Três PMs e um perito são presos em operação contra fraude ao concurso da Polícia Civil do CE

Os servidores públicos detidos são funcionários dos estados de Pernambuco e Bahia.

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
A imagem mostra vários policiais civis, em pé, fardados e armados, fazendo uma reunião antes de uma operação.
Legenda: Cerca de 60 policiais civis do Ceará participaram do cumprimento de mandados, na operação, no Ceará e em outros estados.
Foto: Divulgação/ SSPDS.

Três policiais militares e um perito criminal foram presos em uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), na última terça-feira (3), contra uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos. 

Entre os certames que teriam sido fraudados pelo grupo criminoso, está o concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará, que teve provas aplicadas em agosto do ano passado.

8
suspeitos de integrar a organização criminosa foram presos - sendo cinco por força de mandados de prisão e três presos em flagrante.

A reportagem apurou que o sargento da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), Matias Moreira Neto, e o agente de medicina legal de Pernambuco, Sátiro Furtado Leite Neto (que atuava como perito criminal na Secretaria de Defesa Social de Pernambuco), foram presos por força de mandados de prisão e afastados dos cargos públicos, por decisão judicial.

Também foram cumpridos mandados de prisão contra Joseana Keli do Nascimento, Washington Luiz da Silva Junior e Neilton Medrado Moura.

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Prisões em flagrante

O cabo PM de Pernambuco, Tácio Luiz da Silva Nunes, foi alvo de mandado de busca e apreensão e terminou preso em flagrante, por porte ilegal de arma de fogo.

O mesmo destino teve o soldado da Polícia Militar da Bahia (PMBA) Anderson dos Santos Lima: era alvo de mandado de busca e apreensão, mas também foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Já Flávio Fernando Leite Barbosa, outro alvo de mandado de busca e apreensão, foi preso em flagrante por suspeita de comercialização ilegal de anabolizantes.

A defesa dos suspeitos não foi localizada para comentar as prisões. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

A imagem mostra três armas de fogo e dezenas de munições, apreendidas pela Polícia Civil em uma operação, dispostas em cima de uma mesa, onde há também um teclado de computador, um copo e uma caneta.
Legenda: Três armas de fogo e munições foram apreendidos pelos policiais civis, na posse dos suspeitos.
Foto: Divulgação/ SSPDS.

Como aconteceu a operação

A investigação foi realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com o apoio dos departamentos da Polícia Civil do Ceará de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e de Inteligência Policial (DIP), além da colaboração da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).

60
policiais da Polícia Civil do Ceará participaram do cumprimento de ordens judiciais, nos estados do Ceará, Pernambuco e Espírito Santo, com apoio de policiais civis de Pernambuco.

Os mandados judiciais foram cumpridos em Fortaleza, nas cidades pernambucanas de Petrolina, Triunfo e Cabrobó, além de Vitória (capital do Espírito Santo).

O policial militar da Bahia Anderson dos Santos Lima morava em Pernambuco, onde foi detido em flagrante. Já o perito criminal Sátiro Furtado foi capturado no Espírito Santo.

Três armas de fogo, munições, documentos, aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos pelos investigadores.

A organização criminosa é suspeita de fraudar etapas do concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará e outros concursos pelo Brasil.

As investigações da Draco apontam que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e utilização de meios tecnológicos ilícitos para o repasse de respostas em tempo real, durante a aplicação das provas, com o objetivo de aprovações fraudulentas no certame.

Um grupo já havia sido preso em flagrante por tentar fraudar o concurso para Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará, em agosto do ano passado. Entre os suspeitos, estavam um advogado, um médico, uma enfermeira (esposa do médico) e um autônomo.

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