PM e fisioterapeuta são presos por suspeita de ajudar mulher a transportar 34kg de drogas

A fisioterapeuta, que é esposa do PM, foi solta em audiência de custódia. Já o policial militar teve a prisão mantida.

Escrito por
Redação seguranca@svm.com.br
droga maconha em tabletes em cima de viatura da pm bepi cotar, arvore atras.
Legenda: A droga seria entregue em Fortaleza.
Foto: Divulgação/PMCE.

Um cabo da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e a esposa dele, uma fisioterapeuta, foram presos na última semana pelo crime de tráfico de drogas. O casal foi capturado em flagrante após transportarem uma mulher que estava em posse de 34 quilos de maconha divididos em duas malas. 

Mateus Aguiar Ferreira e Zayra Cardoso Figueiredo afirmam que davam carona a Emanoela Chaves Rocha e que não sabiam o que a passageira levava na bagagem. Já na versão de Emanoela, também detida em flagrante, o casal sabia do transporte do ilícito e recebia dinheiro em troca por isso. As defesas dos investigados não foram localizadas pela reportagem. 

Emanoela contou aos policiais que pegou a droga em Campo Grande, no Mato Grosso, e a entregaria em Fortaleza. A passageira afirmou de "forma categórica que, quando Francisco Matheus e Zayra a buscaram em Brejo Santo (na rodoviária), já tinham ciência de que ela transportava drogas e que receberiam quantia em dinheiro para tanto".

O PM e a fisioterapeuta passaram por audiência de custódia. Zayra teve a prisão em flagrante revogada, enquanto Matheus teve a prisão convertida em preventiva.

'CHEIRO DE DROGA'

Sobre a suposta participação do cabo no crime, a Justiça considerou que "a elevada quantidade de entorpecentes apreendida - mais de trinta e quatro quilos, acondicionados em duas malas, conforme consta dos autos de prisão em flagrante de Emanoela - dificilmente passaria despercebida aos olhos de um cabo da Polícia militar, em atividade há oito anos, sobretudo diante do forte odor característico da droga, circunstância que também deveria ter despertado suspeita".

Veja também

O juiz entendeu que "se encontram presentes os requisitos autorizadores da prisão preventiva, notadamente para garantia da ordem pública".

Para Zayra foi concedida a liberdade provisória, sem pagamento de fiança e fixadas medidas cautelares, como proibição de contato com testemunhas e de se ausentar do Estado do Ceará. 

O magistrado considerou que as medidas cautelares para a fisioterapeuta se mostram suficientes neste momento "embora também existam indícios de que teria ciência e consentimento com o transporte do entorpecente, não vislumbro, por ora, elementos concretos que indiquem risco atual à ordem pública ou à instrução criminal que justifiquem a imposição da medida extrema, de modo que, por ora, as medidas cautelares se mostram suficientes".

COMO O FLAGRANTE ACONTECEU

A reportagem teve acesso a documentos com detalhes da ocorrência. No dia 5 de fevereiro, o trio trafegava em um Honda HRV da cor vermelha. Emanoela estava na condição de passageira do casal e teria embarcado no veículo em Brejo Santo, por meio de um 'aplicativo de caronas' usado para dividir os custos de viagens intermunicipais e interestaduais.

Conforme o relato do PM preso, ele foi abordado em uma blitz do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi) e apresentou a carteira funcional de militar e foi liberado. Após a primeira abordagem, o veículo teria sido novamente abordado por policiais rodoviários federais, em Icó. De acordo com o PM, a passageira teria agido de forma estranha, o que levantou a suspeita do transporte de ilícitos.

"Durante a abordagem, nada de ilícito foi localizado, tendo o autuado se identificado como policial militar e informado que os demais passageiros seriam Zayra, sua esposa, e Emanoela, passageira. Consta ainda dos depoimentos dos policiais que, em contato posterior como autuado Francisco, este relatou que, após a primeira abordagem, percebeu que a passageira demonstrou nervosismo e, ao questioná-la sobre eventual posse de material ilícito, esta negou. Contudo, quando da segunda abordagem, realizada pela Polícia Rodoviária Federal, afirmou ter sido orientado por um policial a não abrir a bolsa da passageira, diante da impossibilidade de se afirmar, com certeza, a existência de drogas no interior do objeto".

O PM diz que decidiu deixar Emanoela em um restaurante e entrou em contato com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) para comunicar a atitude suspeita, tendo seguido viagem.

Emanoela foi presa e disse aos agentes que a abordaram que o casal sabia da existência do entorpecente.

Policiais militares receberam informações por meio do serviço de Inteligência de que o veículo estaria em deslocamento para Fortaleza supostamente transportando drogas. Mais à frente, já na Região Metropolitana de Fortaleza (entre Horizonte e Itaitinga) o PM e a fisioterapeuta foram novamente abordados e detidos em flagrante.

A dupla nega qualquer envolvimento com a passageira e diz acreditar que a versão dela foi pensada para se vingar deles, porque a deixaram em um restaurante. 

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados