Polícia Civil investiga existência de cemitério clandestino utilizado por grupo criminoso

O homem apontado como chefe do grupo foi preso. Um PM disse ter sofrido atentado pelo bando e outro militar é investigado por fazer parte da quadrilha

POLÍCIA CIVIL
Legenda: Polícia Civil irá analisar comprovantes bancários apreendidos na posse de 'Bida', chefe do CV

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), investiga a informação de que uma quadrilha ligada à facção criminosa Comando Vermelho (CV) teria um cemitério clandestino para torturar, matar e enterrar rivais, em Fortaleza. A prisão do suposto líder do grupo, Alan Darlan Batista de Lima, o 'Bida', 30, foi divulgada ontem.

Conforme a Polícia Civil, 'Bida' é suspeito de ordenar mortes e comandar o tráfico de drogas e de armas de fogo nos bairros Barroso e Serrinha, na Capital. A reportagem apurou que ao menos três homens procuraram a Polícia, nos últimos meses, para denunciar ameaças de morte que sofreram do bando, por morarem na região e não "vestirem a camisa" da facção.

Um deles é policial militar. A Draco apurou, com testemunhas, que o grupo criminoso tentou matar o policial em uma ação, mas confundiu a casa do agente de segurança com a de um vizinho dele e tentou arrombar o portão errado. A motivação do crime seria o fato de o militar estar atrapalhando o tráfico de drogas na localidade.

Outro PM e familiares, além de traficantes já conhecidos pela Polícia, são suspeitos de integrar a quadrilha liderada por 'Bida'. O grupo é apontado como responsável por torturar e matar um traficante inimigo que atuava na Serrinha, neste ano. As investigações apontam que a prática da tortura era recorrente. Para isso, os criminosos se utilizavam até de um terreno, próximo a uma pocilga, que servia de cemitério clandestino. A vítima seria levada para lá, torturada, morta e enterrada.

'Bida' já tinha passagens pela Polícia por tráfico de drogas, associação para o tráfico e associação criminosa e foi recapturado próximo à sua residência, no Município de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), na última terça-feira (27). No imóvel, foram apreendidos um revólver calibre 38, cinco munições, mais de R$ 1,2 mil em espécie, celulares e comprovantes bancários, que serão analisados pela Polícia Civil. Ele foi autuado por integrar organização criminosa, posse ilegal de arma de fogo e receptação.

No interrogatório, Alan Darlan negou o apelido e as acusações de integrar organização criminosa e de matar um homem. Contou que possui oficina mecânica com um sócio, em Caucaia. E alegou que possuía uma arma de fogo para se proteger de assaltos que estavam acontecendo com frequência onde mora e de ex-inimigos, que fez na época em que se envolvia com o crime.

O titular da Draco, delegado Harley Filho, destacou a importância de 'Bida' dentro do Comando Vermelho: "Há fortes indícios de ser uma pessoa bem articulada dentro da facção criminosa, por se tratar de um conselheiro permanente desse grupo criminoso. (Tem) funções de emanar ordens mais críticas, que vão repercutir no mundo exterior e dentro dos presídios".

Outro líder

Em outra investigação, a Polícia Civil, através das delegacias regionais de Crateús e Russas, realizou a prisão de mais um chefe de organização criminosa no Ceará, também na terça-feira (27). Francisco Rivanildo Lima Sousa, o 'Botafogo', 31, é suspeito de estar ligado ao tráfico de drogas e a homicídios, nos municípios de Russas e Quixeré, e estava foragido desde 2016.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo de 'Botafogo' e a 'Quadrilha dos Diógenes' travam uma disputa sangrenta pelo comando criminoso na região do Vale do Jaguaribe, o que resultou em cerca de 200 homicídios, somente entre 2010 e 2015.

O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Sandro Caron, ressaltou o foco da Pasta em combater o crime organizado no Estado: "Nossa linha será sempre essas investigações qualificadas da Polícia Civil, que busquem a prisão de integrantes da alta hierarquia de grupos criminosos. Para que se possa atingir, juntamente com o trabalho de combate ao tráfico de drogas e com o trabalho de descapitalização desses grupos, e suas estruturas", disse Caron.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre segurança