Três PMs e servidor da perícia são presos em operação contra fraude ao concurso da Polícia Civil do CE

Os servidores públicos detidos são funcionários dos estados de Pernambuco e Bahia.

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
(Atualizado às 09:12, em 05 de Fevereiro de 2026)
A imagem mostra vários policiais civis, em pé, fardados e armados, fazendo uma reunião antes de uma operação.
Legenda: Cerca de 60 policiais civis do Ceará participaram do cumprimento de mandados, na operação, no Ceará e em outros estados.
Foto: Divulgação/ SSPDS.

Três policiais militares e um servidor da perícia foram presos em uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), na última terça-feira (3), contra uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos. 

Entre os certames que teriam sido fraudados pelo grupo criminoso, está o concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará, que teve provas aplicadas em agosto do ano passado.

8
suspeitos de integrar a organização criminosa foram presos - sendo cinco por força de mandados de prisão e três presos em flagrante.

A reportagem apurou que o sargento da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), Matias Moreira Neto, e o agente de medicina legal de Pernambuco, Sátiro Furtado Leite Neto (que dizia nas redes sociais que atuava como perito criminal na Secretaria de Defesa Social de Pernambuco), foram presos por força de mandados de prisão e afastados dos cargos públicos, por decisão judicial.

[Atualização: 05/02/2026, às 9h05] Após a publicação da reportagem, a Associação de Polícia Científica de Pernambuco (APOC-PE) entrou em contato com a redação do Diário do Nordeste para informar que Sátiro Furtado não é perito criminal nem atua na função, apesar de informar isso nas redes sociais.

"O servidor preso não é perito criminal, nem atuava como tal. Trata-se de Sátiro Furtado Leite Neto, que exercia o cargo de Agente de Medicina Legal. Ele não atuava como perito", garantiu a Associação.

Também foram cumpridos mandados de prisão contra Joseana Keli do Nascimento, Washington Luiz da Silva Junior e Neilton Medrado Moura.

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Prisões em flagrante

O cabo PM de Pernambuco, Tácio Luiz da Silva Nunes, foi alvo de mandado de busca e apreensão e terminou preso em flagrante, por porte ilegal de arma de fogo.

O mesmo destino teve o soldado da Polícia Militar da Bahia (PMBA) Anderson dos Santos Lima: era alvo de mandado de busca e apreensão, mas também foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Já Flávio Fernando Leite Barbosa, outro alvo de mandado de busca e apreensão, foi preso em flagrante por suspeita de comercialização ilegal de anabolizantes.

A defesa dos suspeitos não foi localizada para comentar as prisões. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

A imagem mostra três armas de fogo e dezenas de munições, apreendidas pela Polícia Civil em uma operação, dispostas em cima de uma mesa, onde há também um teclado de computador, um copo e uma caneta.
Legenda: Três armas de fogo e munições foram apreendidos pelos policiais civis, na posse dos suspeitos.
Foto: Divulgação/ SSPDS.

Como aconteceu a operação

A investigação foi realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com o apoio dos departamentos da Polícia Civil do Ceará de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e de Inteligência Policial (DIP), além da colaboração da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).

60
policiais da Polícia Civil do Ceará participaram do cumprimento de ordens judiciais, nos estados do Ceará, Pernambuco e Espírito Santo, com apoio de policiais civis de Pernambuco.

Os mandados judiciais foram cumpridos em Fortaleza, nas cidades pernambucanas de Petrolina, Triunfo e Cabrobó, além de Vitória (capital do Espírito Santo).

O policial militar da Bahia Anderson dos Santos Lima morava em Pernambuco, onde foi detido em flagrante. Já o perito criminal Sátiro Furtado foi capturado no Espírito Santo.

Três armas de fogo, munições, documentos, aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos pelos investigadores.

A organização criminosa é suspeita de fraudar etapas do concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará e outros concursos pelo Brasil.

As investigações da Draco apontam que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e utilização de meios tecnológicos ilícitos para o repasse de respostas em tempo real, durante a aplicação das provas, com o objetivo de aprovações fraudulentas no certame.

Um grupo já havia sido preso em flagrante por tentar fraudar o concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará, em agosto do ano passado. Entre os suspeitos, estavam um advogado, um médico, uma enfermeira (esposa do médico) e um autônomo.

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