MP denuncia MC Black da Penha por integrar Comando Vermelho; carioca segue preso no Ceará
O artista desembarcou em Fortaleza e se apresentou no bairro Bom Jardim.
Encarcerado na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UPTOC), na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), João Vitor da Costa Minervino, o 'MC Black da Penha', de 24 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por integrar a facção criminosa de origem carioca Comando Vermelho (CV).
Os promotores de Justiça de Combate às Organizações Criminosas pedem que, além de condenado por integrar a facção, seja fixado contra o cantor dano moral coletivo no valor de R$ 25 mil. A acusação 'enquadrou' Minervino na Lei Anti Facção, que entrou em vigor já neste ano de 2026, prevendo penas mais severas aos faccionados.
Para o MPCE, "a conduta de divulgar conteúdo musical que exalta uma líder de organização criminosa e cita suas principais localidades de domínio, além de celebrar o emprego de armamentos, quando corroborado com a incitação ao uso de gestos simbólicos (sinal de “2” com as mãos), revela, de forma cristalina, o modus operandi e a periculosidade concreta de uma organização criminosa ultraviolenta que busca, até por meios culturais, se estabelecer e firmar seu domínio social".
A reportagem apurou que, apesar de negar vínculo com a facção, quando entrou no sistema prisional cearense, o MC Black da Penha identificou vínculo com o Comando Vermelho. A defesa do acusado não foi localizada pelo Diário do Nordeste, e este espaço segue em aberto para possíveis manifestações futuras.
PRISÃO PREVENTIVA
Policiais civis prenderam o MC no fim do último mês de abril. De acordo com a investigação da Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco), o artista desembarcou em Fortaleza e se apresentou no bairro Bom Jardim, cantando músicas em alusão à facção carioca.
Com mais de 200 mil reproduções no Spotify, a música 'Tropa do Alok', criada em homenagem a um líder do CV, foi apontada como principal motivação para a prisão.
Em depoimento, o MC confessou ser o compositor da letra que enaltece um homem identificado como 'Alok', apontado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) como principal líder do Comando Vermelho nos bairros Bela Vista, Planalto Pici, Rodolfo Teófilo e no município de Maracanaú.
A Polícia Civil do Ceará afirma que "o suspeito estava sendo agenciado por outro investigado da indústria musical, preso recentemente pela Polícia Federal". O Diário do Nordeste apurou que o agenciador se trata de MC Ryan SP.
'MC Black da Penha' soma quase meio milhão de seguidores nas redes sociais. Nas músicas, ele defende a "liberdade para quem tá na tranca", se referindo aos amigos que estão presos.
Instantes antes de ser preso, João Vitor havia publicado no seu perfil no Instagram que estava em Fortaleza.
Horas após o flagrante, a Justiça do Ceará decidiu pela prisão preventiva de João Vitor da Costa Minervino. A Polícia Civil do Ceará e o Ministério Público do Ceará se manifestaram pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
O Juízo da 17ª Vara Criminal de Audiências de Custódia considerou que, conforme dito nos autos, "o autuado, valendo-se de sua atividade artística e da ampla difusão proporcionada por redes sociais, teria promovido, de forma deliberada, a organização criminosa denominada Comando Vermelho (CV), mediante a execução de composição musical que exalta lideranças faccionadas e o domínio territorial armado por elas exercido".
INFLUÊNCIA DO GRUPO CRIMINOSO
Conforme a Justiça, a prova da materialidade e os indícios de autoria estão presentes e foi verificado que a conduta do suspeito evidenciou intenção "de reforçar o controle social exercido pelo grupo criminoso, contribuindo para a intimidação da coletividade e para a consolidação de um ambiente de subversão da ordem pública".
"Segundo as narrativas postas, depreende-se, ainda, que, durante a apresentação, o autuado não se limitou à mera execução musical, tendo incitado o público presente à reprodução de gestuais simbólicos associados à facção criminosa, reforçando a identidade coletiva do grupo e contribuindo para a difusão de sua ideologia. Ademais, parte da apresentação foi amplamente divulgada em redes sociais, ampliando o alcance da conduta e potencializando seus efeitos sobre a coletividade"
O funkeiro MC Ryan SP foi preso em operação da Polícia Federal no último dia 15 de março de 2026. Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) comunicou a decisão de soltar Ryan.
Outros 33 presos na Operação Narco Fluxo, que mira organização criminosa suspeita de comandar esquema de lavagem de dinheiro, devem ser soltos além de Ryan SP.
A ação movimentou 200 policiais federais para o cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e outros 39 de prisão temporária. Os alvos eram dos seguintes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás.
Conforme detalhes da investigação, o grupo utilizava sistema para dissimular valores e teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão. O MC Ryan SP é apontado como suspeito de ser um dos chefes do esquema criminoso.