Polícia Civil indicia irmãos que deceparam mãos de jovem por tentativa de feminicídio

A dupla atacou a vítima com uma foice em Quixeramobim, no sertão central cearense, no dia 1º de maio.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
(Atualizado às 16:24)
Montagem de fotos de irmãos presos por decepar mãos de jovem em Quixeramobim, no Ceará.
Legenda: Ronivaldo (à esquerda) incentivou o irmão (à direita) a tentar matar a ex-namorada.
Foto: Reprodução.

Os irmãos presos por decepar com uma foice as mãos da jovem Ana Clara de Oliveira, 21, em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, foram indiciados pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) por tentativa de feminicídio. O crime brutal foi praticado no último dia 1º pelo cunhado da vítima, Evangelista Rocha dos Santos, enquanto o ex-companheiro, Ronivaldo Rocha dos Santos, assistia e supostamente incitava os ataques.

De acordo com a Delegacia Municipal de Quixeramobim, a dupla usou "violência extrema, cruel e desproporcional" contra a mulher, em um contexto de violência doméstica de Ronivaldo contra Ana, "marcado por agressões físicas, ameaças, humilhações, comportamento possessivo".  

Os homens estão presos na Unidade Prisional de Caucaia, após serem transferidos de Quixeramobim. 

"Verificou-se que o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que os investigados utilizaram dissimulação para induzi-la a abrir a janela da residência antes do ataque", pontuou o relatório de indiciamento, assinado pelo delegado William Soares Lopes. 

Segundo as investigações, o então companheiro já havia ameaçado a jovem, afirmando que "ainda iria cortar as mãos dela", caso ela não aceitasse ser controlada. 

A conclusão policial foi enviada no dia 10 de maio à Justiça e ao Ministério Público do Ceará (MPCE), que deverá se manifestar com a denúncia.

Ana Clara está internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), onde teve as mãos reimplantadas em uma cirurgia de 12 horas. Ela deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no último dia 8 de maio, após uma semana internada. 

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'Brutal tentativa de feminicídio' 

Segundo a delegacia, Ronivaldo foi movido por "sentimento de posse, vingança, dominação e inconformismo" da vítima, que sofreu uma "brutal tentativa de feminicídio". O relatório informa que foi ele quem forneceu a foice e incentivou o irmão a praticar o crime.

Antes do ataque violento, o Ronivaldo chega de carro com Ana Clara, e eles discutem enquanto ela desce do carro. Momentos depois, o homem convoca o irmão e diz que ele "pode matá-la". 

"Do lado de fora, o suspeito Rone passa a gritar ordens de execução, utilizando termos injuriosos ("ei, pode matar ela, pode matar, pode matar, pode matar"), o que serviu de comando para que Evangelista iniciasse a agressão física (golpes de arma branca/objeto perfurocortante)", aponta o indiciamento. 

Leia o diálogo entre os irmãos após a morte:

Rone: "Evangelista, ei tu matou macho?"
Evangelista: "Sim, já era."
Rone: "faz isso não macho?"
Rone: "tu matou?

Evangelista: "Sim, já era."
Rone: "Tu matou"?
Evangelista: "Sim, já era."
Rone: "não era pra ter feito isso não, macho."
Rone: "ei macho tu acabou com a nossa vida."
Evangelista: "já era."
Rone: "não era pra ter feito isso não, macho."
Evangelista: "tu que mandou, já era."
Rone: "eu sei".
Rone: "ei macho tu acabou com a nossa vida."
Evangelista: "já era, bora simbora."
Evangelista: "bora bora bora"

Ainda conforme os documentos, o cunhado enganou a jovem para que ela o deixasse entrar na casa, surpreendeu-a "de forma abrupta e desferindo sucessivos golpes de foice em diversas regiões de seu corpo, causando múltiplas lesões graves e mutilações, circunstâncias que somente não culminaram no resultado morte por circunstâncias alheias à vontade dos agentes, especialmente em razão do socorro médico prestado à vítima". 

A investigação revelou que Ana Clara era constantemente alvo de agressões físicas, humilhações, ameaças, controle psicológico, destruição patrimonial e comportamento possessivo. 

Jovem se recupera após ter mãos reimplantadas

Ana Clara se recupera bem no IJF, após passar pelas últimas cirurgias, na última sexta (8) e nessa segunda-feira (11). Os procedimentos fazem parte do plano dos médicos que atendem à jovem desde o dia do ataque.

As novas cirurgias foram feitas por complicações no reimplante das mãos e também para reparar um tendão da panturrilha, também atingido durante o ataque.

Os médicos informaram à família de Clara que as cirurgias foram complexas, mas pontuaram que o quadro dela é mais estável que o da primeira semana após a tentativa de feminicídio. As informações foram repassadas ao Diário do Nordeste pelos parentes de Ana Clara. 

 

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