PM se nega a atender ligação de superior enquanto fiscalizava bar com aglomeração e é punido

O subtenente estava de plantão na cidade de Ibiapina, Interior do Ceará, em maio do ano passado. A portaria foi publicada no Boletim do Comando Geral da PMCE da última sexta-feira (5)

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Legenda: Desde o início da pandemia no Ceará, policiais militares auxiliam na fiscalização do cumprimento aos decretos de isolamento determinados pelo Governo do Estado
Foto: Kid Júniot

Um policial militar que fiscalizava um estabelecimento comercial com aglomeração, em Ibiapina, no Interior do Ceará, foi repreendido com punição. A ocorrência foi em maio de 2020, e o resultado da sindicância aberta contra o subtenente foi publicado no Boletim do Comando Geral da Polícia Militar do Ceará (PMCE) da última sexta-feira (5).

De acordo com a portaria, o subtenente teria apresentado conduta transgressiva e  "teria agido de forma desrespeitosa com o superior hierárquico ao deixar de atender ligação telefônica do tenente-coronel" enquanto fiscalizava um bar na região. O caso foi em 27 de maio de 2020, período que a pandemia da Covid-19 se alastrava no Ceará e havia decreto do Governo do Ceará determinando isolamento social.

Naquele dia, o subtenente estava de plantão e se deparou com um bar onde havia aglomeração de pessoas, inclusive idosos, grupo de risco para o coronavírus. Quando parou a viatura, o subtenente foi até o proprietário do estabelecimento solicitando que ele apresentasse o documento de alvará de funcionamento do local.

O subtenente disse ter orientado o comerciante sobre a proibição da aglomeração no espaço e que o local "não poderia ficar aberto tendo em vista os riscos que ele correria por ser um senhor de idade". Consta na versão do policial repreendido que, minutos depois, um homem apareceu e apontou um celular para ele e uma mulher disse que estava ao telefone o tenente-coronel do Batalhão de Policiamento do Raio (BPRaio) da cidade.

O policial disse que não iria atender a ligação, que se fosse o oficial ele ligasse diretamente para seu celular ou para a viatura. Quase um ano após a ocorrência, o subtenente recebeu punição pelo ato.

A reportagem questionou a PMCE sobre a repreensão e se houve algum tipo de opressão ao subtenente por parte do seu superior enquanto ele realizava a abordagem no bar. Também foi questionado à Corporação se o tenente-coronel foi ou é investigado por esse ato. Até a publicação desta matéria, a PM não havia respondido.

 

 

 

 

 

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