pensam que aquilo ali é normal. Fala fino, jeitoso com as palavras, dizendo que podia usar aquilo e que era muito sábio. Isso me chocou muito devido à confiança que eu tinha em médico. Era o médico que cuidou da minha mãe. Uma pessoa de confiança, né? Aí você passa por um procedimento desse e é decepção. Isso mata aos poucos", acrescentou. 
 

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